quinta-feira, 30 de julho de 2015

Nymphomaniac

“fill all my holes”

De todas as frases marcantes do filme “Ninfomaníaca” essa é, de longe, a que mais me marcou e atingiu.

Uma pessoa que sempre sentiu que uma parte de si faltava tende a achar que em outros vai encontrar sua parte perdida. Busca de diversas formas encontrar e preencher seu vazio no outro.

As pessoas possuem em si essências e personalidades diversas que vão acabar por preencher nessa pessoa vazio os buracos. Por algum tempo. Mas nunca, nunca por inteiro essa pessoa se sentirá preenchida.

Obvio está que o vazio sentido e o preenchimento pra ele encontram-se na pessoa em si, mas não fica claro, em momento nenhum do filme – ou da vida - que esse é um vazio constantemente encontrado nas mulheres.

É dito com frequência que somos exigentes demais, que esperamos demais, que desejamos algo que pessoa nenhuma pode dar. A verdade é que nunca nos foi dado o que temos por direito reivindicar. 
Nosso direito de nos sentir completas.

Mulheres passaram toda sua vida, desde sua infância remota, ouvindo que devem encontrar um outro que as dê sentido na vida. Que um homem dará a nós um motivo pra viver, que um homem nos dará um filho, que é esse o motivo de uma mulher viver. As pessoas esquecem que somos, sim, completas por nós mesmas. Dessa forma, perdemos nossa essência, nossa noção de que podemos ser completas sozinhas, de que somos uma maré de ondas tantas que se auto preenchem, satisfazem.

A vida nos ensina que nunca seremos autossuficientes e acreditamos nisso, buscamos fisicamente preencher esses buracos, muitas vezes em relações sexuais vazias que nos satisfazem fisicamente e nos esclarecem o vazio interno que vivemos. Muitas vezes com a ideia de um amor que nunca nos será inteiro. Por que não somos inteiras. Nunca seremos.

Homens esperam de nós que sejamos completas e os amemos por inteiro, quando a sociedade não nos permite o amor próprio, quando o mundo nos mina a autoestima.

Se não posso me amar, não posso amar você. Se não posso amar nenhum nos dois, não posso me sentir completa.

Nunca serei completa. Nunca me amarei por inteiro.


Continuarei a preencher meus buracos físicos com relações vazias em busca de uma plenitude que nunca obiterei.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Nenhum passo atrás

Hoje, ao discutir com um homem sobre feminismo, li a seguinte frase: Espero que vc seja estuprada <3 p="">

Nenhum homem nunca vai saber o peso que essas palavras carregam, a dor que é saber que, não importa o quanto você lute contra suas opressões e dê sua cara a tapa, essa ameaça sempre vai ser muito real. Dizer que eu mereço ser estuprada, desejar isso é uma tentativa desesperada de me lembrar do meu lugar, de me lembrar que eu to me desvencilhando das minhas amarras, mas que o poder de opressão do homem, por mais boçal que ele seja, ainda existe. É um grito de “eu ainda posso te reduzir ao nada que eu penso que vc é”. É a pior forma de desestabilizar uma mulher.
Não teria palavras pra descrever como me senti ao ler essa simples frase. Não tenho forças pra explicar o quanto é doloroso. E o pior não é saber que isso pode vir a acontecer comigo, é saber que acontece com milhares de mulheres todos os dias, que algum dia pode acontecer com a minha sobrinha ou as minhas irmãs. O que mais dói é pensar que todos os dias a sociedade continua a bater na nossa cara e tentando nos colocar no lugar que ela nos designou. Seja com uma cantada, com o assédio diário nos transportes ou com a constante diminuição de nossas habilidades em geral. A ameaça de estupro é apenas o ápice dessa tentativa, é quando o homem vê que nenhuma outra me “colocou no meu lugar”.


Bem, homem, agora eu quero que você saiba que nenhuma tentativa desesperada, nenhuma ameaça, seja dela velada ou explícita, NADA vai me colocar no lugar que você pensa que é meu, por que quem decide qual é meu lugar SOU EU. E eu não vou deixar de falar, deixar de gritar ou deixar de lutar por que você me fez uma ameaça. Por mais que tenha me doído, e doeu sim, essa situação só me deu mais força pra colocar homens como você na cadeia, na berlinda, longe de qualquer mulher que possa sofrer com você. Eu esperei, mas saiba que não me calei e não me calarei. Nenhum machista passará.

sábado, 25 de outubro de 2014

Não combina mais comigo

Acredito que uma das coisas mais bonitas que ouvi falar no feminismo foi sobre empoderamento. Uma das mais bonitas e mais difíceis.

Acredito que se despir de todos os males que a sociedade colocou em sua mente é uma das tarefas mais árduas e gratificantes que poderíamos nos colocar.

Quando penso em empoderamento, penso em amor próprio e foda-se. Acredito que o processo de empoderamento é lento e gradual, imagino que é preciso muitos anos de exercícios mentais e sociais para que mulheres consigam se amar por inteiro. Desde que nascemos, a sociedade nos bate com a porta na cara. Não somos magras o suficiente, nosso cabelo não é liso o suficiente, nossa pele não é sedosa o suficiente.

Quando penso nos males que a sociedade causa a mulher, penso em frustração. Penso em alguém dizendo “você nunca vai ser boa o suficiente”. E dentro dos padrões inalcançáveis que nos colocam em busca eterna pela perfeição, nunca seremos mesmo. E é isso que nos destrói. Destrói nossa auto-estima, nossa união, nossa mente. Nos faz aceitar relacionamentos abusivos e nos coloca em situações de risco para que encontremos a perfeição exigida. E nunca encontramos, passamos a vida em busca eterna e muitas vezes deixamos que essa busca nos destrua e nos mate.

Acredito que o empoderamento é parar essa busca. É deixa-la de lado e iniciar uma outra busca. A busca pelo nosso amor próprio, pelo que nós amamos em nós mesmas, e não a sociedade. Infelizmente, nossos gostos sempre serão socialmente influenciados, porém se olhar no espelho e amar suas gordurinhas é a sensação que quero agora buscar.

Estou no feminismo há um ano e muito falo e muito ouço sobre empoderamento, mas é a partir de agora que quero dar início a essa estrada. Uma estrada longa e dolorosa, certamente repleta de pedras que me farão tombar constantemente. Mas gosto de saber que no fim dela serei uma pessoa nova, que serei a pessoa que eu quero ser.


Sei que no fim da estrada do empoderamente, além de amar mais a mim mesma, serei capaz de amar mais as mulheres a minha volta, as mulheres que sofrem tanto sem nem ao menos se darem conta. E é a essas mulheres que quero agradar e mostrar meu melhor. Por que homem nenhum nunca vai nos ver realmente despida.

sábado, 9 de agosto de 2014

Entre páginas

Um livro que amo muito vai chegando ao final e eu sempre leio com mais lentidão, espaçando mais o tempo entre uma leitura e outra... O mesmo acontece com séries que vejo. No início eu sempre devoro tudo sem nem pensar duas vezes, cheia de cede de felicidade, de satisfação. No fim, não consigo aceitar que aqueles momentos deliciosos estejam chegando ao fim, me arrasto neles por mais que fiquem cansativos. O fim sempre me foi uma coisa difícil. Quero coisas eternas, quero viver histórias novas com os mesmos personagens, com a mesma intensidade. As mudanças são simplesmente insuportáveis.

Da mesma forma, sempre que descubro outro livro bom, logo o devoro e me encho do seu prazer e satisfação. Geralmente, quando amo muito um, ainda me recinto pelo fim, mesmo depois de encontrar outros ótimos, até releio algumas vezes e os momentos são até parecidos, mas nunca obtenho a mesma emoção.

Essa minha relutância no fim é tão insistente quanto meu medo do que vem depois dele. Até mesmo quando era nova, não importava quantas barbies novas eu ganhava, eu sempre brincava com as que eu mais amava. Vinham as cantoras, as com asa... Mas eu nunca me esqueço daquela de vestido rosa estampado de pirulitos. Nunca esqueço o quanto foi doloroso quando perdi o vestido. Pensando agora, acho que gostava mais do vestido do que da Barbie, mas eu nunca botava aquele vestido nas outras.

Eu gostava de tudo que eu sentia em volta dessas coisas. E sempre me entristeceu  o passar do tempo e o adeus que vem com ele. Foram poucas as vezes que eu me despedi, geralmente é o tempo que precisa se despedir de mim. São os personagens que precisam envelhecer; os vestidos que precisam sumir e os atores que precisam se aposentar.


Mas eu nunca me conformo.

sábado, 7 de junho de 2014

Eu basicamente sou a pessoa que eu mais odeio no mundo, e eu tenho certeza de que eu e as pessoas que me tem por perto tem certeza de que eu sou uma pessoa muito horrível. Eu sei que eu sou bastante horrível. minha infelicidade é tão horrível que eu quero morrer td vez q eu odeio alguma coisa,

pq eu vou continuar matando tudo. eu vou matar vc, e eu, e td q sobrevive a base de amor. Pq euj morri e qlqr fprma de amor p vc é só letras. é só aleatório. É só morte.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nunca mais

Essa semana eu sonhei com você quase todos os dias. Sonhos bons, gostosos... Sonhos que me lembravam do tempo em que a gente namorava, quando éramos um do outro e com toda cumplicidade e cuidado que tínhamos. Caralho, que nostalgia e saudade isso me deu. Mais que isso, esses sonhos alimentaram involuntariamente a esperança que eu tenho de novos momentos como aqueles. Aos poucos eu me vi deitando na cama pensando em você, embalando meu sono imaginando você ali comigo. Coisa que eu só fazia quando namorávamos. Aos poucos isso veio me apavorando. No meio do dia eu sinto uma saudade louca e repentina de você, no meio da mesa do bar eu simplesmente desejo que você tivesse ali. No meio da aula eu só queria te abraçar e ficar quietinha. Eu desejei essas coisas quando estávamos separados, óbvio, mas agora sinto como se fosse diferente. Como se eu estivesse tornando a depender de você como dependia antes. Cara, isso me apavora muito.

Pensei em botar um ponto final nisso antes que se torne emocionalmente catastrófico pra mim, pensei em conversar com você sobre e talvez decidir o que fazer. Logo hoje, você não falou comigo. To ignorando minha neurose e focando em mim mesma, por que eu não quero me importar com o que VOCÊ faz ou com o que VOCÊ sente. Eu quero realmente pensar em mim. E eu quero realmente ser feliz, mas às vezes a intensidade desse desejo me confunde. Não tenho tanta certeza se é um desejo real ou se é um desejo socialmente construído.

A questão é que tenho medo de continuar e quebrar novamente, como quebrei antes, por que eu sei que você tem total capacidade de fazer isso e eu sei que não importa o quanto você me ame, você não vai mais lutar por mim. Isso me parece bem claro. Quando eu leio tudo isso eu penso “acho que é motivo suficiente pra virar as costas e seguir a minha vida”. Mas ao mesmo tempo, quando a gente decidiu “tentar de novo”, eu decidi que iria até o fim. Eu me conheço, eu sei que se não for até o fim, cedo ou tarde vou começar a me questionar se fiz o suficiente, se fiz certo, se não desisti cedo demais. E então vamos voltar para ~essa marra que é gostar de você~ esse limbo que se tornou a nosso relação no último ano. Eu definitivamente, com toda certeza do mundo, não quero e não preciso mais disso. A hora que eu for embora, PRECISA, NECESSITA, ser definitiva. Acho que tanto pra mim quanto pra você. E é por isso que eu to dando tudo o que tenho, eu to tentando segurar meus sentimentos e ser o mais paciente e maleável que posso, por que, quando eu for embora, eu preciso ir de vez.

Eu não sei o que vou fazer com esses sentimentos idiotas. Eu sei que já passei por eles antes, mas acho que você compreende bem que não é mais a mesma coisa. Eu tinha medo naquele tempo, mas naquele tempo você tinha os mesmos sentimentos e o mesmo medo. Agora eu sei que to sozinha. Eu sei que você não compartilha do mesmo sentimento e do mesmo sentimentalismo. Eu não sei se vou ser realmente forte pra ir até o fundo que eu preciso, por que eu acho que se for fundo demais, eu vou me afogar. E se for raso de mais, vou me enviar pro mesmo inferno do que estou tentando me tirar. Mas, agora, hoje, eu realmente acredito que a hora que eu for embora, vai ser definitiva. E com a mesma intensidade que agora eu me dedico pra fazer da certo, eu vou me dedicar pra não olhar pra trás.
Eu acredito bastante que você não vá ler isso (a não ser que eu poste no twitter, fato ainda não decidido), até por que nem eu vejo meu blog mais, imagine você.

Eu queria que você entendesse e sentisse os mesmos sentimentos que eu agora, por que seria mais fácil lidarmos com isso juntos. Mas já tem um tempo que não compartilhamos o mesmo patamar sentimental. E não vou esperar isso a essa altura do campeonato.


Eu só espero que isso seja TPM, que minha menstruação chegue logo e que tudo isso acabe.

sábado, 15 de março de 2014

Buraco negro

Às vezes eu penso em escrever, passam textos inteiros na minha cabeça, mas qnd eu chego na frente do computador parece que tudo some, e eu não consigo construir as coisas da mesma forma que fazia na minha cabeça. Tem sido difícil lidar com o papel e acho que mais difícil ainda lidar comigo mesma. Eu não sei se tenho me enganado pra diminuir meus problemas, ou exagerado e pensado demais nele. Até por que, acho que , parando pra pensar, eu não tenho problemas reais. Só os que estão dentro da minha cabeça.
Às vezes eu penso que voltando com vc, as coisas melhorariam, que talvez fosse diferente e até melhor dessa vez. Mas ao mesmo tempo em que não quero botar o foco da minha felicidade em você, não tenho mais certeza se eu de fato seria feliz com você. Eu fico me questionando se de fato ainda te amo, ou se eu só me acostumei com o fato de te amar. Me pergunto se sinto falta de você, ou de alguém. Do que vc me proporcionava e de como eu me sentia, ou de vc por ser vc. Mas eu vejo que, mesmo quando tenho outro alguém, ainda é você que vem na minha cabeça. Acredito que fico esperando alguém que supra as expectativas que vc supriu, te comparo e espero o tempo inteiro alguém que preencha o buraco que você deixou, mas isso não acontece e me frustra.

Mas acho que o problema não é você ou as outras pessoas. Acho que quem precisa preencher esse vazio sou eu mesma. Eu ando o tempo inteiro sentindo como se de fato carregasse um vazio dentro de mim. Já não me sinto completamente infeliz, mas também não sinto um pingo de alegria. Não encontro graça em absolutamente NADA. É como se eu estivesse vivendo no automático: acordo, faço as coisas que tenho que fazer e que as pessoas esperam que eu faça, saio, bebo e até rio, rio bastante, inclusive. Mas acho que nem na hora da risada eu me sinto feliz. Absolutamente tudo tem se tornado vazio e banal. Fico me perguntando se vc se fato preencheria esse vazio, como preencheu um dia. Mas não sei.

O problema é que eu não sei de quase nada, minha vida parece estagnada e sem sentido. Procuro encontrar motivações e motivos pras coisas, mas só sinto o eterno vazio no meu peito. Já não escrevo, não converso, não boto nada pra fora. E tudo se aglomera nesse buraco negro dentro de mim.

Acho que eu to cansada de mim mesma. Cansada de botar tanta expectativa em cima das pessoas e me decepcionar, cansada de esperar que as pessoas façam coisas que não fazem. E eu fico com raiva delas, e de você, mas sei que a culpa é inteiramente minha. Por que eu não deveria ficar esperando coisas e sonhando. Mas acho que eu continuo esperando que minha vida seja um filme da Disney, mas o final feliz acho que já passou.

Eu queria que você voltasse, queria saber se a gente conseguiria, queria tentar mais uma vez. Ao mesmo tempo, não quero voltar para aqueles dias de desespero e tristeza. Nesse sentido, acredito que eu tenha evoluído um pouco. Eu já não me importo tanto assim. Não tenho certeza se isso é bom, me parece mais um fruto do vazio, mas também não me sinto tão infeliz. Não sinto nada. E é esse o ponto.

O pior é que passei tanto tempo querendo não sentir nada, que agora que chegou, não é o que eu queria. Acho que a questão é que sinto, sim, mas sinto só uma tristeza pequena, que não me larga e que tá o tempo inteiro me mandando ligar pra você. Mas ligar pra que? Pra me encher de esperanças idiotas que não vão se concluir?

 Eu fiquei muito tempo querendo que a gente tivesse o que tinha antes, hoje eu entendo que já não é isso que eu quero. Eu queria algo novo, mas queria me sentir tão feliz quanto eu fui. Não acho que esse dia vai chegar tão cedo, com ou sem você. O pior é que eu ainda penso muito em você, no que será que você tá fazendo, se você já conseguiu me esquecer, se conheceu alguém melhor. Ou só pensando em como seria se você estivesse aqui. E, cara, vai fazer um ano que tudo acabou, eu considero decepcionante da minha parte que eu ainda não tenha conseguido superar ou seguir em frente. Mesmo quando eu penso que poderia encontrar alguém legal, eu fico me questionando como você lidaria com isso e pensando que não queria fazer isso com você. Mas eu sei que não é o que você pensa, e não é o que eu deveria pensar. Nem mesmo nas minhas fantasias você me abandona.

Acho que o fato de não ter conseguido viajar me deixou um pouco sem chão e sem rumo, eu acho que depositei todas as minhas esperanças nessa viagem, tinha certeza que seria minha terapia, e agora que não aconteceu, fico pensando o que fazer pra superar e melhorar.

Não sei, não tenho foco, não tenho rumo. Só continuo seguindo e esperando alguma coisa acontecer.


Mas eu to cansada, cansada de esperar você e cansada de esperar a vida.