Hoje me deu uma saudade daqui, de escrever, de outros momentos da minha vida. Saudade de um tempo que não volta, de pessoas que não voltam, saudade até de uma personalidade maníaco depressiva que não volta. Senti falta de um abraço quente, um sorriso que brilha; uma mão que move tudo. Bateu saudade de dizer ‘eu te amo’ e achar que é pra sempre, saudade de rir sem vontade de parar, de não ligar pra imagem e tocar o foda-se pra opinião alheia. Queria me sentir infantil de novo, mimada, egoísta, mandona e não me dar conta disso. Quero voltar ao tempo em que eu não me auto-analisava, que não tinha medo de ser quem eu era, de sentir o que eu sentia. Tempo em que eu não mandava em mim mesma, tudo era instinto, tudo era animal, era tudo puro, cru, intenso e tão, mas tão bonito que quase doía.
Admiro imensamente a pessoa que eu soube me tornar, aprendi a assumir meus erros, consertá-los. Aprendi a ver que certas coisas não se faz, por mais que o desejo grite; que tem coisas que magoam. Admiro a evolução que ocorreu aqui dentro, mesmo que não seja nítida aos outros. Sinto uma felicidade enorme quando vejo que encontrei a resposta pra quase todas as minhas perguntas, encontrei um sentido na vida e no mundo.
No entanto, isso não quer dizer que não sinta falta da felicidade infantil que eu sentia com as coisas mais bobas, com as babaquices de uma pré-adolescência ignorante e sem noção. Foi bom, foi tudo MUITO bom. Foi tudo lindo, não tenho palavras pra descrever a falta que sinto de tal beleza. Sei que minha vida agora também possui uma beleza imponderável e mágica. Mas sei também que só vou tomar consciência dela depois que tiver passado. É assim, é assim a vida do humano frágil e imperfeito. Mas ainda assim, amo tão dolorosamente tal vida, que quase sufoco.
Mas é exatamente quando a gente ta cansado.. o coração distrai e então a sorte vem ♪