quarta-feira, 29 de junho de 2011

Don't stop


Essa magia do que eu não vivi, do que eu não tive... Daquilo que tanto desejei, lutei, estimei... e não vivi. Era o tempo que estava sempre fora do lugar, era eu que estava sempre fora do tempo. Quando chegava a hora, já não era mais. E quando era, a hora se despedia. Esse tempo, sempre no lugar errado.
Como se minha vida fosse acontecendo no passado, como se o presente fosse um futuro distante e o futuro, simplesmente inexistente.
Que coisa, os relógios parecem tão sincronizados com o sol e a lua, por que minha vida não sincroniza-se com o tempo certo de viver? É sempre cedo, sempre tarde... No fim das contas, eu gosto mesmo de dormir de manhã e acordar a noite.
Não é o tempo fora de mim, sou eu fora do tempo.

I never really cared until I met you ♪

domingo, 19 de junho de 2011

Só pro meu prazer


Daí eu queria escrever, queria botar pra fora esse nada que tem aqui, esse aglomerado de vazio que se alojou no meu peito e me fez lembrar a saudade. Mas não pude, não consegui; parecia que, se eu botasse pra fora, deixaria de existir e, no fim das contas, não quero que deixe de existir. Quero que esteja aqui, doendo, pra que eu me lembre que foi real e acabou. Se as lágrimas secam, seca também as lembranças e eu não quero esquecer. O que eu quero mesmo é retomar tudo, viver as mesmas coisas várias vezes e sentir todas as mágoas e dores de novo. Só pra me garantir que não tem modo de ser bom, que só da pra ser ruim. E é assim a realidade.
E eu tive medo de demonstrar, do começo ao fim, todos os meus sentimentos. Simulei, menti, manipulei. Só pra não mostrar a minha realidade e viver a do mundo. Só pra não me expor. No fim, me sinto exposta. Sinto-me aberta, rasgada. E não consigo mais me cobrir. Mas deixo ser assim e não quero perder isso. Só pra lembrar que foi real, que eu não criei nada.
E pra não dizer que não falei das flores, quero errar e brigar várias e muitas vezes. Só pra provar pra mim mesma que não acabou.

"Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim."
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vazio


No fim das contas, tenho a sensação de que está todo mundo muito infeliz. Todos insatisfeitos e deprimidos. Parece que o ser humano, em geral, não tem controle algum sobre si próprio e se decepciona constantemente consigo mesmo. A vida parece cada vez mais ser uma grande merda da qual nunca conseguimos fazer exatamente o que gostaríamos. Eu achava que o problema mesmo era comigo, mas vejo que a maior parte das pessoas se sente assim, incompleta.
É claro, já é um fato constatado que o homem nunca está inteiramente satisfeito com a sua condição e quer sempre mais; é isso que os move. Mas não é unicamente uma questão de querer mais, é uma questão de querer tudo diferente, de estar tudo completamente errado. O que me parece engraçado é que a consciência disso não motiva ninguém a mudar, a fazer diferente. Talvez até por um tempo consiga, mas no fim das contas, tudo volta ao mesmo ponto. Você não é quem gostaria de ser.
Eu considerava isso como preguiça, comodismo e até medo. Medo do que pode acontecer caso você mude. Mas começo a achar que não. Começo a achar que, na verdade, estamos todos presos às nossas condições limitadas e não importa o quanto lutemos, não conseguimos mudar. É como um fado, uma sina. Não temos como fugir e tendemos, cada vez mais, a piorar.
Triste condição humana, quando mais nos consideramos egoístas e egocêntricos é quando mais vemos que não desejaríamos nossas vidas aos nossos filhos.

Now I need a place to hide away ♪

terça-feira, 14 de junho de 2011

The Queen


Pra falar a verdade: eu tenho medo. Tenho medo de você. Do seu gênio forte e da sua inconstância. Da sua agressividade e risadas. Tenho medo da sua bipolaridade e loucuras. Da sua impulsividade e TPM. Tenho medo dessa sua mania de nunca saber o que quer e mudar de idéia o tempo todo. Me assusto quando penso na idéia de passar o resto da vida ao seu lado. E ao lado das suas loucuras. Tenho medo do seu ciúme infundado e doentio, da sua mania de me controlar e das mil perguntas que você faz o tempo todo. Me apavora a idéia de acordar todos os dias sem saber ao certo quem é a mulher ao meu lado. Parece ter um sinal vermelho da sua testa gritando ‘perigo, procure a saída mais próxima’.
Você é dessas mulheres que botam um homem pra correr em poucos dias, dessas difíceis de lidar, que exige muita paciência e atenção. E isso me assusta. Eu temo as suas mil personalidades. Principalmente as que eu não conheço ainda. Temo o seu passado e o seu futuro. Tenho medo de você. Tenho medo da pessoa que você é e do por que eu ainda estou com ela.

And I'm free, free falling ♪

terça-feira, 7 de junho de 2011

Asma


Tinha até certa beleza naquilo tudo. Aliás, a dor tem uma beleza única, inegável. É a beleza da lágrima misturada com o fato de sermos humanos e termos sentimentos incontroláveis, que nos levam ao abismo. A saudade era muito mais sufocante do que o vício. Não vai embora ralo a baixo. Não podemos quebrar a saudade, não podemos jogá-la no lixo, não podemos fumá-la.
As histórias se foram, mas o sufoco ficou. A ausência se torna cada vez mais presente, e toma conta do ambiente. E não importa o quanto fuga ou se cale, ela te acompanha, fala com você e, até mesmo, te ouve. É o tal silêncio que grita.
Não importa que as lágrimas não caiam, o afogamento é inevitável e seco. Pois a ausência te leva com ela.
E sabe aquele sorriso inapagável? Perdeu o brilho, perdeu a magia. Tudo parece um tanto quanto opaco, mas não menos belo. A morbidez se move com a arte, com a dor. E para os leigos parece um monte de loucura. Para os conhecedores também. Mas a loucura brilha, e é isso que trás a crueldade bela do mundo.

É bom às vezes se perder.. ♪

Canção da despedida


O céu estava vermelho. Parecia bonito, mas depois lembrei que o céu não sangra. E não entendi. Lembrei que ele chora, ele grita, fica de mau humor. Mas nunca tinha visto o céu sangrar. Quem machucou o céu? Entendo que, a maior parte do tempo, os seres humanos irritem ele, façam-no sofrer... Mas não entendi como fizeram para machucá-lo.
Então eu andei na rua, eu vi gente comendo lixo, vi pessoas armadas ameaçando a vida de outras, vi brigas, lágrimas, raiva, ódio, sangue... E então me dei conta de que, se o ser humano pode fazer isso consigo mesmo, por que não faria com o céu?
O céu se matou; se matou de desgosto, de saudade, de dor. O céu se matou e não há bebida que mate a saudade, não há transfusão sanguínea. Nada salva o céu. O céu sangrou até a morte e assisti sentada. Não salvaria nem se pudesse, não tenho dúvidas de que ele, enfim, descansou em paz. O céu sorriu aliviado. Não precisa mais assistir a essa comédia trágica que é a humanidade.

Mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar ♪

sábado, 4 de junho de 2011

The fucking good bye


Mas eu não vou. Não digo, não grito, não escrevo. Posso morrer por dentro, e ninguém vai ver. Nunca mais te dou o prazer de ver o quanto fodeu comigo, com a minha cabeça. Nunca mais te deixo entrar na minha mente e bagunçar tudo. E do meu coração, baby, você vai passar longe. Mas eu sei, eu sei que precisava disso. Precisava ver que o mundo não é cor de rosa e, não, as pessoas não são boas. Precisei passar por alguém como você pra aprender a amar alguém como eu. Precisei de tudo isso pra ver que ninguém pode me amar tanto quanto eu mesma e que ninguém pode me fazer tão feliz quanto meu próprio sorriso. E eu não preciso de ninguém pra me mostrar o quanto eu sou especial.
E, eu sei, você vai seguir a vida ensinando isso pras mulheres. E, no fundo, todo mundo sabe que o seu papel é essencial na vida de uma mulher. Só você não sabe o quanto a solidão vai doer no final. Mas, veja bem, fique feliz. Ninguém ensinaria melhor a uma mulher como ser feliz! Obrigada. Muito obrigada por todas as mentiras, pela falsidade, pelos teatros, por acabar com a minha auto-estima... Por tudo. Obrigada por me destruir. E, principalmente, obrigada por me ensinar a me reerguer.

You're gonna catch a cold From the ice inside your soul ♪