quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

Nenhum passo atrás

Hoje, ao discutir com um homem sobre feminismo, li a seguinte frase: Espero que vc seja estuprada <3 p="">

Nenhum homem nunca vai saber o peso que essas palavras carregam, a dor que é saber que, não importa o quanto você lute contra suas opressões e dê sua cara a tapa, essa ameaça sempre vai ser muito real. Dizer que eu mereço ser estuprada, desejar isso é uma tentativa desesperada de me lembrar do meu lugar, de me lembrar que eu to me desvencilhando das minhas amarras, mas que o poder de opressão do homem, por mais boçal que ele seja, ainda existe. É um grito de “eu ainda posso te reduzir ao nada que eu penso que vc é”. É a pior forma de desestabilizar uma mulher.
Não teria palavras pra descrever como me senti ao ler essa simples frase. Não tenho forças pra explicar o quanto é doloroso. E o pior não é saber que isso pode vir a acontecer comigo, é saber que acontece com milhares de mulheres todos os dias, que algum dia pode acontecer com a minha sobrinha ou as minhas irmãs. O que mais dói é pensar que todos os dias a sociedade continua a bater na nossa cara e tentando nos colocar no lugar que ela nos designou. Seja com uma cantada, com o assédio diário nos transportes ou com a constante diminuição de nossas habilidades em geral. A ameaça de estupro é apenas o ápice dessa tentativa, é quando o homem vê que nenhuma outra me “colocou no meu lugar”.


Bem, homem, agora eu quero que você saiba que nenhuma tentativa desesperada, nenhuma ameaça, seja dela velada ou explícita, NADA vai me colocar no lugar que você pensa que é meu, por que quem decide qual é meu lugar SOU EU. E eu não vou deixar de falar, deixar de gritar ou deixar de lutar por que você me fez uma ameaça. Por mais que tenha me doído, e doeu sim, essa situação só me deu mais força pra colocar homens como você na cadeia, na berlinda, longe de qualquer mulher que possa sofrer com você. Eu esperei, mas saiba que não me calei e não me calarei. Nenhum machista passará.

sábado, 25 de outubro de 2014

Não combina mais comigo

Acredito que uma das coisas mais bonitas que ouvi falar no feminismo foi sobre empoderamento. Uma das mais bonitas e mais difíceis.

Acredito que se despir de todos os males que a sociedade colocou em sua mente é uma das tarefas mais árduas e gratificantes que poderíamos nos colocar.

Quando penso em empoderamento, penso em amor próprio e foda-se. Acredito que o processo de empoderamento é lento e gradual, imagino que é preciso muitos anos de exercícios mentais e sociais para que mulheres consigam se amar por inteiro. Desde que nascemos, a sociedade nos bate com a porta na cara. Não somos magras o suficiente, nosso cabelo não é liso o suficiente, nossa pele não é sedosa o suficiente.

Quando penso nos males que a sociedade causa a mulher, penso em frustração. Penso em alguém dizendo “você nunca vai ser boa o suficiente”. E dentro dos padrões inalcançáveis que nos colocam em busca eterna pela perfeição, nunca seremos mesmo. E é isso que nos destrói. Destrói nossa auto-estima, nossa união, nossa mente. Nos faz aceitar relacionamentos abusivos e nos coloca em situações de risco para que encontremos a perfeição exigida. E nunca encontramos, passamos a vida em busca eterna e muitas vezes deixamos que essa busca nos destrua e nos mate.

Acredito que o empoderamento é parar essa busca. É deixa-la de lado e iniciar uma outra busca. A busca pelo nosso amor próprio, pelo que nós amamos em nós mesmas, e não a sociedade. Infelizmente, nossos gostos sempre serão socialmente influenciados, porém se olhar no espelho e amar suas gordurinhas é a sensação que quero agora buscar.

Estou no feminismo há um ano e muito falo e muito ouço sobre empoderamento, mas é a partir de agora que quero dar início a essa estrada. Uma estrada longa e dolorosa, certamente repleta de pedras que me farão tombar constantemente. Mas gosto de saber que no fim dela serei uma pessoa nova, que serei a pessoa que eu quero ser.


Sei que no fim da estrada do empoderamente, além de amar mais a mim mesma, serei capaz de amar mais as mulheres a minha volta, as mulheres que sofrem tanto sem nem ao menos se darem conta. E é a essas mulheres que quero agradar e mostrar meu melhor. Por que homem nenhum nunca vai nos ver realmente despida.

sábado, 9 de agosto de 2014

Entre páginas

Um livro que amo muito vai chegando ao final e eu sempre leio com mais lentidão, espaçando mais o tempo entre uma leitura e outra... O mesmo acontece com séries que vejo. No início eu sempre devoro tudo sem nem pensar duas vezes, cheia de cede de felicidade, de satisfação. No fim, não consigo aceitar que aqueles momentos deliciosos estejam chegando ao fim, me arrasto neles por mais que fiquem cansativos. O fim sempre me foi uma coisa difícil. Quero coisas eternas, quero viver histórias novas com os mesmos personagens, com a mesma intensidade. As mudanças são simplesmente insuportáveis.

Da mesma forma, sempre que descubro outro livro bom, logo o devoro e me encho do seu prazer e satisfação. Geralmente, quando amo muito um, ainda me recinto pelo fim, mesmo depois de encontrar outros ótimos, até releio algumas vezes e os momentos são até parecidos, mas nunca obtenho a mesma emoção.

Essa minha relutância no fim é tão insistente quanto meu medo do que vem depois dele. Até mesmo quando era nova, não importava quantas barbies novas eu ganhava, eu sempre brincava com as que eu mais amava. Vinham as cantoras, as com asa... Mas eu nunca me esqueço daquela de vestido rosa estampado de pirulitos. Nunca esqueço o quanto foi doloroso quando perdi o vestido. Pensando agora, acho que gostava mais do vestido do que da Barbie, mas eu nunca botava aquele vestido nas outras.

Eu gostava de tudo que eu sentia em volta dessas coisas. E sempre me entristeceu  o passar do tempo e o adeus que vem com ele. Foram poucas as vezes que eu me despedi, geralmente é o tempo que precisa se despedir de mim. São os personagens que precisam envelhecer; os vestidos que precisam sumir e os atores que precisam se aposentar.


Mas eu nunca me conformo.

sábado, 7 de junho de 2014

Eu basicamente sou a pessoa que eu mais odeio no mundo, e eu tenho certeza de que eu e as pessoas que me tem por perto tem certeza de que eu sou uma pessoa muito horrível. Eu sei que eu sou bastante horrível. minha infelicidade é tão horrível que eu quero morrer td vez q eu odeio alguma coisa,

pq eu vou continuar matando tudo. eu vou matar vc, e eu, e td q sobrevive a base de amor. Pq euj morri e qlqr fprma de amor p vc é só letras. é só aleatório. É só morte.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

Nunca mais

Essa semana eu sonhei com você quase todos os dias. Sonhos bons, gostosos... Sonhos que me lembravam do tempo em que a gente namorava, quando éramos um do outro e com toda cumplicidade e cuidado que tínhamos. Caralho, que nostalgia e saudade isso me deu. Mais que isso, esses sonhos alimentaram involuntariamente a esperança que eu tenho de novos momentos como aqueles. Aos poucos eu me vi deitando na cama pensando em você, embalando meu sono imaginando você ali comigo. Coisa que eu só fazia quando namorávamos. Aos poucos isso veio me apavorando. No meio do dia eu sinto uma saudade louca e repentina de você, no meio da mesa do bar eu simplesmente desejo que você tivesse ali. No meio da aula eu só queria te abraçar e ficar quietinha. Eu desejei essas coisas quando estávamos separados, óbvio, mas agora sinto como se fosse diferente. Como se eu estivesse tornando a depender de você como dependia antes. Cara, isso me apavora muito.

Pensei em botar um ponto final nisso antes que se torne emocionalmente catastrófico pra mim, pensei em conversar com você sobre e talvez decidir o que fazer. Logo hoje, você não falou comigo. To ignorando minha neurose e focando em mim mesma, por que eu não quero me importar com o que VOCÊ faz ou com o que VOCÊ sente. Eu quero realmente pensar em mim. E eu quero realmente ser feliz, mas às vezes a intensidade desse desejo me confunde. Não tenho tanta certeza se é um desejo real ou se é um desejo socialmente construído.

A questão é que tenho medo de continuar e quebrar novamente, como quebrei antes, por que eu sei que você tem total capacidade de fazer isso e eu sei que não importa o quanto você me ame, você não vai mais lutar por mim. Isso me parece bem claro. Quando eu leio tudo isso eu penso “acho que é motivo suficiente pra virar as costas e seguir a minha vida”. Mas ao mesmo tempo, quando a gente decidiu “tentar de novo”, eu decidi que iria até o fim. Eu me conheço, eu sei que se não for até o fim, cedo ou tarde vou começar a me questionar se fiz o suficiente, se fiz certo, se não desisti cedo demais. E então vamos voltar para ~essa marra que é gostar de você~ esse limbo que se tornou a nosso relação no último ano. Eu definitivamente, com toda certeza do mundo, não quero e não preciso mais disso. A hora que eu for embora, PRECISA, NECESSITA, ser definitiva. Acho que tanto pra mim quanto pra você. E é por isso que eu to dando tudo o que tenho, eu to tentando segurar meus sentimentos e ser o mais paciente e maleável que posso, por que, quando eu for embora, eu preciso ir de vez.

Eu não sei o que vou fazer com esses sentimentos idiotas. Eu sei que já passei por eles antes, mas acho que você compreende bem que não é mais a mesma coisa. Eu tinha medo naquele tempo, mas naquele tempo você tinha os mesmos sentimentos e o mesmo medo. Agora eu sei que to sozinha. Eu sei que você não compartilha do mesmo sentimento e do mesmo sentimentalismo. Eu não sei se vou ser realmente forte pra ir até o fundo que eu preciso, por que eu acho que se for fundo demais, eu vou me afogar. E se for raso de mais, vou me enviar pro mesmo inferno do que estou tentando me tirar. Mas, agora, hoje, eu realmente acredito que a hora que eu for embora, vai ser definitiva. E com a mesma intensidade que agora eu me dedico pra fazer da certo, eu vou me dedicar pra não olhar pra trás.
Eu acredito bastante que você não vá ler isso (a não ser que eu poste no twitter, fato ainda não decidido), até por que nem eu vejo meu blog mais, imagine você.

Eu queria que você entendesse e sentisse os mesmos sentimentos que eu agora, por que seria mais fácil lidarmos com isso juntos. Mas já tem um tempo que não compartilhamos o mesmo patamar sentimental. E não vou esperar isso a essa altura do campeonato.


Eu só espero que isso seja TPM, que minha menstruação chegue logo e que tudo isso acabe.

sábado, 15 de março de 2014

Buraco negro

Às vezes eu penso em escrever, passam textos inteiros na minha cabeça, mas qnd eu chego na frente do computador parece que tudo some, e eu não consigo construir as coisas da mesma forma que fazia na minha cabeça. Tem sido difícil lidar com o papel e acho que mais difícil ainda lidar comigo mesma. Eu não sei se tenho me enganado pra diminuir meus problemas, ou exagerado e pensado demais nele. Até por que, acho que , parando pra pensar, eu não tenho problemas reais. Só os que estão dentro da minha cabeça.
Às vezes eu penso que voltando com vc, as coisas melhorariam, que talvez fosse diferente e até melhor dessa vez. Mas ao mesmo tempo em que não quero botar o foco da minha felicidade em você, não tenho mais certeza se eu de fato seria feliz com você. Eu fico me questionando se de fato ainda te amo, ou se eu só me acostumei com o fato de te amar. Me pergunto se sinto falta de você, ou de alguém. Do que vc me proporcionava e de como eu me sentia, ou de vc por ser vc. Mas eu vejo que, mesmo quando tenho outro alguém, ainda é você que vem na minha cabeça. Acredito que fico esperando alguém que supra as expectativas que vc supriu, te comparo e espero o tempo inteiro alguém que preencha o buraco que você deixou, mas isso não acontece e me frustra.

Mas acho que o problema não é você ou as outras pessoas. Acho que quem precisa preencher esse vazio sou eu mesma. Eu ando o tempo inteiro sentindo como se de fato carregasse um vazio dentro de mim. Já não me sinto completamente infeliz, mas também não sinto um pingo de alegria. Não encontro graça em absolutamente NADA. É como se eu estivesse vivendo no automático: acordo, faço as coisas que tenho que fazer e que as pessoas esperam que eu faça, saio, bebo e até rio, rio bastante, inclusive. Mas acho que nem na hora da risada eu me sinto feliz. Absolutamente tudo tem se tornado vazio e banal. Fico me perguntando se vc se fato preencheria esse vazio, como preencheu um dia. Mas não sei.

O problema é que eu não sei de quase nada, minha vida parece estagnada e sem sentido. Procuro encontrar motivações e motivos pras coisas, mas só sinto o eterno vazio no meu peito. Já não escrevo, não converso, não boto nada pra fora. E tudo se aglomera nesse buraco negro dentro de mim.

Acho que eu to cansada de mim mesma. Cansada de botar tanta expectativa em cima das pessoas e me decepcionar, cansada de esperar que as pessoas façam coisas que não fazem. E eu fico com raiva delas, e de você, mas sei que a culpa é inteiramente minha. Por que eu não deveria ficar esperando coisas e sonhando. Mas acho que eu continuo esperando que minha vida seja um filme da Disney, mas o final feliz acho que já passou.

Eu queria que você voltasse, queria saber se a gente conseguiria, queria tentar mais uma vez. Ao mesmo tempo, não quero voltar para aqueles dias de desespero e tristeza. Nesse sentido, acredito que eu tenha evoluído um pouco. Eu já não me importo tanto assim. Não tenho certeza se isso é bom, me parece mais um fruto do vazio, mas também não me sinto tão infeliz. Não sinto nada. E é esse o ponto.

O pior é que passei tanto tempo querendo não sentir nada, que agora que chegou, não é o que eu queria. Acho que a questão é que sinto, sim, mas sinto só uma tristeza pequena, que não me larga e que tá o tempo inteiro me mandando ligar pra você. Mas ligar pra que? Pra me encher de esperanças idiotas que não vão se concluir?

 Eu fiquei muito tempo querendo que a gente tivesse o que tinha antes, hoje eu entendo que já não é isso que eu quero. Eu queria algo novo, mas queria me sentir tão feliz quanto eu fui. Não acho que esse dia vai chegar tão cedo, com ou sem você. O pior é que eu ainda penso muito em você, no que será que você tá fazendo, se você já conseguiu me esquecer, se conheceu alguém melhor. Ou só pensando em como seria se você estivesse aqui. E, cara, vai fazer um ano que tudo acabou, eu considero decepcionante da minha parte que eu ainda não tenha conseguido superar ou seguir em frente. Mesmo quando eu penso que poderia encontrar alguém legal, eu fico me questionando como você lidaria com isso e pensando que não queria fazer isso com você. Mas eu sei que não é o que você pensa, e não é o que eu deveria pensar. Nem mesmo nas minhas fantasias você me abandona.

Acho que o fato de não ter conseguido viajar me deixou um pouco sem chão e sem rumo, eu acho que depositei todas as minhas esperanças nessa viagem, tinha certeza que seria minha terapia, e agora que não aconteceu, fico pensando o que fazer pra superar e melhorar.

Não sei, não tenho foco, não tenho rumo. Só continuo seguindo e esperando alguma coisa acontecer.


Mas eu to cansada, cansada de esperar você e cansada de esperar a vida.

sábado, 18 de janeiro de 2014

Mais do mesmo

Eu sinto uma necessidade grande de falar, mas ao mesmo tempo sinto que digo sempre as mesmas coisas, que estou constantemente em círculos. To numa fase em que eu mesma to cansada de mim, cansada das minhas reclamações e da minha infelicidade. Notei que a maior parte das pessoas da minha idade se sente da mesma forma e que, não, eu não tenho absolutamente nada de especial. Todo mundo parece não saber o que fazer com as suas vidas e param de achar graça nas coisas que antes eram divertidas. Acho que a pior coisa é: e agora, o que é divertido? Continuamos fazendo as mesmas coisas que antes, mas acho que muito mais por que não sabemos o que realmente queremos do que por gostar de fazer. Já tem muito tempo que não faço nada por estar realmente empolgada pra fazer. Sinto que faço as coisas muito mais pra me distrair do que por realmente querer. Tem muito tempo que não me sinto realmente feliz.

Eu costumo botar a culpa nas coisas que perdi, na mudança que minha vida sofreu. Mas acho que o problema sou eu mesma, a falta de vontade que eu tenho de viver. Tudo que eu faço - absolutamente tudo - parece estar errado. A questão é que fico muito tempo reclamando dessas coisas e tempo nenhum tentando mudar. Não sei dizer se o problema é que não sei o que fazer, ou se meu medo me trava. Acho que nessa idade todo mundo fica com medo de virar gente grande, de tomar as grandes decisões que a sociedade exige que você tome. E a gente acaba ficando em casa, se arrastando em tudo.

Eu sei que minha vida precisa de uma mudança drástica. Que eu preciso sair da minha zona de conforto e reclamação e realmente fazer alguma coisa. Mas fazer o que? Como? E se der errado? Acho que não to cansada da vida ou das pessoas, to cansada de mim. To cansada do meu apego ao passado, do meu saudosismo interminável que não me tira do lugar.

A nossa geração tem uma coisa de fazer com que todos se sintam especiais. Eu sempre acho que vou viver um sonho encantado, uma vida perfeita. A realidade frustra, castra e te prende.

Eu achava que meu problema eram os outros, mas meu problema sou eu mesma. E não de uma forma especial, eu só sou o mesmo problema que todos os outros da minha idade.


E não, o inferno não são os outros. O inferno somos nós mesmos.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Espera

Cada vez eu me sinto um pouco mais babaca. Por ter fé, por acreditar. Por realmente crer que vai ser diferente, que as coisas vão mudar. Mas nada muda, é tudo mais do mesmo. Minha vida, de forma geral, parece estar no repeat. Deus parece brincar comigo, me dá aquele gosto de felicidade, de satisfação, e quando eu to me deliciando na metade do prato ele vomita em cima. Cara, vamo parar, né?! Já deu de brincar com a sorte, brincar com a fé.

Logo eu que me acho tão malandra, me pego repetindo sempre os mesmos erros babacas. Por carência? Por medo? Não quero nem mais pensar naquela tal palavra com A, pra mim ela deixou de existir.  Até mesmo quando ela se direciona ao indivíduo em si, é sempre um erro. Um exagero. Puro egocentrismo.

O tempo passa, eu continuo tropeçando nas mesmas pedras, freando nos quebra molas errados. Brincando com os brinquedos dos outros. Nunca tenho certeza se os meus são desinteressantes ou inexistentes. Sinto falta dos sorrisos das pessoas que não me conhecem, é tudo sempre bom no começo. Sei que sou enjoativa, também enjoo fácil. É exatamente de tudo que eu não enjoo que acabo por afastar.

Me consumo em mim mesma. Me enjoo, me desgasto. Canso, recanso e tento de novo. Mas já não tento por gosto ou esperança. Tento por falta de opção.


Mas qualquer barulhinho na rua me traz você na cabeça. Continuo esperando uma surpresa que nunca chega.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Snuff

Queria poder dizer tudo e ainda me sentir bem com isso. Dizer de mim, das coisas que me doem. No fundo eu sei que as pessoas também sabem; que eu não sou tão boa atriz quanto penso, mas queria desengasgar. Falar do ódio que eu sinto de você, da vontade de vomitar que eu sinto toda vez que penso em tudo. Eu morro um pouquinho mais cada dia. Eu morro de vez.

Queria dizer das vezes que me perdi e me encontrei, dizer que ainda tenho certa esperança de isso ser só uma fase, só drama ou exagero. Queria dizer dos meus medos e angustias. Da vontade constante que eu tenho de me matar. De encher a cara até não aguentar mais.

Dos medos que eu tenho de não ser o que quero. De não ser o que eu pensei que seria. Do medo que eu tenho de ser doente e precisar limitar a minha vida, do medo que eu tenho de ser paranoica demais. Ou doente demais. Ou medrosa demais.

Queria dizer do rancor que eu tenho das coisas e das pessoas, do quanto eu tento me livrar dele e do quanto é pesada essa bagagem, do quanto é difícil carregar tudo isso numa cabeça tão pequena. Do quanto meu peito dói e pesa, do quando meu estomago embrulha e do quanto tudo parece vazio e sem sentido. 
Sinto que perdi o ponto e a vontade.

Pra que, afinal? A vida se tornou um eterno se arrastar. Continuo me carregando pra lá e pra cá, como manda o figurino. Queria na verdade ter fé nos ateus e pensar que depois daqui não tem nada. Eu seria mais feliz. Ou menos triste.

Queria dizer da minha briga com Deus e do quanto eu sinto saudade Dele. Saudade das coisas que me davam paz e me faziam melhor.


Saudade de mim. 

segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Os nuncas

Engraçado como sempre acabo voltando. Mesmo depois de todas as certezas e nuncas. Você me suga de volta pro seu mundo, pra um buraco negro de prazeres e dores. No fim do dia, é na sua cama que eu acabo deitando. E ao mesmo tempo em que vejo isso com tristeza e certa vergonha, vejo como agora é diferente. Mesmo com tudo sendo tão familiar. Eu ainda me desespero e brigo, mas acho que muito mais por capricho do que por carinho. Muito mais por medo de me machucar do que de te perder. Afinal, te perder eu já perdi. E não acho que o fato de você estar de volta na minha vida signifique que você esteja menos distante. Ao mesmo tempo em que sinto sua falta e quero a sua boca, sinto que estamos a quilômetros de distância. Você não parece mais se encaixar na minha realidade. A sua mão se encaixa na minha, meu corpo no seu. Mas você não faz mais com que eu me sinta a pessoa mais importante do mundo. Por que eu não sou. Acho que nunca fui, mas você acreditava nisso, e eu acabava acreditando também. Eu confiava no seu amor, nos seus sentimentos. Nos meus sentimentos.

Agora tudo parece meio vazio, meio triste. A gente nunca mais vai ter aquilo tudo. E acho que isso é o que dói mais. Saber que eu nunca mais vou ser aquela pessoa, e nem você. A gente se destruiu e se consumiu até o limite. Agora tudo parece desencontros. Desesperos. Parece uma tentativa eterna de preencher o vazio que a gente deixou na vida um do outro. Acho que no fundo a gente pensa que, como a vida desandou quando a gente saiu um da vida do outro, trazer o outro de volta vai consertar. Mas não vai...

Sinto que falhamos como humanos, como amantes, como futuros não-pais.



E basta uma palavra errada pra você acabar com meu dia.