Me sinto frágil, fraca, cansada. Te ligo em meio a
desesperos incontroláveis de uma vida sem rumo, sem chão, sem fundo. Tudo
parece vazio e vago, e ao mesmo tempo cheio de dor. O mundo em volta é quase um
borrão de algo que costumava fazer sentido, mas que eu já não entendo. Não
entendo os outros e suas falas vazias de uma sociedade drogada e rebelde dentro
de seu moralismo. Não compreendo os pais, os filhos e os amigos. Tudo sempre
tão distante e ausente em sua presença. Vazio.
Acho que vejo no mundo o que existe dentro de mim. Uma dor,
um mal. Tudo tão triste e vago, sem gosto ou verdade. E aí eu pego o telefone e
ligo. Ligo pro passado, ligo pra mim mesma, pra me conectar com um tempo que
fazia sentido, com a única coisa que eu lembrava me botar no chão. Mas eu não
encontro o que eu procuro. O passado não ta lá, nem eu, nem você, nem o
sentido. É só mais um borrão. Dá ocupado. É como se ninguém nunca atendesse.
Mesmo quando atende.
Eu queria me controlar mais, não fazer essas bobagens que
incomodam você e me desmerecem como ser. Mas minhas forças foram embora há
muito tempo, e eu parei de querer exercer alguma espécie de controle nas
coisas, me parece claro que eu nunca o tive. Deve ser uma das razões de eu me
sentir sem chão. Nada mais parece passível de controle ou sentido. A vida é
arte, ela só acontece, sem mais ou por que. Mas eu estava lá, acordada, frágil.
Me sinto como aquela menininha de 3 anos que esperava alguém pra vir ajudar,
pra limpar as lágrimas e dizer que vai ficar tudo bem. Que recebia um abraço e
carinho.
Carinho. Acho que o coração aperta um pouco com a idéia. Me
amedronta e faz falta. Todas essas coisas parecem exercer tanto poder sobre mim
que penso que qualquer um que estenda uma mão vai me ter, mesmo eu não sabendo
dizer o que a pessoa teria. Eu não me conheço mais. Eu preciso de alguém pra
tirar essa dor de mim, por que sozinha eu não consigo.
