sábado, 14 de setembro de 2013

Fora de foco

Me sinto frágil, fraca, cansada. Te ligo em meio a desesperos incontroláveis de uma vida sem rumo, sem chão, sem fundo. Tudo parece vazio e vago, e ao mesmo tempo cheio de dor. O mundo em volta é quase um borrão de algo que costumava fazer sentido, mas que eu já não entendo. Não entendo os outros e suas falas vazias de uma sociedade drogada e rebelde dentro de seu moralismo. Não compreendo os pais, os filhos e os amigos. Tudo sempre tão distante e ausente em sua presença. Vazio.

Acho que vejo no mundo o que existe dentro de mim. Uma dor, um mal. Tudo tão triste e vago, sem gosto ou verdade. E aí eu pego o telefone e ligo. Ligo pro passado, ligo pra mim mesma, pra me conectar com um tempo que fazia sentido, com a única coisa que eu lembrava me botar no chão. Mas eu não encontro o que eu procuro. O passado não ta lá, nem eu, nem você, nem o sentido. É só mais um borrão. Dá ocupado. É como se ninguém nunca atendesse. Mesmo quando atende.

Eu queria me controlar mais, não fazer essas bobagens que incomodam você e me desmerecem como ser. Mas minhas forças foram embora há muito tempo, e eu parei de querer exercer alguma espécie de controle nas coisas, me parece claro que eu nunca o tive. Deve ser uma das razões de eu me sentir sem chão. Nada mais parece passível de controle ou sentido. A vida é arte, ela só acontece, sem mais ou por que. Mas eu estava lá, acordada, frágil. Me sinto como aquela menininha de 3 anos que esperava alguém pra vir ajudar, pra limpar as lágrimas e dizer que vai ficar tudo bem. Que recebia um abraço e carinho.


Carinho. Acho que o coração aperta um pouco com a idéia. Me amedronta e faz falta. Todas essas coisas parecem exercer tanto poder sobre mim que penso que qualquer um que estenda uma mão vai me ter, mesmo eu não sabendo dizer o que a pessoa teria. Eu não me conheço mais. Eu preciso de alguém pra tirar essa dor de mim, por que sozinha eu não consigo.

quinta-feira, 12 de setembro de 2013

Morrer não dói

Eu sei que não tem mais nada, sabe? Eu sei que o fato de eu estar sempre repetindo as mesmas coisas significa que eu não tenho mais nada pra dizer. Tudo isso sou eu ainda querendo estabelecer algum contato com esse passado, por mais doloroso que ele seja. Eu tenho uma dificuldade incrível em abrir mão das pessoas, em simplesmente virar as costas pro passado como se elas nunca tivessem feito parte da minha vida, mesmo quando essa participação tenha sido tão dolorosa. Mesmo sabendo que aquela pessoa que eu conheci já não existe, ou nunca se quer existiu. Eu sinto a maior falta dele, sabe? Do cara por quem eu me apaixonei. Sinto falta das conversas e tudo mais. É difícil aceitar que ele tenha morrido dessa forma. Mas ao mesmo tempo eu também sinto falta da garota que eu fui do lado dele, e também é difícil aceitar que ela morreu. No fim das contas, acho que o que ta sendo mais difícil de me despedir é de mim mesma.

Eu perdi a vontade de manter contato com as outras pessoas, não sinto vontade de falar com ninguém. Muito menos com as pessoas que estiveram envolvidas por tanto tempo na nossa vida. Eu sei que é horrível eu fazer isso com os meus amigos, deixar eles de lado por que o mero fato de estar perto deles me lembra que você também costumava estar. Fora o mal que alguns deles me causaram diretamente. Ao mesmo tempo, eu sinto falta de companhia. Acho que eu queria só uma pessoa pra ficar parada do meu lado enquanto eu bebo, não queria nem mesmo manter um diálogo, só alguém parado pra não dizer que eu to bebendo sozinha. Mas acho que nem vontade de beber eu tenho mais. Nem de comer, nem de rir, nem de sair... Nem sono eu tenho sentido, mas sinto muita vontade de dormir. Dormir e esquecer, apagar, sei lá... 
Viver uma outra vida que não seja essa.

Volta e meia eu me pego pensando num futuro melhor, faço planos pra lugares distantes daqui, uma vida distante. Mas depois de um tempo eu logo me dou conta de que não importa pra onde eu vá, eu vou continuar vivendo comigo mesma, com as lembranças, com a nova eu. E não importa aonde eu vá, eu sei que dentro de mim vai tudo continuar um deserto, um vazio, um nada.

Acho que é isso. Depois de morrer eu virei nada. Um grande monte de nada. Morremos juntos, como Romeu e Julieta. Eu disse que a gente era ficção.


“Estas alegrias violentas tem fins violentos
Falecendo no triunfo, como fogo e pólvora

Que num beijo se consomem.”