Eu tenho sentido, pouco a pouco, engasgar com meus próprios
sentimentos. Engasgar com as palavras. A ausência é um silêncio que fala e
incomoda. Um silêncio com o qual eu convivi por anos. Eu queria que você
entendesse que às vezes eu me sinto muito frágil e extremamente sensível, como
se qualquer poeira fora do lugar fosse capaz de me causar a maior das dores. No
começo de tudo, eu era uma pessoa diferente, um alguém que eu já não lembro
como era. Aquelas coisas que eu queria que você entendesse às vezes me parecem
muito simples, mas às vezes parecem muito complicadas. Estar com você me faz
sentir frágil diante do mundo, por que você me desarma com qualquer toque, e
essa armadura que você joga fora com tanta facilidade eu demoro tanto pra construir
que me sinto perdida, me sinto com medo. Eu me fechei e ficou mais fácil assim,
mas estar com você me reabre pra tudo e me amedronta; depois tudo me parece
fora do lugar, mesmo que nem aquela mera poeira tenha se movido. Talvez tenha,
talvez não. Capitu traiu Bentinho?
Às vezes eu acho que penso demais. As vezes eu tenho
certeza. Eu analiso, repenso e reconstruo tudo na minha mente diversas vezes
até encontrar uma solução. Ou um problema. Encontrar uma causa ou um efeito. Eu
sei que é difícil estar comigo, é difícil lidar comigo. E a maior parte do
tempo eu quero mais. Eu queria que você lutasse por mim. As vezes eu queria
mesmo viver nos contos de fadas ou nas séries. O amor é superestimado, mas é carismático
como ninguém.
Eu queria pedir desculpas. Desculpas por todo esse tempo,
por tantas brigas, por tanta dor de cabeça. Queria pedir desculpas por ter te
ferido algumas vezes e te irritado outras. Queria pedir desculpas pela passagem
que você devolveu, pela vida que você podia ter tido. Queria me desculpar pelas
coisas que eu não fiz, mas podia ter feito. Queria pedir desculpas por não ter
sido a mulher certa pra você.
E queria dizer que o mundo foi mais bonito com você do meu lado.

