sábado, 20 de agosto de 2011

Silêncio


Eu te esperei a noite inteira. Queria muito um cigarro e uma bebida bem forte, mas a vida era diferente agora. Eu era outra pessoa, tinha deixado de lado minha suposta essência. Abri mão dos pequenos suicídios e grandes autodestruições. Eu era, então, forte. Tinha toda uma vida pra orgulhar meus progenitores, pra orgulhar a mim mesma.
Ficou, no íntimo, uma dúvida sobre a razão real de tanto orgulho. Se era por ser limpa, se era por ser forte ou se era por abrir mão de ser quem sou. A verdade é que eu não sei dizer ainda se luto por mim ou pelos outros, não sei dizer qual seria a razão real de se orgulhar.
E continuava esperando você, pensando em mim. Pensando se, na verdade, esperar você não era uma forma de retomar o pouco de morte que tinha dentro de mim no passado. Se não era um jeito de estar com a pessoa que fui antes, que ama tanto a espera, a dúvida, a tortura.
E olhava o relógio. Ao mesmo tempo em que a hora parecia se arrastar, ela voava. E você continuava ausente, não chegava nunca. Não sabia mais se esperava por você ou por mim, se quem demorava e por quem eu ansiava não era, na realidade, aquela parte que eu tanto odiei, mas que tanto fez falta.
Aos poucos me dei conta de que você não viria mais, que você tinha ido embora pra sempre. Umas poucas lágrimas angustiadas caíram dos meus olhos, tinha muito tempo que eu não chorava. Desde que minha outra parte se foi. Dei-me conta, então, que ela nunca foi embora. Que a eterna espera por você era ela se fazendo viva dentro de mim, era uma forma de me provar que não importa o quanto eu me tornasse forte, não importa que eu tenha deixado de me destruir fisicamente. De alguma forma, eu seria sempre minha melhor amiga e minha pior inimiga. De alguma forma, seriam as minhas mãos que me matariam e elas mesmas a me ressuscitarem.

Mas ficou tudo fora de lugar. Café sem açúcar, dança sem par ♪

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A flor


Me dei conta que já havia muito tempo que eu lutava contra mim mesma, que eu lutava em meu nome. Uma hora todo mundo perde as forças, é preciso descanso, trégua. Ninguém agüenta todo esse tempo em guerra. É possível desistir de nós mesmos? Descobri que fugir é impossível, mas será que dá pra desistir? Simplesmente fechar os olhos, simplesmente ir em frente. Correr, pra não dar tempo de pensar.
É difícil demais não saber o caminho, não saber a direção. Não saber sair do lugar. Não conseguir. Pior do que abrir mão de outro, é abrir mão de si mesmo, é abrir mão de ser quem é. Mas passou tanto tempo... Não sei dizer se me tornei fraca ou a vida que ficou forte demais, insuportável. Não sei dizer se parei no tempo ou é o mundo que gira rápido demais. A verdade é que eu não sei se o problema é comigo ou com os outros. A verdade mesmo, é que eu não sei de mais nada...

Eu fiz de tudo pra você perceber ♪

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Revivendo o futuro


Sinto-me distante, perdida. Ando querendo me encontrar, sem saber se estou em algum lugar. Ando sentindo uma solidão bruta, que parece ter sido causada por mim mesma. Ando brigando, xingando e não sei mais dizer quando estou certa ou não. Ando fugindo dos meus pensamentos. Por que, honestamente, eu não agüento mais pensar. Eu queria ficar vazia por um tempo. Sem sentimentos, saudades, arrependimentos, lembranças... só eu e o mundo. Como se eu fosse um bebê.
É isso, eu queria voltar a ser um bebê. Sem feridas, passado. Limpa, pura. Eu queria uma pagina em branco na minha frente. Talvez eu nem escrevesse tudo corretamente, mas eu queria a chance de escrever de novo.
Ando brigada comigo mesma, com raiva de ser quem sou. Ando chorosa pelos cantos, pensando nas pessoas que me feriram. Eu sei, não dá pra culpar o mundo. Mas eu não esqueci as coisas que ele fez comigo. Ando conversando muito comigo e pouco com os outros, eu ausentei as pessoas da minha vida. Já tem muito tempo que não me abro com ninguém, acho que desaprendi a desabafar. Ando bebendo muito pra suprir esses vazios, e é só nesses momentos que eu digo a verdade. Infelizmente, com palavras desconexas e maquiagens borradas. Uma pena o outro lado não conseguir enxergar mesmo o que se passa aqui. Eu sei, não sou mais tão nítida.
Ando me encarando menos no espelho, confesso que tenho medo da imagem à minha frente, tenho medo de ver o quão irreal me tornei. Ando cheia de sorrisos falsos, de alegrias efêmeras. Tudo agora é efêmero, é sem sentido.
Ando sem sentido, sem direção.

Like a bomb before explosion ♪

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Lost


Que na verdade a vida estava andando pra trás. Que era uma forma de reviver o não vivido, de aproveitar o tempo de loucura pra ser louco e não se convencendo de sanidade. Era um jeito de fugir da loucura não encará-la, só depois ficou claro que fugir só fazia dela coisa mais forte. Mas já era tarde, o mundo já tinha desabado nas cabeças e a sanidade se perdido em meio ao tempo. Só não era mais tempo de se perder. Era, no momento, tempo de se encontrar, de saber, de ter convicção. Mas não tinha, essas coisas ficaram na força do tempo passado. Na força pra ser feliz na hora que a felicidade se ausentava.
Ficou nítido, no fim, que felicidade não se força, não se conquista, não se luta. Felicidade acontece, acontece no tempo que tem que acontecer. Mas não adianta fazer força por ela, quando mais persegue mais ela foge. Até o momento que perde-se o sorriso de vista. Não se encontra mais.
Tinha até certa graça na troca de tempos, parecia uma novela onde nada dá certo, tudo acontece na hora errada. A questão é que no fim da novela, todo mundo encontra seu sorriso.

I'm getting old and I need something to rely on ♪

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sua


Na cabeça vem a idéia utópica de que poderia ter dado certo. Que era só um pouco de esforço daqui, mais uma paciência ali e tudo seguia seu rumo bem. Mas não podia. Eu sei, não podia.
No fundo a gente gosta dessas coisas que não dão certo, que não tem conserto. A gente gosta de tentar consertar pra se sentir herói. Mas a verdade é que ninguém é de ferro, ninguém tem super poderes e essas coisas não existem. Não temos essa força.
Que graça relembrar tudo aquilo, parece que foi ontem... Aquele monte de gente e você olhou logo pra mim. Quem diria? Sinto falta daquele tempo, a vida parecia menos dura. Eu era menos racional e fria. Uma pena nossos tempos não terem se encaixado. A gente não ter se encaixado. Acho que não era pra ser.
Mas eu penso em você, mesmo quando você está longe. Eu penso na sua vida, nas suas piadas e na gente. Em como podia ser e não foi. Penso muito em nós dois. Ás vezes penso que é só pra ter o que pensar. Mas no fundo eu acho que é pra preencher o vazio do que não foi.
Mas foi.

Onde está você agora? ♪