segunda-feira, 30 de maio de 2011

Abismo


Bem, devido a sugestões, houve uma mudança no último texto.. ;)


E me sorria com ar de dor.
Era inevitável. Nossa felicidade estava de mãos dadas com a dor.
Pra sempre.
Sempre, e depois do infinito.
Tinha que ser. Simplesmente era.
Quis abraçar, mas doía cada vez que pensava em soltar.
Quis beijar, mas tinha medo de quando acabasse.
Tanto quis, quis tanto...
Quis dizer tudo, mas sabia que não poderia recolher minhas palavras depois.
Sabia que deixariam de ser minhas.
Eu deixaria de ser minha.
Não pertenço, não pertencemos.
Lhe sorria com dor maior.
Lhe sorria querendo chorar.
Não existe adeus, não existe fim.
É uma estrada sem limites.
Desemboca no abismo.
E caímos.
Caímos com rapidez, com vontade.
Não tinha fim, a queda é constante.
Só cai.
Só cai.
Não vai, não vamos, não fomos.
Nem fomos, nada fomos.
Nada.
Não andamos, só cai.
Só cai.
E dentro do sorriso nasceram as lágrimas.
Quanta dor me vem do estômago.
Não tem coração, não.
Não tem.
A dor enjoa, cansa.
É demais.
Faltam palavras, vírgulas, pontos...
Sorria. Mesmo que com dor.
Sorria.

I know it ain't easy giving up your heart ♪

PS: Eu não escrevo poesia.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"...Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo..."

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 24 de maio de 2011

A balada da contramão


Pensei em você hoje. Pensei na sua simplicidade, na sua objetividade. Senti falta disso. Senti sua falta. Pensei em como tudo que vivemos foi tão simples e gostoso, tão bobo. Pensei em como é engraçado eu nunca ter escrito nada sobre você. Sobre sua risada idiota e o jeito como você falava errado. Até o sexo com você era simples. Tudo tão simples. Tudo muito longe do que eu sou.
Pensei em você hoje. Pensei em como você esteve no lugar de tantos outros e, ainda assim, foi tão diferente. Pensei em como você negou o que ninguém mais teve coragem de negar. E como você fez isso com delicadeza. Quase te amei por não me querer. E mesmo quando você queria, eu sabia que não queria. Sempre soube que não era pra você. Que você não suportaria alguém como eu. E mesmo assim você suportou.
Pensei em você hoje. Pensei na sua magia de fazer diferente e, ao mesmo tempo, igualzinho. Pensei no jeito que você me sorria, sem a mínima vontade de me ganhar. E me ganhava cada vez mais. Lembrei de todas as coisas bobas que me entediavam e pensei em como você seria um tédio pra mim. Em como eu seria um tormento pra você.
Pensei em você hoje. Pensei que você só é tão lindo aos meus olhos por que não existe mais. E a sua imagem idealizada é agora de outra. Pensei em você e queria te dizer que pensei. Mas não digo. Você vai morrer sem saber o quanto eu penso em você.

Sei que a tua solidão me dói ♪

domingo, 22 de maio de 2011

Turning tables


E é claro que haveria despedida. Como eu poderia não me despedir? Quantas vezes eu for embora, vou me despedir. Seria falta de educação fazer diferente. Mas tenho em mim que esse é a ultima.
Por tantas vezes estive certa de que nunca teria um fim definitivo, que era impossível ir embora. Não digo que estava errada; impossível saber. Mas agora me parece um pensamento exagerado. Acho que era mais vontade do que um fato. Eu queria ter você sempre. Queria que algo na minha vida fosse pra sempre. Depois de tantos anos, eu ainda creio em eternidade. Quanta inocência, não?
Passei a me convencer de que não, que não existe pra sempre e que, sim, as coisas acabaram. Que a gente acabou. Que não tem mais nada pra viver. Não tem praia, não tem carnaval, não tem casa vazia ou olhares tentadores. Não tem mais nada.
Seria lindo se o mundo fosse diferente, não é? Se nós conseguíssemos nos suportar, se conseguíssemos passar por cima de nossas diferenças e temperamentos para estarmos juntos. Uma pena conto de fadas não existirem. O nosso seria lindamente desastroso. Seria quase um desastre.
Um desastre. E você nem entende as piadas que eu faço pra mim mesma sobre nós dois. Você nem sabe tantas das coisas que giram pela minha mente. Nesse momento, você também não entende minha necessidade de ir embora. Aliás, você nunca me entende. Mas foi assim mesmo que o encanto surgiu. E foi embora.
É, foi embora.
É, acabou. De novo.

So I won't let you close enough to hurt me ♪

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cartas para Jerry


Por que ‘tem que ser’? Por que simplesmente não é? Fico vagando nessas idéias do que seria destino, do que seria o certo, do quanto nossas escolhas repercutem em toda a nossa vida. E não entendo. Acho que, na verdade, eu fujo da realidade por que quero as coisas da forma como fantasio em minha mente adolescente. Por mais que eu não deixe demonstrar, vejo que, cada vez mais, eu sou uma garota fantasiando um amor platônico, um conto de fadas que nunca existiria. Um conto de fadas do século XXI, no qual o príncipe não anda de cavalo, mas faz o melhor sexo do mundo.
Bobeira, no fim das contas é pouco pra sonhar e muito pra exigir. Coisa demais pra fantasiar e quase nada pra realizar. Constantemente me canso de mim mesma, dos meus dramas, das minhas burradas. Aliás, eu to cansada de mim pra caralho, não me agüento mais. Aí, será que alguém ta afim de trocar de personalidade? Troco a minha por um ingresso do Rock in Rio. Contanto que não seja pro show da shakira, eu tenho mais valor que isso.
Os strokes gritam e fazem a maior bagunça, o engraçado é que eu me sinto em casa com tudo isso, é como se eles estivessem roubando meu lar. É como se eu tivesse me vendido pro ‘normal’. Imagine, eu, normal... Piada.
Não me imaginava aqui de novo, eu fantasio demais. Às vezes esqueço de viver, esqueço de seguir as coisas que digo. Esqueço o que faço, esqueço tudo. Fantasio demais.
Por que tem que ser? Odeio me sentir obrigada a fazer as coisas, odeio que as pessoas tenham vontades. Quero que todos me obedeçam, quero tudo do meu jeito. Quero um escravo.
Pelo menos um.

So I set fire to the rain ♪

terça-feira, 10 de maio de 2011

First


No olhar do outro lado havia uma malícia quase infantil. Era como se o sexo fosse um brinquedo pelo qual ansiava há muito tempo, e mesmo depois de brincar mil vezes, no fim ainda dizia “de novo, de novo”. Aquela infantilidade adulterada me encantou a ponto de me envolver na brincadeira de amar. Infelizmente, não nos demos conta de que a gangorra do amor exige muita habilidade pra se manter equilibrada. A maior parte do tempo, quando um está por cima, o outro está por baixo. Não era o tipo de brinquedo do qual você descia e queria de novo. O sexo é mais como um escorregador, você desce em uma total emoção que nunca parece suficiente. Você quer sempre repetir, quer sempre mais.
A infantilidade foi se esvaindo, a malícia nem tanto. Aquela criança que gostava tanto de brincar de adulto foi embora e jogou seus brinquedos fora. Agora ele gosta mais de jogos de estratégia. Saudade da infância...

Talkin' 'bout my girl, my Girl ♪

domingo, 8 de maio de 2011

Desapego


O que dizer sobre o ‘fuck it’? “Fuck it’ é o meu novo lema, é minha ideologia, é o que eu quero seguir. O que para muitos parece um ‘foda-se’, para mim, vai além. Não se trata só de tocar o foda-se, o ‘fuck it’ fala de desapego, de alegria, de parar de dar corda pra tristeza. Se aquele algo/alguém não te faz tão bem, não te alegra tanto... FUCK IT, esquece, desapega, deixa ser. Se você está na faculdade e não tem tanta certeza quanto ao curso que você está cursando... FUCK IT, se você não tem certeza, provavelmente não é, e corra atrás do que você gosta independente de estabilidade financeira. Você adorou o cara, mas ele não te ligou no dia seguinte? FUCK IT, se ele não ligou, é por que não gostou tanto quanto você e PRONTO.
Começo a acreditar que o ‘fuck it’ se trata de descomplicar, de deixar de levar com tanta seriedade. Se trata de simplicidade, de calmaria. De levar a sério apenas o que realmente importa. Começo a achar que é exatamente o que eu estava precisando...

Live and let die ♪