sábado, 9 de agosto de 2014

Entre páginas

Um livro que amo muito vai chegando ao final e eu sempre leio com mais lentidão, espaçando mais o tempo entre uma leitura e outra... O mesmo acontece com séries que vejo. No início eu sempre devoro tudo sem nem pensar duas vezes, cheia de cede de felicidade, de satisfação. No fim, não consigo aceitar que aqueles momentos deliciosos estejam chegando ao fim, me arrasto neles por mais que fiquem cansativos. O fim sempre me foi uma coisa difícil. Quero coisas eternas, quero viver histórias novas com os mesmos personagens, com a mesma intensidade. As mudanças são simplesmente insuportáveis.

Da mesma forma, sempre que descubro outro livro bom, logo o devoro e me encho do seu prazer e satisfação. Geralmente, quando amo muito um, ainda me recinto pelo fim, mesmo depois de encontrar outros ótimos, até releio algumas vezes e os momentos são até parecidos, mas nunca obtenho a mesma emoção.

Essa minha relutância no fim é tão insistente quanto meu medo do que vem depois dele. Até mesmo quando era nova, não importava quantas barbies novas eu ganhava, eu sempre brincava com as que eu mais amava. Vinham as cantoras, as com asa... Mas eu nunca me esqueço daquela de vestido rosa estampado de pirulitos. Nunca esqueço o quanto foi doloroso quando perdi o vestido. Pensando agora, acho que gostava mais do vestido do que da Barbie, mas eu nunca botava aquele vestido nas outras.

Eu gostava de tudo que eu sentia em volta dessas coisas. E sempre me entristeceu  o passar do tempo e o adeus que vem com ele. Foram poucas as vezes que eu me despedi, geralmente é o tempo que precisa se despedir de mim. São os personagens que precisam envelhecer; os vestidos que precisam sumir e os atores que precisam se aposentar.


Mas eu nunca me conformo.