quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Samba a dois


O casamento é uma das convenções sociais mais antigas do mundo. E, ainda assim, não conseguimos entendê-lo. Qual é o limite do casamento? Até onde é necessário que uma pessoa ature a infelicidade em nome desta união? Vemos vidas desmoronarem após o fim do matrimonio, vidas que, às vezes, nem se quer eram as envolvidas, nem se quer escolheram estar ali. A fórmula do casamento pacífico se chama indiferença. É só quando você deixa de se importar, abre mão de seus desejos e passa a ignorar os fatores exteriores que o casamento passa a funcionar. E que fique claro, eu disse o casamento pacífico, não feliz. O casamento feliz é inalcançável, em algum momento alguém faz um merda e BUM, acabou-se a felicidade. O casamento dura tempo demais pra ser feliz.
A maior parte dos sacrifícios feitos pelo casamento não são feitos por amor, são feitos por egoísmo. Sim, egoísmo. Egoísmo por que você não quer manter a pessoa por que a ama, mas por que tem medo de falhar. Medo de falhar diante da sociedade, diante de si, diante da união divina. Depois de 20 anos de casado a probabilidade de ainda existir amor na união é muito baixa. O que existe ainda é medo, medo da vida nova que pode existir, uma vida com a qual você não está adaptado. Medo da solidão, medo de sair da sua zona de conforto.
O casamento duradouro se mantém, na maior parte do tempo, por comodismo. Por que é mais cômodo aceitar um relacionamento falido, mas ao qual você se habituou do que ir à luta para encontrar a felicidade em um algo mais, em outro alguém.
Eu me pergunto quanta humilhação algumas pessoas são capazes de aturar para manter um casamento. Até onde isso é amor, até onde é medo, até onde é doença... Me pergunto por que a sociedade insiste em nos impor deveres que não nos cabem, que não nos satisfazem, que nos degredem e nos machuca tanto.
O casamento é a imagem concreta de que a vida na terra é uma vida de sofrimento, de aceitar o que é preciso. É uma vida de penúrias.
O pior no fim de tudo não é o fim, não é a saudade. É o fato de você ter quer desistir dos seus sonhos, desistir de tudo o que sonhou com aquela pessoa, da morte lado a lado, das viagens, dos futuros filhos... O pior do casamento é que as pessoas continuam acreditando nele, continuam sonhando com ele e continuam se deixando sofrer por ele.

Não, eu não sambo mais em vão ♪

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Montanha Russa


O mais engraçado é que por mais que eu odeie seus defeitos, suas brincadeiras e seus conceitos errôneos. Por mais que eu odeie a forma como você demonstra suas insatisfações, por mais que eu odeie tudo o que você gosta e você odeie tudo o que eu gosto. Por mais que, nem por um segundo, nós tenhamos absolutamente nada em comum, não conseguimos sair da vida um do outro. Não conseguimos deixar de gostar, deixar de querer estar junto, mesmo que às vezes a vontade mais forte seja a de matar um ao outro, quase sempre o que nos conduz é um desejo e uma química insuportáveis, uma história sem pé nem cabeça.
Eu sei que nunca daríamos certo na proximidade, que a coisa só anda devido a essa distância que nos matem seguros e longe de um homicídio passional. Mas essa relação que mais parece uma montanha russa me faz rir de nós dois, me faz pensar que Deus não nos mantém juntos por tanto tempo a toa, me faz pensar que temos muito o que aprender, crescer e evoluir um com o outro. Claro, essas são palavras que nem entram no seu vocabulário, você às vezes parece não conhecê-las. Mas tudo bem, eu sei que, com muito esforço e vontade, boto na sua cabeça um pouco do que preciso.
E, sabe, por mais que sejamos opostos, eu sei que você se parece muito comigo, nos meus piores defeitos. Esse seu gênio insuportável, sua teimosia, seu orgulho bobo, esse seu egoísmo, sua mania de achar que tudo tem que ser do seu jeito... Quando penso em você por esse lado até acho que estou falando de mim.
É insuportável ser tão parecida e tão diferente de você, é um saco saber que, por mais que seja passageiro, nunca vai passar. Por que, a gente vai crescer, mudar, casar e ter filhos. Mas eu tenho certeza que não vamos esquecer, isso se ainda não estivermos brigando, batendo pé um com o outro. Isso se você não virar do nada e dizer “estou com saudade, vou aí amanhã”
Pra falar a verdade, mesmo quando eu to brigada com você, eu adoro ouvir isso. Adoro seu jeito irritante, machista e marrento. Adoro e odeio tanto você, que essa relação só daria certo estando perto e longe, como sempre estivemos.

Te ver e não te querer, é improvável é impossível ♪