
Estou envelhecendo, afinal. Lembranças, momentos, pessoas, tudo parece como um borrão agora. Tudo é inconstante, efêmero. Por tanto tempo tentei impor a mim mesma uma forma de ser, uma forma de pensar. No fim das contas, não sou nada do que pensei ser, nada do que concordo, nada do que desejo. Esse é mais o fim de um ciclo, de uma fase. A verdade é que é apenas uma data, não tem verdadeiro significado senão um simbolismo dos mais clichês e falsos. Não posso dizer que gosto de fazer parte disso, não gosto. E no fim, acabo fazendo parte de tudo com o que não concordo.
Não somos quem desejamos ser, não podemos mudar as coisas que nos fizeram quem somos hoje. Gostaria de poder me apaixonar por acaso, mesmo que sofresse no final, mas eu queria ao menos ter a chance de não me sentir como um robô, como uma pedra de gelo. Cada vez mais meus sentimentos são controláveis e é mais fácil não sofrer. A diferença é que o sofrimento me faz sentir viva, me mostra que ainda sinto alguma coisa além de remorso, de mágoa. SOFRER, chorar, gritar e arrancar a pele de tanta dor. Passei tanto tempo tentando fugir disso que agora quase sinto falta. A gente só sofre pelo que um dia nos fez feliz. Preciso disso pra saber que, em algum momento, eu fui feliz.
Sinto que sou uma eterna contradição. Eu queria saber como eu seria se minha vida não tivesse dado tamanha reviravolta. Será que eu ainda seria feliz? Será que seria mais madura? Menos “calejada”? Estou quebrada por dentro, preciso de conserto, preciso que alguém conecte meus fios de forma correta. Caso contrário, não sirvo para nada, sou apenas uma boneca ocupando espaço no canto da sala, fazendo uma criança chorar por não conseguir fazer a boneca funcionar como deve.
A vida está no inicio ainda e eu sei que muitas pedras vão vir e derrubar meu castelo novamente. Eu só espero que eu sinta mais, que eu viva mais, que eu não destrua as minhas maiores felicidades. Nem meus maiores amores.
Vida louca vida, vida breve, já que eu não posso te levar quero que você me leve ♪
