sábado, 15 de agosto de 2009

Vazio do amor

Existe um homem chamado Marcos, ele gosta de ser sozinho, se sente feliz na solidão. Na solidão ele tem total controle de seus pensamentos, sentimentos, vontades... Faz o que quer a hora que quer e ninguém muda nada. Marcos não sente necessidade de conversar ou expressar seus sentimentos por que é feliz, e não sente necessidade de gritar sua felicidade a ninguém. Por mais só que ele seja nunca se sente sozinho. Sabe que tem a si próprio para apoiá-lo. Marcos vê tevê, leva seu cachorro para passear, sai para comer, sai para dançar, vai ao cinema e vive uma vida completamente normal e feliz. Não tem irmãos e fala com os pais apenas às vezes, não tem amigos. Marcos conversa com pessoas estranhas às vezes, não é anti-social ou estranho, apenas se adaptou e gosta da solidão em que vive, e quer continuar como está.
Um dia Marcos conheceu Helena. A mulher mais linda que já havia visto. Doce, inteligente e sensível. Marcos não procurou ninguém, mas encontrou por um acaso e não teve como fugir de tal sentimento, se apaixonou perdidamente por Helena, e ela por ele. Não suportando passar um dia se quer longe um do outro, após 2 meses de relacionamento resolveram viver juntos. Era tudo apenas felicidade, Marcos se adaptou a viver com outra pessoa e quando essa outra pessoa se tratava de Helena, não existia dificuldade nisso, era agradável conversar com ela, tê-la por perto.
Nem tudo são flores, às vezes Marcos queria se lembrar de como era sua solidão, queria ficar só consigo e com seus pensamentos, sair para comer sozinho ou sentar para ler. Mas já não se sentia feliz como antes, cada minuto sem Helena era insuportável. Helena também sentia falta de sua vida passada, de sair com os amigos, de almoçar aos domingos com os familiares. Mas assim como Marcos, era insuportável. Tentaram fazer um se adaptar à forma de viver do outro, mas o tempo passou e eles não se adaptavam, só queriam seus momentos e quando estavam sozinhos, brigavam e machucavam um ao outro. Ficavam juntos, pois sabiam que separados doía, mas começaram a ver que juntos, também doía. Era um ciclo de sofrimento insuportável, o amor era insuportável. Decidiram separar-se para ver se conseguiriam viver sozinhos. Marcos voltou a sua solidão querida e Helena a seus amigos e família. Helena aprendeu a preencher seu vazio com o amor dos amigos e família. Marcos não teve tanta sorte, nunca mais foi feliz em sua solidão, não tinha com o que preencher seu vazio, o vazio que o vazio deixou ao deixar Helena entrar.

(Meu primeiro conto :)

É cedo ou tarde demais, pra dizer adeus, pra dizer jamais ♪

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Um todo do pedaço.

Lembrança me desperta saudade, imagem me desperta uma vaga sensação de carinho. Sinto que o tempo passou como nunca antes, correu como se sua vida dependesse disso. Esse tempo, não desiste de confundir os outros, não desiste de nos surpreender com coisas inimagináveis. Já tenho saudade da época em que a minha maior preocupação era passar de ano, e essa época ainda nem passou. O tempo nos força tanto a crescer, que algumas pessoas crescem antes do tempo, elas ficam tão preocupadas que ao invés de aproveitar enquanto podem, correm mais que o tempo e se adiantam antes que eles a peguem de surpresa. O que elas não sabem é que ele sempre dá um jeito de pegá-las de surpresa, quando elas vêem, o tempo se adiantou e fez verem que perderam o pouco tempo que tinham para aproveitar. É tudo muito confuso, essa historia de tempo. Ele nos mastiga e modela como boneco, brinca com nossos sentimentos, pensamentos e valores. O tal do tempo nunca cansa de nos surpreender. Quando paramos para olhar, tudo mudou e nós nem percebemos. Veja só, desde que comecei a escrever esse texto o tempo já mudou tanta coisa em minha mente. Confuso não é falar do tempo, é entendê-lo. Entender o tempo e a nós mesmos, que mesmo depois de tanto tempo ainda nos surpreendemos com as artimanhas dele. Assim continua, o tempo muda, nós mudamos e quando vemos, o tempo todo já se foi.

E nesse dia, se o mundo acabar, não vou ligar para aquilo que eu não fiz ♪