terça-feira, 26 de julho de 2011

Estrada suja


Música pra escrever, inspiração, tempo... Pouco pra dizer. É tudo vontade, muita vontade e pouco a lhe fazer. Por fim, era tudo muito sem sentido. Nós dois. Eu. Eu não tenho sentido, não tenho jeito. Aquele velho clichê, um clichê de mim mesma. A mesma de sempre, sempre mudando. Que bobeira, você já não sabia disso? Foi sempre assim. Eu e você; nada muda.
Tinha bebida, cigarro e gente divertida, mas no fim da noite o giro foi mais rápido e minha cabeça voou pra você, nós somos um clichê ridículo. E isso é tão demodê.
Dizem que tudo acontece no seu tempo, que nada é por acaso. Por que continuo sentindo que tudo acontece na hora errada? Deve ser pra parar de insistir no meu relógio e começar a confiar mais no relógio do mundo. No fundo, eu não confio em nada, nem mesmo no tempo. Nem em mim.
Me quebraram e os segundos pararam de girar. Fiquei presa no universo paralelo de dentro de mim. Que graça, não soa tão ruim no momento. Só quando eu vejo que vivo sozinha nesse universo. Que não compartilho, não tenho companhias além de mim mesma, de Vadinho, de Fado. Da minha imaginação e da imaginação alheia que roubei.
Eu sou uma ladra de idéias. Uma ladra de vida.

It may be years until the day
My dreams will match up with my pay ♪

domingo, 24 de julho de 2011

No good


A solidão me aparece como uma velha amiga, que volta às origens, saudosa. Uma antiga companhia que nunca se distanciou por completo, mas que volta pra curar a não-ausência. Almoça, janta e dorme comigo.
Na verdade, a solidão é uma amante lésbica, amorosa e extremamente ciumenta. Me afasta de um todo, me quer apenas pra ela. As lágrimas são nossos brinquedos sexuais e o choro, nosso sexo. Não senti sua falta, mas sinto falta do tempo que estivemos juntos. O mundo funcionava diferente, e sempre tem um herói pra me salvar das garras desse amor doentio.
Seus sorrisos e olhares não são tão sedutores, mas me chamam para perto. Me atraem de alguma forma inexplicável que há muito deixei de tentar desvendar. Em geral, é tudo uma questão de tempo até a própria ir embora de novo. Por que todo mundo vai embora um dia. Só volta quem me pertence; e a solidão, essa nunca deixa de voltar.

And I go back to black ♪

sábado, 23 de julho de 2011

Cartas para o Catete 2

Tenho tantas coisas pra te dizer... E por mais que seja simples 'abrir a boca e falar', sinto uma dificuldade imensa em faze-lo. É difícil quando eu sei que você não vai entender, aceitar ou se importar. Fica difícil dizer o quanto você é importante e o quanto eu queria que fosse tudo diferente, quando eu sei que você tem sempre uma solução simples e óbvia, que eu não posso seguir; ou não consigo. Se torna cada vez mais complicado manter um diálogo e isso me dói. Me dói por que tudo que eu queria era só conversar com você por muito tempo, mesmo sabendo que você não tem o minimo interesse nisso.
Eu queria poder te dizer que sinto falta do seu beijo, do seu corpo, do seu jeito irritante. Mas eu bem sei que, dizendo isso, receberei uma repressão. Uma repressão por saber que, em termos, eu poderia ter isso e continuo recusando e dando pra trás, repetindo pra mim o tempo todo que logo passa. O engraçado é que repito isso há tempo demais. Queria poder te falar do meu dia, sentir que você se interessa e ouvir sobre o seu. E me sinto tão piegas ao escrever isso que me parece absurdo dizer pra você. Eu não conseguiria.
Eu queria que você compreendesse de fato a importância que tem na minha vida, que não é tão grande que eu não possa superar. Mas também não é tão pequena que não me magoe não tê-lo comigo.
O fato é que, não importa o quanto eu possa tê-lo, não me parece suficiente em aspecto nenhum. Eu quero mais.
Quero que você se importe, se dedique. Coisas que não posso exigir, não posso cobrar. Quero que você goste de mim da mesma forma que eu gosto de você. Com mais carinho do que tesão. E eu não posso mudar a forma que você me vê ou me sente, só posso aceitar tudo isso. O problema é que eu não aceito. Compreendo que você não possa ter tudo o que eu quero, mas não sei lidar com o que você tem.
O engraçado é que ainda existe dentro de mim uma menina que acredita em contos de fadas, socialismo e bondade humana. E essa mesma menina ainda acredita que um dia iremos nos acertar.
No fim das contas, não importa o quanto eu fale, é sempre insuficiente pra que você compreenda. Você não compreende. E não importa o quanto fugamos ou botemos pontos finais. O não-sei-o-que que temos, não tem fim.
E é só isso que me alivia, que me deixa tranquila pra um futuro de incerteza. Talvez eu erre, talvez esse seja, enfim, nosso declínio. Mas não vejo assim, não vejo você fora na minha vida, mesmo que a sua presença seja um mero detalhe. Você vai estar lá.
Ao terminar de dizer tudo isso, eu penso que todas as vezes que escrevo pra você eu ponho em minha mente que será a ultima, e essa ultima vez sempre tem uma continuação. Isso me lembra aquela frase já citada:
"Botei tantos pontos finais em nós dois que acabamos cheios de reticências".

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Veja você


Se doeu? E como poderia não ter doído? É o fim de uma era, é o fim da minha infância e dos meus amores incontroláveis. É o fim das gritarias, das ameaças de morte e suicídio, é o fim de um tempo que teve tanta beleza. É a morte de uma parte de mim que amei como a ninguém mais. E nem haverá sepultamento, só um adeus com poucas lágrimas e muita angústia.
Doeu, doeu por que valeu a pena. A gente só sabe que vale a pena quando tem lágrima do final. Doeu por que foi bonito, por que essa história ninguém nos tira, por que a juventude vai embora, mas nós seremos sempre jovens. É bonito olhar pra trás agora e ver que aquelas mazelas não são mais tão grandes como eram e que a vida agora é mais madura e bem construída. Apesar de não ser.
E é tão lindo ver que aquelas lágrimas se tornaram sorrisos nostálgicos, que ao lembrar aquela pessoa que fui me sinto saudosa como me sentiria de um amigo que há muito não vejo. E, de algum jeito, todo o desespero me transformou em alguém menos desesperada. Tanto ainda pra construir e já me sinto gente grande. No fim, você sabe, crescemos juntos. E foi lindo, apesar de tudo.

Let’s just die young, let’s just live forever ♪