Tenho tantas coisas pra te dizer... E por mais que seja simples 'abrir a boca e falar', sinto uma dificuldade imensa em faze-lo. É difícil quando eu sei que você não vai entender, aceitar ou se importar. Fica difícil dizer o quanto você é importante e o quanto eu queria que fosse tudo diferente, quando eu sei que você tem sempre uma solução simples e óbvia, que eu não posso seguir; ou não consigo. Se torna cada vez mais complicado manter um diálogo e isso me dói. Me dói por que tudo que eu queria era só conversar com você por muito tempo, mesmo sabendo que você não tem o minimo interesse nisso.
Eu queria poder te dizer que sinto falta do seu beijo, do seu corpo, do seu jeito irritante. Mas eu bem sei que, dizendo isso, receberei uma repressão. Uma repressão por saber que, em termos, eu poderia ter isso e continuo recusando e dando pra trás, repetindo pra mim o tempo todo que logo passa. O engraçado é que repito isso há tempo demais. Queria poder te falar do meu dia, sentir que você se interessa e ouvir sobre o seu. E me sinto tão piegas ao escrever isso que me parece absurdo dizer pra você. Eu não conseguiria.
Eu queria que você compreendesse de fato a importância que tem na minha vida, que não é tão grande que eu não possa superar. Mas também não é tão pequena que não me magoe não tê-lo comigo.
O fato é que, não importa o quanto eu possa tê-lo, não me parece suficiente em aspecto nenhum. Eu quero mais.
Quero que você se importe, se dedique. Coisas que não posso exigir, não posso cobrar. Quero que você goste de mim da mesma forma que eu gosto de você. Com mais carinho do que tesão. E eu não posso mudar a forma que você me vê ou me sente, só posso aceitar tudo isso. O problema é que eu não aceito. Compreendo que você não possa ter tudo o que eu quero, mas não sei lidar com o que você tem.
O engraçado é que ainda existe dentro de mim uma menina que acredita em contos de fadas, socialismo e bondade humana. E essa mesma menina ainda acredita que um dia iremos nos acertar.
No fim das contas, não importa o quanto eu fale, é sempre insuficiente pra que você compreenda. Você não compreende. E não importa o quanto fugamos ou botemos pontos finais. O não-sei-o-que que temos, não tem fim.
E é só isso que me alivia, que me deixa tranquila pra um futuro de incerteza. Talvez eu erre, talvez esse seja, enfim, nosso declínio. Mas não vejo assim, não vejo você fora na minha vida, mesmo que a sua presença seja um mero detalhe. Você vai estar lá.
Ao terminar de dizer tudo isso, eu penso que todas as vezes que escrevo pra você eu ponho em minha mente que será a ultima, e essa ultima vez sempre tem uma continuação. Isso me lembra aquela frase já citada:
"Botei tantos pontos finais em nós dois que acabamos cheios de reticências".