quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Em minha compania.

Não dá mais pra mim. Não posso mais me submeter a esse tipo de vivência, não sou mais eu, sou o que restou de toda a raiva e revolta que cresceu dentro de mim. Nunca soube o que era um lar ou uma família unida e prefiro não mais tentar descobrir, não me parece possível, não com essa família. Talvez um dia quando eu tiver a minha casa, meus filhos e uma pessoa que me faça feliz eu possa me sentir em paz pra me ver como dentro de uma família. Mas não agora, não dentro dessa casa. Não dentro de uma estrutura construída com raiva, remorso, dor, amargura, medo, angustia, lagrimas, sofrimento. Não posso mais fazer isso comigo mesma, mais 3 meses aqui e eu serei maluca por completo, não agüento mais não ter uma voz pra me acalmar quando preciso, um sorriso quando chego em casa ou um rosto que eu realmente deseje ver quando acordar. Não agüento mais não ter alguém pra me abraçar quando a coisa fica difícil, uma mãe para dar conselhos. Não quero mais viver nessa prisão construída a base de chantagem e infantilidade. Eu não posso mais. Não agüento mais. Cheguei no meu limite e não vou mais lutar contra tudo que eu tenho pra dizer. Tem coisas demais engasgadas e eu não posso segurar por muito tempo, sinto que estou prestes a explodir, meu balão não agüenta nem mais um sopro. Ele vai estourar. Sei que não posso perder a cabeça ou a razão mas estou ultrapassando todos os limites possíveis e eu sei que nem eu mais sou suportável aqui, me transformo ao entrar em casa. Por melhor que tenha sido o dia chegar em casa é sempre a pior parte, não por acabar o dia mas por começar o inferno. Sempre as mesmas coisas, sempre alguma coisa pra atrapalhar, sempre pouco carinho, pouca amizade e muita amargura, muita raiva. Não posso me deixar transformar nessa pessoa cheia de medo que me tornei, cheia de raiva e mágoa. Não posso mais ver com maus olhos a pessoa que deveria ser minha heroína, é difícil demais fazer isso comigo mesma.
Todo o desespero que sinto quando não sei mais o que dizer, por que fico tão quieta que já não sei como usar as palavras, não posso deixar que ele me consuma. Não posso me entregar a solidão para fugir de uma realidade inevitável. Mas a solidão é quase doce quando a companhia é insuportável. Não agüento mais me sentir tão sozinha e tão quieta. Tudo sendo refletido na forma como sou, como ago diante dos outros, não quero ser mais uma conseqüência da minha criação. Quero poder ser eu e escolher o que quero ser. Sei que na convivência com o próximo ninguém é só o que é, todos são um pouco do que os outros fizeram dele. Mas não quero ser por completo o que minha família fez de mim. Preciso de muito tempo longe e sozinha, preciso me deixar levar pelo que desejo, botar a cabeça no lugar e seguir meu caminho. Não quero mais me sentir tão interferida. Cansei de errar tanto, saber que estou errando e não saber como mudar. Preciso ficar mais comigo e menos com o mundo.

Is ending rock ‘n roll for me ♪