segunda-feira, 19 de dezembro de 2011

Esperando


De repente me vem no peito uma saudadezinha triste, uma saudade do que não pode ser e do que acabou. Saudade única, não de uma era nem de um tempo, saudade de um momento. E junto dela vem um medo, medo de nunca mais ser capaz de sentir ou ser feliz como fui. Medo de não poder ter o que tão pouco tive.
O coração parece que fica pequeno; encolhido no canto da sala, pensando se o tempo deve passar mais rápido ou não. Se é melhor esquecer ou manter a lembrança de um dos momentos mais puros da minha vida. É isso, pureza. Acho que é o que eu procuro no mundo, nas pessoas... Cada vez mais difícil de encontrar. Mas eu tive, por um instante, eu tive. E dói agora saber que foi necessário dizer adeus, que foi só por um momento. Não teria a mesma beleza se pudesse ser pra sempre, mas acho que não doeria tanto também.
Às vezes, pro conto de fadas ser bonito ele tem que acabar antes do tempo, e depois é só saudade... Nessas horas eu acho que prefiro deixar os filmes de lado, prefiro viver a vida de gente comum. Menos drama, menos dor.
O que dói mais não é a lembrança, é o esquecimento. É aos poucos ir esquecendo como eram os cheiros, os gostos, as palavras... É saber que o único registro é a sua memória e ela é falha.
Eu sei, eu escolho meus passos e eu fiz meu caminho. Mas não se pode lutar contra o inevitável.

I've been waiting for a girl like you ♪

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

O que não foi


Você, que não tive a chance de conhecer, um passado meu vejo em sua história. E ouvir sobre você me lembra um eu que há muito enterrei. Fica sempre aquela pergunta: Por quê?
Hoje eu compreendo a incompreensão do outro diante das suas razões, mas sei bem como é estar do outro lado. Talvez seus motivos não sejam os mesmos que foram meus um dia, ou de um outro. Mas suas causas são bem conhecidas. É preciso ouvir, é preciso prestar atenção, olhar bem de perto um outro que se passa despercebido aos olhos. Por algum motivo eu tive no meu caminho quem fez isso por mim, uma pena não ter esse alguém no seu. Uma pena, talvez, que você tivesse e não ouvisse. É difícil demais dizer adeus ao mundo, mas é mais difícil, às vezes, ficar nele. E é esse o nosso desafio de cada dia: permanecer, insistir, lutar. Não só por si, mas por um outro.
Compreendo também que, independente das razões, o ato é sempre egoísta. Você não é só um coitado que não foi ouvido. Você foi também um egoísta que deu as costas pra quem o amou. E, eu sei, alguém lhe amou. Talvez não muitos, talvez não quem você queria, mas alguém amou. E você deu as costas pra ele.
Eu sei, eu entendo você, e agradeço todos os dias por ser hoje um alguém que entende, mas não aceita, não concorda. E sinto uma dor profunda por você não ter tido a mesma sorte que eu.
Vou pedir por você, pelos nossos, vou pedir pelo mundo doloroso que te empurrou da sacada. Vou pedir por todos nós.

I don’t wanna do this anymore ♪

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Fucking life


Eu fecho meus olhos e ainda vejo os seus me encarando. Eu sabia que ia ser assim e acredito que isso tornou tudo mais mágico, correr contra o tempo me fez tirar minhas armaduras e simplesmente me entregar. Cheguei à conclusão de que é muito mais fácil se entregar pra alguém que vai embora, alguém que você sabe que vai te machucar, mas só por que precisar ir, e não por ter ficado. Acredito que nossa magia envolve muito disso, de sermos distantes e tão próximos. Foi tão fácil estar com você, como há anos eu não conseguia...
E quando eu durmo ainda sonho que estamos conversando, às vezes até acordo pensando em inglês... É como se você nunca tivesse ido embora, e eu sinto que dormimos juntos nesses dias. Só tenho medo de que você não sinta o mesmo.
Por que eu sei que apesar de ter sido tudo recente, eu penso em você o tempo todo, eu penso no que você deve estar pensando, onde você está, com quem... E só queria poder ser esse alguém qualquer que tem a chance de ficar perto de você.
Só queria ser o novo alguém pra quem você vai direcionar esses lindos olhos, o próximo alguém que vai poder sentir o seu abraço, o seu cheiro... Eu só queria deixar de ser o último alguém e ser o próximo, e o que vem depois. Eu só quero ser o alguém da sua vida.

It’s what you do to me ♪

A maior utopia

Recentemente um professor passou um trabalho em que precisaríamos falar sobre Utopia. Eu, é claro, entrei no Google e digitei “comunismo” e TARAM, trabalho pronto. Pouco tempo depois fiquei pensando sobre o assunto e me dei conta de que, pra mim, a maior utopia é o amor perfeito, é aquele típico conto de fadas que todo mundo sonha em viver.
Me dei conta de que sonhamos e esperamos um amor lindo, eterno, profundo, intenso... E até acredito que vivamos tal por um tempo, mas será que dura pra sempre? Será que aqueles velhinhos que estão casados a 100 anos consideram que viveram um amor lindo ou foi só pressão da sociedade que eles nunca tenham ido embora? Por que será que hoje em dia a taxa de divórcio é gritante? Acredito no amor, de verdade, mas acho que a maior utopia humana é essa eterna procura por um amor eterno, perfeito, imutável.
Eu, honestamente, ainda não vi com meus próprios olhos um amor que tenha durado a vida toda. Viúvas não se incluem – e você pode me chamar de mórbida ou fria por isso – por que, afinal, um morto não muda e ele vai ser eternamente daquele jeito que você se apaixonou.
Acredito que o que faz com que o amor perfeito, o relacionamento perfeito, seja na verdade uma utopia é o fato de que as pessoas mudam o tempo todo, o tempo muda as pessoas, a vida muda as pessoas. E, convenhamos, qual a probabilidade de um casal se acompanhar na mudança e se amar da mesma forma inicial?
Talvez eu esteja sendo um pouco fria - concordo - pra quem não sabe se abrir pro amor é muito diferente ver esse mundo de fora, mas eu vi o tempo passando e eu vi amores eternos morrendo, eu vi as pessoas passando a se odiar, e eu vi uma utopia se construindo na minha frente.
Não quero dizer aqui que o amor em si seja uma utopia, mas falo de um amor eterno e imutável, de um conto de fadas pelo qual todas nós, que acompanhamos Mulan, Pocahontas e Cinderela se casando e sendo felizes para sempre, esperamos. Mesmo que internamente, nós ainda esperamos. Eu falo do amor romântico, do ‘eu te amo pra sempre’ do ‘eu morreria por você’. Acredito haver sinceridade, só não acredito haver verdade.
Talvez eu erre, talvez eu esteja mesmo equivocada, mas o amor do qual todo mundo fala por aí, virou uma utopia, e ao mesmo tempo que isso me assusta no mundo, me conforta, por que enfim eu me dei conta disso.

Uma merda foi eu ter entregado um trabalho qualquer e agora vir discursar sobre ele ¬¬

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Never forget


E tremíamos. Tremíamos por que era dura a despedida, por que era intenso o momento. E tremíamos com medo do depois, com medo da saudade, do lugar vazio ao lado. E eu olhava pros seus olhos, esses lindos olhos azuis, que me olhavam de volta com uma intensidade nunca sentida antes. Era amor. Tão cedo, e era amor. Parecíamos duas crianças conhecendo o mundo, conhecendo novas palavras, aprendendo a contar... E tão cedo o mundo nos levou embora.
Nós dois deitados naquela cama, olhando um pro outro e rezando pro tempo parar de passar, pra podermos passar o resto da vida dentro daquele hotel, com nossos cigarros e risadas. Com as dançinhas, as brigas em outras línguas. E nos abraçávamos; você me dizia com essa voz doce “My Pocahontas, my baby” e eu queria te amar cada vez mais por isso. Eu queria poder te amar a vida toda. E eu dizia pra você ficar, pra você não ir nunca mais. Mas, é como você disse, você não é um criminoso.
E sorríamos, por que o que tivemos a chance de viver já bastava, por que o mundo gira ao contrário pra nós dois e é só por isso que nos encaixamos. Mas, você sabe, a vida não é bem como deveria ser. E ao mesmo tempo é. Esse momento foi nosso, só nosso, e ninguém mais pode compreender.
Eu nunca vou esquecer você.

I'm by your side ♪

sábado, 12 de novembro de 2011

Your Pocahontas


Eu sinto a sua falta. Eu sinto a falta que você fez nas últimas horas, que você fez nos últimos dias. A falta que fez a vida toda. Pior é saber que tamanha saudade não é nada perto do que está por vir. É saber que em breve acaba o que a tão pouco começou e ainda assim eu vou sentir toda a minha vida mudar.
Você, de alguma forma bizarra, mudou a minha visão de mundo e a minha forma de agir diante dele. É incrível como uma só pessoa pode mudar sua vida toda em tão pouco tempo. Passei tão pouco tempo com seu sorriso e já sinto falta do som da sua gargalhada. Ainda nem tive a chance de sentir o seu beijo e já sinto falta do seu corpo.
Nada - nada - acontece por acaso. Estar com você me fez ver isso com mais clareza que nunca; é lindo ver tudo se encaixando assim. Não sei nossos propósitos, mas acredito na luz que você trouxe pra mim. E os sorrisos que me proporcionou, eu nunca vou esquecer. A vida segue, sim. Mas eu vou esperar por você.

Estou num mundo novo com você ♪

domingo, 30 de outubro de 2011

Pelo vidro


Amizade.
Palavra tão bonita
Amor mais puro não existe
Fantasia tão bonita que logo se desfez
Em bruxaria
Em solidão
Solidão.
Tamanha dor Deus nos proporcionou
Sempre acompanhados e sempre sozinhos
Fado esse se faz carregar
Por quanto tempo mais?
Não se faz nunca suficiente dor essa?
Nunca é tempo de dizer adeus
Nunca é tempo de fim
Beleza que proporcionou o mundo a mim
Como pintura que se vê e vai embora
Não se faz suficiente manter em mente letras tão desconexas
Que se despem de sentido
A chuva cai
Mas a terra e a solidão se fazem fortes
Nunca é tempo de dizer adeus.

How do you feel? That is the question ♪

(eu continuo não escrevendo poesia)

domingo, 23 de outubro de 2011

Adivinha


E descobri que dentro da minha mente posso viver tudo o que a vida me impede de ter. A vida fica branca, rosa, azul... É possível chegar aos arco-íris e no fim dele há uma arca, na qual ocorre uma festa. Navegamos por outros universos. Navegamos no céu, nas estrelas, no sol.
Dentro desse mundo, só as risadas tem vez e se correr muito rápido, acaba-se vomitando. Doces por todos os lados, comprimidos, bebidas. Doces, doces, doces.
A barca navega entre as nuvens e elas não são de algodão doce, mas de fumaça branca. Rostos por todos os lados e nada se reconhece, não se sabe se é tudo solidão ou companhia em excesso, multidões te cercam.
Luzes amarelas, vermelhas, roxas. Flores saem do chão e vão para o céu, não é preciso varinha pra se fazer magia. Basta pensar e tudo acontece.
Não existem carros, nem prédios, nem cimento. Não existe solidão, apesar de estar sempre sozinho.
Abra os olhos.

We found love in a hopeless place ♪

quinta-feira, 20 de outubro de 2011

Menos uma

A minha relutância está compreendida na insegurança.
Se não digo sim, é por faltar confiança.
Me dói o poder da lembrança,
Que só aparece pra arruinar a esperança.

Nada tira de mim que sou só mais experiência,
Que no fundo é só mais um de seus desejos
E que o encanto acaba ao final do beijo.

Espero que não passes o dia em branco,
Ainda que segurando minhas mãos no banco.

Me tire a visão, pesa menos ao derradeiro coração.

Maísa Braga
(roubei por que você fala por mim)

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

The end has no end


Que tanta inspiração trouxe e levou embora, que tanta lágrima derramou e tantos sorrisos ofuscou. E tamanha a felicidade em não ser feliz, que o choro era nova gargalhada. Tinha um jeito novo de fazer o mundo funcionar, só as peças se perderam em meio a bagunça.
Que linda essa história de cinema, que construiu vidas reais e mentirosas. Faz o coração pesar tanto que se arrasta, as costas e os pés ficam cansados. Inércia tal que pede pra dormir, e dormir, e dormir...
Mas, afinal, esse fim não existe. Não existiu nunca. Sempre uma breve despedida antes de um futuro ‘olá’ acanhado. Que tal medo não tome mais conta da vida, as incertezas não coordenem os movimentos e o sono se despeça. É tudo temporário e, ao mesmo tempo, eterno. Mas é sempre uma certeza no final. Não existe final.

But you don't really care for music do you? ♪

sábado, 20 de agosto de 2011

Silêncio


Eu te esperei a noite inteira. Queria muito um cigarro e uma bebida bem forte, mas a vida era diferente agora. Eu era outra pessoa, tinha deixado de lado minha suposta essência. Abri mão dos pequenos suicídios e grandes autodestruições. Eu era, então, forte. Tinha toda uma vida pra orgulhar meus progenitores, pra orgulhar a mim mesma.
Ficou, no íntimo, uma dúvida sobre a razão real de tanto orgulho. Se era por ser limpa, se era por ser forte ou se era por abrir mão de ser quem sou. A verdade é que eu não sei dizer ainda se luto por mim ou pelos outros, não sei dizer qual seria a razão real de se orgulhar.
E continuava esperando você, pensando em mim. Pensando se, na verdade, esperar você não era uma forma de retomar o pouco de morte que tinha dentro de mim no passado. Se não era um jeito de estar com a pessoa que fui antes, que ama tanto a espera, a dúvida, a tortura.
E olhava o relógio. Ao mesmo tempo em que a hora parecia se arrastar, ela voava. E você continuava ausente, não chegava nunca. Não sabia mais se esperava por você ou por mim, se quem demorava e por quem eu ansiava não era, na realidade, aquela parte que eu tanto odiei, mas que tanto fez falta.
Aos poucos me dei conta de que você não viria mais, que você tinha ido embora pra sempre. Umas poucas lágrimas angustiadas caíram dos meus olhos, tinha muito tempo que eu não chorava. Desde que minha outra parte se foi. Dei-me conta, então, que ela nunca foi embora. Que a eterna espera por você era ela se fazendo viva dentro de mim, era uma forma de me provar que não importa o quanto eu me tornasse forte, não importa que eu tenha deixado de me destruir fisicamente. De alguma forma, eu seria sempre minha melhor amiga e minha pior inimiga. De alguma forma, seriam as minhas mãos que me matariam e elas mesmas a me ressuscitarem.

Mas ficou tudo fora de lugar. Café sem açúcar, dança sem par ♪

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

A flor


Me dei conta que já havia muito tempo que eu lutava contra mim mesma, que eu lutava em meu nome. Uma hora todo mundo perde as forças, é preciso descanso, trégua. Ninguém agüenta todo esse tempo em guerra. É possível desistir de nós mesmos? Descobri que fugir é impossível, mas será que dá pra desistir? Simplesmente fechar os olhos, simplesmente ir em frente. Correr, pra não dar tempo de pensar.
É difícil demais não saber o caminho, não saber a direção. Não saber sair do lugar. Não conseguir. Pior do que abrir mão de outro, é abrir mão de si mesmo, é abrir mão de ser quem é. Mas passou tanto tempo... Não sei dizer se me tornei fraca ou a vida que ficou forte demais, insuportável. Não sei dizer se parei no tempo ou é o mundo que gira rápido demais. A verdade é que eu não sei se o problema é comigo ou com os outros. A verdade mesmo, é que eu não sei de mais nada...

Eu fiz de tudo pra você perceber ♪

quinta-feira, 11 de agosto de 2011

Revivendo o futuro


Sinto-me distante, perdida. Ando querendo me encontrar, sem saber se estou em algum lugar. Ando sentindo uma solidão bruta, que parece ter sido causada por mim mesma. Ando brigando, xingando e não sei mais dizer quando estou certa ou não. Ando fugindo dos meus pensamentos. Por que, honestamente, eu não agüento mais pensar. Eu queria ficar vazia por um tempo. Sem sentimentos, saudades, arrependimentos, lembranças... só eu e o mundo. Como se eu fosse um bebê.
É isso, eu queria voltar a ser um bebê. Sem feridas, passado. Limpa, pura. Eu queria uma pagina em branco na minha frente. Talvez eu nem escrevesse tudo corretamente, mas eu queria a chance de escrever de novo.
Ando brigada comigo mesma, com raiva de ser quem sou. Ando chorosa pelos cantos, pensando nas pessoas que me feriram. Eu sei, não dá pra culpar o mundo. Mas eu não esqueci as coisas que ele fez comigo. Ando conversando muito comigo e pouco com os outros, eu ausentei as pessoas da minha vida. Já tem muito tempo que não me abro com ninguém, acho que desaprendi a desabafar. Ando bebendo muito pra suprir esses vazios, e é só nesses momentos que eu digo a verdade. Infelizmente, com palavras desconexas e maquiagens borradas. Uma pena o outro lado não conseguir enxergar mesmo o que se passa aqui. Eu sei, não sou mais tão nítida.
Ando me encarando menos no espelho, confesso que tenho medo da imagem à minha frente, tenho medo de ver o quão irreal me tornei. Ando cheia de sorrisos falsos, de alegrias efêmeras. Tudo agora é efêmero, é sem sentido.
Ando sem sentido, sem direção.

Like a bomb before explosion ♪

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Lost


Que na verdade a vida estava andando pra trás. Que era uma forma de reviver o não vivido, de aproveitar o tempo de loucura pra ser louco e não se convencendo de sanidade. Era um jeito de fugir da loucura não encará-la, só depois ficou claro que fugir só fazia dela coisa mais forte. Mas já era tarde, o mundo já tinha desabado nas cabeças e a sanidade se perdido em meio ao tempo. Só não era mais tempo de se perder. Era, no momento, tempo de se encontrar, de saber, de ter convicção. Mas não tinha, essas coisas ficaram na força do tempo passado. Na força pra ser feliz na hora que a felicidade se ausentava.
Ficou nítido, no fim, que felicidade não se força, não se conquista, não se luta. Felicidade acontece, acontece no tempo que tem que acontecer. Mas não adianta fazer força por ela, quando mais persegue mais ela foge. Até o momento que perde-se o sorriso de vista. Não se encontra mais.
Tinha até certa graça na troca de tempos, parecia uma novela onde nada dá certo, tudo acontece na hora errada. A questão é que no fim da novela, todo mundo encontra seu sorriso.

I'm getting old and I need something to rely on ♪

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Sua


Na cabeça vem a idéia utópica de que poderia ter dado certo. Que era só um pouco de esforço daqui, mais uma paciência ali e tudo seguia seu rumo bem. Mas não podia. Eu sei, não podia.
No fundo a gente gosta dessas coisas que não dão certo, que não tem conserto. A gente gosta de tentar consertar pra se sentir herói. Mas a verdade é que ninguém é de ferro, ninguém tem super poderes e essas coisas não existem. Não temos essa força.
Que graça relembrar tudo aquilo, parece que foi ontem... Aquele monte de gente e você olhou logo pra mim. Quem diria? Sinto falta daquele tempo, a vida parecia menos dura. Eu era menos racional e fria. Uma pena nossos tempos não terem se encaixado. A gente não ter se encaixado. Acho que não era pra ser.
Mas eu penso em você, mesmo quando você está longe. Eu penso na sua vida, nas suas piadas e na gente. Em como podia ser e não foi. Penso muito em nós dois. Ás vezes penso que é só pra ter o que pensar. Mas no fundo eu acho que é pra preencher o vazio do que não foi.
Mas foi.

Onde está você agora? ♪

terça-feira, 26 de julho de 2011

Estrada suja


Música pra escrever, inspiração, tempo... Pouco pra dizer. É tudo vontade, muita vontade e pouco a lhe fazer. Por fim, era tudo muito sem sentido. Nós dois. Eu. Eu não tenho sentido, não tenho jeito. Aquele velho clichê, um clichê de mim mesma. A mesma de sempre, sempre mudando. Que bobeira, você já não sabia disso? Foi sempre assim. Eu e você; nada muda.
Tinha bebida, cigarro e gente divertida, mas no fim da noite o giro foi mais rápido e minha cabeça voou pra você, nós somos um clichê ridículo. E isso é tão demodê.
Dizem que tudo acontece no seu tempo, que nada é por acaso. Por que continuo sentindo que tudo acontece na hora errada? Deve ser pra parar de insistir no meu relógio e começar a confiar mais no relógio do mundo. No fundo, eu não confio em nada, nem mesmo no tempo. Nem em mim.
Me quebraram e os segundos pararam de girar. Fiquei presa no universo paralelo de dentro de mim. Que graça, não soa tão ruim no momento. Só quando eu vejo que vivo sozinha nesse universo. Que não compartilho, não tenho companhias além de mim mesma, de Vadinho, de Fado. Da minha imaginação e da imaginação alheia que roubei.
Eu sou uma ladra de idéias. Uma ladra de vida.

It may be years until the day
My dreams will match up with my pay ♪

domingo, 24 de julho de 2011

No good


A solidão me aparece como uma velha amiga, que volta às origens, saudosa. Uma antiga companhia que nunca se distanciou por completo, mas que volta pra curar a não-ausência. Almoça, janta e dorme comigo.
Na verdade, a solidão é uma amante lésbica, amorosa e extremamente ciumenta. Me afasta de um todo, me quer apenas pra ela. As lágrimas são nossos brinquedos sexuais e o choro, nosso sexo. Não senti sua falta, mas sinto falta do tempo que estivemos juntos. O mundo funcionava diferente, e sempre tem um herói pra me salvar das garras desse amor doentio.
Seus sorrisos e olhares não são tão sedutores, mas me chamam para perto. Me atraem de alguma forma inexplicável que há muito deixei de tentar desvendar. Em geral, é tudo uma questão de tempo até a própria ir embora de novo. Por que todo mundo vai embora um dia. Só volta quem me pertence; e a solidão, essa nunca deixa de voltar.

And I go back to black ♪

sábado, 23 de julho de 2011

Cartas para o Catete 2

Tenho tantas coisas pra te dizer... E por mais que seja simples 'abrir a boca e falar', sinto uma dificuldade imensa em faze-lo. É difícil quando eu sei que você não vai entender, aceitar ou se importar. Fica difícil dizer o quanto você é importante e o quanto eu queria que fosse tudo diferente, quando eu sei que você tem sempre uma solução simples e óbvia, que eu não posso seguir; ou não consigo. Se torna cada vez mais complicado manter um diálogo e isso me dói. Me dói por que tudo que eu queria era só conversar com você por muito tempo, mesmo sabendo que você não tem o minimo interesse nisso.
Eu queria poder te dizer que sinto falta do seu beijo, do seu corpo, do seu jeito irritante. Mas eu bem sei que, dizendo isso, receberei uma repressão. Uma repressão por saber que, em termos, eu poderia ter isso e continuo recusando e dando pra trás, repetindo pra mim o tempo todo que logo passa. O engraçado é que repito isso há tempo demais. Queria poder te falar do meu dia, sentir que você se interessa e ouvir sobre o seu. E me sinto tão piegas ao escrever isso que me parece absurdo dizer pra você. Eu não conseguiria.
Eu queria que você compreendesse de fato a importância que tem na minha vida, que não é tão grande que eu não possa superar. Mas também não é tão pequena que não me magoe não tê-lo comigo.
O fato é que, não importa o quanto eu possa tê-lo, não me parece suficiente em aspecto nenhum. Eu quero mais.
Quero que você se importe, se dedique. Coisas que não posso exigir, não posso cobrar. Quero que você goste de mim da mesma forma que eu gosto de você. Com mais carinho do que tesão. E eu não posso mudar a forma que você me vê ou me sente, só posso aceitar tudo isso. O problema é que eu não aceito. Compreendo que você não possa ter tudo o que eu quero, mas não sei lidar com o que você tem.
O engraçado é que ainda existe dentro de mim uma menina que acredita em contos de fadas, socialismo e bondade humana. E essa mesma menina ainda acredita que um dia iremos nos acertar.
No fim das contas, não importa o quanto eu fale, é sempre insuficiente pra que você compreenda. Você não compreende. E não importa o quanto fugamos ou botemos pontos finais. O não-sei-o-que que temos, não tem fim.
E é só isso que me alivia, que me deixa tranquila pra um futuro de incerteza. Talvez eu erre, talvez esse seja, enfim, nosso declínio. Mas não vejo assim, não vejo você fora na minha vida, mesmo que a sua presença seja um mero detalhe. Você vai estar lá.
Ao terminar de dizer tudo isso, eu penso que todas as vezes que escrevo pra você eu ponho em minha mente que será a ultima, e essa ultima vez sempre tem uma continuação. Isso me lembra aquela frase já citada:
"Botei tantos pontos finais em nós dois que acabamos cheios de reticências".

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Veja você


Se doeu? E como poderia não ter doído? É o fim de uma era, é o fim da minha infância e dos meus amores incontroláveis. É o fim das gritarias, das ameaças de morte e suicídio, é o fim de um tempo que teve tanta beleza. É a morte de uma parte de mim que amei como a ninguém mais. E nem haverá sepultamento, só um adeus com poucas lágrimas e muita angústia.
Doeu, doeu por que valeu a pena. A gente só sabe que vale a pena quando tem lágrima do final. Doeu por que foi bonito, por que essa história ninguém nos tira, por que a juventude vai embora, mas nós seremos sempre jovens. É bonito olhar pra trás agora e ver que aquelas mazelas não são mais tão grandes como eram e que a vida agora é mais madura e bem construída. Apesar de não ser.
E é tão lindo ver que aquelas lágrimas se tornaram sorrisos nostálgicos, que ao lembrar aquela pessoa que fui me sinto saudosa como me sentiria de um amigo que há muito não vejo. E, de algum jeito, todo o desespero me transformou em alguém menos desesperada. Tanto ainda pra construir e já me sinto gente grande. No fim, você sabe, crescemos juntos. E foi lindo, apesar de tudo.

Let’s just die young, let’s just live forever ♪

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Don't stop


Essa magia do que eu não vivi, do que eu não tive... Daquilo que tanto desejei, lutei, estimei... e não vivi. Era o tempo que estava sempre fora do lugar, era eu que estava sempre fora do tempo. Quando chegava a hora, já não era mais. E quando era, a hora se despedia. Esse tempo, sempre no lugar errado.
Como se minha vida fosse acontecendo no passado, como se o presente fosse um futuro distante e o futuro, simplesmente inexistente.
Que coisa, os relógios parecem tão sincronizados com o sol e a lua, por que minha vida não sincroniza-se com o tempo certo de viver? É sempre cedo, sempre tarde... No fim das contas, eu gosto mesmo de dormir de manhã e acordar a noite.
Não é o tempo fora de mim, sou eu fora do tempo.

I never really cared until I met you ♪

domingo, 19 de junho de 2011

Só pro meu prazer


Daí eu queria escrever, queria botar pra fora esse nada que tem aqui, esse aglomerado de vazio que se alojou no meu peito e me fez lembrar a saudade. Mas não pude, não consegui; parecia que, se eu botasse pra fora, deixaria de existir e, no fim das contas, não quero que deixe de existir. Quero que esteja aqui, doendo, pra que eu me lembre que foi real e acabou. Se as lágrimas secam, seca também as lembranças e eu não quero esquecer. O que eu quero mesmo é retomar tudo, viver as mesmas coisas várias vezes e sentir todas as mágoas e dores de novo. Só pra me garantir que não tem modo de ser bom, que só da pra ser ruim. E é assim a realidade.
E eu tive medo de demonstrar, do começo ao fim, todos os meus sentimentos. Simulei, menti, manipulei. Só pra não mostrar a minha realidade e viver a do mundo. Só pra não me expor. No fim, me sinto exposta. Sinto-me aberta, rasgada. E não consigo mais me cobrir. Mas deixo ser assim e não quero perder isso. Só pra lembrar que foi real, que eu não criei nada.
E pra não dizer que não falei das flores, quero errar e brigar várias e muitas vezes. Só pra provar pra mim mesma que não acabou.

"Penso sempre que um dia a gente vai se encontrar de novo, e que então tudo vai ser mais claro, que não vai mais haver medo nem coisas falsas. Há uma porção de coisas minhas que você não sabe, e que precisaria saber para compreender todas as vezes que fugi de você e voltei e tornei a fugir. São coisas difíceis de serem contadas, mais difíceis talvez de serem compreendidas — se um dia a gente se encontrar de novo, em amor, eu direi delas, caso contrário não será preciso. Essas coisas não pedem resposta nem ressonância alguma em você: eu só queria que você soubesse do muito amor e ternura que eu tinha — e tenho — pra você. Acho que é bom a gente saber que existe desse jeito em alguém, como você existe em mim."
Caio Fernando Abreu

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Vazio


No fim das contas, tenho a sensação de que está todo mundo muito infeliz. Todos insatisfeitos e deprimidos. Parece que o ser humano, em geral, não tem controle algum sobre si próprio e se decepciona constantemente consigo mesmo. A vida parece cada vez mais ser uma grande merda da qual nunca conseguimos fazer exatamente o que gostaríamos. Eu achava que o problema mesmo era comigo, mas vejo que a maior parte das pessoas se sente assim, incompleta.
É claro, já é um fato constatado que o homem nunca está inteiramente satisfeito com a sua condição e quer sempre mais; é isso que os move. Mas não é unicamente uma questão de querer mais, é uma questão de querer tudo diferente, de estar tudo completamente errado. O que me parece engraçado é que a consciência disso não motiva ninguém a mudar, a fazer diferente. Talvez até por um tempo consiga, mas no fim das contas, tudo volta ao mesmo ponto. Você não é quem gostaria de ser.
Eu considerava isso como preguiça, comodismo e até medo. Medo do que pode acontecer caso você mude. Mas começo a achar que não. Começo a achar que, na verdade, estamos todos presos às nossas condições limitadas e não importa o quanto lutemos, não conseguimos mudar. É como um fado, uma sina. Não temos como fugir e tendemos, cada vez mais, a piorar.
Triste condição humana, quando mais nos consideramos egoístas e egocêntricos é quando mais vemos que não desejaríamos nossas vidas aos nossos filhos.

Now I need a place to hide away ♪

terça-feira, 14 de junho de 2011

The Queen


Pra falar a verdade: eu tenho medo. Tenho medo de você. Do seu gênio forte e da sua inconstância. Da sua agressividade e risadas. Tenho medo da sua bipolaridade e loucuras. Da sua impulsividade e TPM. Tenho medo dessa sua mania de nunca saber o que quer e mudar de idéia o tempo todo. Me assusto quando penso na idéia de passar o resto da vida ao seu lado. E ao lado das suas loucuras. Tenho medo do seu ciúme infundado e doentio, da sua mania de me controlar e das mil perguntas que você faz o tempo todo. Me apavora a idéia de acordar todos os dias sem saber ao certo quem é a mulher ao meu lado. Parece ter um sinal vermelho da sua testa gritando ‘perigo, procure a saída mais próxima’.
Você é dessas mulheres que botam um homem pra correr em poucos dias, dessas difíceis de lidar, que exige muita paciência e atenção. E isso me assusta. Eu temo as suas mil personalidades. Principalmente as que eu não conheço ainda. Temo o seu passado e o seu futuro. Tenho medo de você. Tenho medo da pessoa que você é e do por que eu ainda estou com ela.

And I'm free, free falling ♪

terça-feira, 7 de junho de 2011

Asma


Tinha até certa beleza naquilo tudo. Aliás, a dor tem uma beleza única, inegável. É a beleza da lágrima misturada com o fato de sermos humanos e termos sentimentos incontroláveis, que nos levam ao abismo. A saudade era muito mais sufocante do que o vício. Não vai embora ralo a baixo. Não podemos quebrar a saudade, não podemos jogá-la no lixo, não podemos fumá-la.
As histórias se foram, mas o sufoco ficou. A ausência se torna cada vez mais presente, e toma conta do ambiente. E não importa o quanto fuga ou se cale, ela te acompanha, fala com você e, até mesmo, te ouve. É o tal silêncio que grita.
Não importa que as lágrimas não caiam, o afogamento é inevitável e seco. Pois a ausência te leva com ela.
E sabe aquele sorriso inapagável? Perdeu o brilho, perdeu a magia. Tudo parece um tanto quanto opaco, mas não menos belo. A morbidez se move com a arte, com a dor. E para os leigos parece um monte de loucura. Para os conhecedores também. Mas a loucura brilha, e é isso que trás a crueldade bela do mundo.

É bom às vezes se perder.. ♪

Canção da despedida


O céu estava vermelho. Parecia bonito, mas depois lembrei que o céu não sangra. E não entendi. Lembrei que ele chora, ele grita, fica de mau humor. Mas nunca tinha visto o céu sangrar. Quem machucou o céu? Entendo que, a maior parte do tempo, os seres humanos irritem ele, façam-no sofrer... Mas não entendi como fizeram para machucá-lo.
Então eu andei na rua, eu vi gente comendo lixo, vi pessoas armadas ameaçando a vida de outras, vi brigas, lágrimas, raiva, ódio, sangue... E então me dei conta de que, se o ser humano pode fazer isso consigo mesmo, por que não faria com o céu?
O céu se matou; se matou de desgosto, de saudade, de dor. O céu se matou e não há bebida que mate a saudade, não há transfusão sanguínea. Nada salva o céu. O céu sangrou até a morte e assisti sentada. Não salvaria nem se pudesse, não tenho dúvidas de que ele, enfim, descansou em paz. O céu sorriu aliviado. Não precisa mais assistir a essa comédia trágica que é a humanidade.

Mas ainda é difícil deixar qualquer luz entrar ♪

sábado, 4 de junho de 2011

The fucking good bye


Mas eu não vou. Não digo, não grito, não escrevo. Posso morrer por dentro, e ninguém vai ver. Nunca mais te dou o prazer de ver o quanto fodeu comigo, com a minha cabeça. Nunca mais te deixo entrar na minha mente e bagunçar tudo. E do meu coração, baby, você vai passar longe. Mas eu sei, eu sei que precisava disso. Precisava ver que o mundo não é cor de rosa e, não, as pessoas não são boas. Precisei passar por alguém como você pra aprender a amar alguém como eu. Precisei de tudo isso pra ver que ninguém pode me amar tanto quanto eu mesma e que ninguém pode me fazer tão feliz quanto meu próprio sorriso. E eu não preciso de ninguém pra me mostrar o quanto eu sou especial.
E, eu sei, você vai seguir a vida ensinando isso pras mulheres. E, no fundo, todo mundo sabe que o seu papel é essencial na vida de uma mulher. Só você não sabe o quanto a solidão vai doer no final. Mas, veja bem, fique feliz. Ninguém ensinaria melhor a uma mulher como ser feliz! Obrigada. Muito obrigada por todas as mentiras, pela falsidade, pelos teatros, por acabar com a minha auto-estima... Por tudo. Obrigada por me destruir. E, principalmente, obrigada por me ensinar a me reerguer.

You're gonna catch a cold From the ice inside your soul ♪

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Abismo


Bem, devido a sugestões, houve uma mudança no último texto.. ;)


E me sorria com ar de dor.
Era inevitável. Nossa felicidade estava de mãos dadas com a dor.
Pra sempre.
Sempre, e depois do infinito.
Tinha que ser. Simplesmente era.
Quis abraçar, mas doía cada vez que pensava em soltar.
Quis beijar, mas tinha medo de quando acabasse.
Tanto quis, quis tanto...
Quis dizer tudo, mas sabia que não poderia recolher minhas palavras depois.
Sabia que deixariam de ser minhas.
Eu deixaria de ser minha.
Não pertenço, não pertencemos.
Lhe sorria com dor maior.
Lhe sorria querendo chorar.
Não existe adeus, não existe fim.
É uma estrada sem limites.
Desemboca no abismo.
E caímos.
Caímos com rapidez, com vontade.
Não tinha fim, a queda é constante.
Só cai.
Só cai.
Não vai, não vamos, não fomos.
Nem fomos, nada fomos.
Nada.
Não andamos, só cai.
Só cai.
E dentro do sorriso nasceram as lágrimas.
Quanta dor me vem do estômago.
Não tem coração, não.
Não tem.
A dor enjoa, cansa.
É demais.
Faltam palavras, vírgulas, pontos...
Sorria. Mesmo que com dor.
Sorria.

I know it ain't easy giving up your heart ♪

PS: Eu não escrevo poesia.

quarta-feira, 25 de maio de 2011

"...Mas se eu tivesse ficado, teria sido diferente? Melhor interromper o processo em meio: quando se conhece o fim, quando se sabe que doerá muito mais — por que ir em frente? Não há sentido: melhor escapar deixando uma lembrança qualquer, lenço esquecido numa gaveta, camisa jogada na cadeira, uma fotografia — qualquer coisa que depois de muito tempo a gente possa olhar e sorrir, mesmo sem saber por quê. Melhor do que não sobrar nada, e que esse nada seja áspero como um tempo perdido.
Tinha terminado, então. Porque a gente, alguma coisa dentro da gente, sempre sabe exatamente quando termina.
Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo..."

Caio Fernando Abreu

terça-feira, 24 de maio de 2011

A balada da contramão


Pensei em você hoje. Pensei na sua simplicidade, na sua objetividade. Senti falta disso. Senti sua falta. Pensei em como tudo que vivemos foi tão simples e gostoso, tão bobo. Pensei em como é engraçado eu nunca ter escrito nada sobre você. Sobre sua risada idiota e o jeito como você falava errado. Até o sexo com você era simples. Tudo tão simples. Tudo muito longe do que eu sou.
Pensei em você hoje. Pensei em como você esteve no lugar de tantos outros e, ainda assim, foi tão diferente. Pensei em como você negou o que ninguém mais teve coragem de negar. E como você fez isso com delicadeza. Quase te amei por não me querer. E mesmo quando você queria, eu sabia que não queria. Sempre soube que não era pra você. Que você não suportaria alguém como eu. E mesmo assim você suportou.
Pensei em você hoje. Pensei na sua magia de fazer diferente e, ao mesmo tempo, igualzinho. Pensei no jeito que você me sorria, sem a mínima vontade de me ganhar. E me ganhava cada vez mais. Lembrei de todas as coisas bobas que me entediavam e pensei em como você seria um tédio pra mim. Em como eu seria um tormento pra você.
Pensei em você hoje. Pensei que você só é tão lindo aos meus olhos por que não existe mais. E a sua imagem idealizada é agora de outra. Pensei em você e queria te dizer que pensei. Mas não digo. Você vai morrer sem saber o quanto eu penso em você.

Sei que a tua solidão me dói ♪

domingo, 22 de maio de 2011

Turning tables


E é claro que haveria despedida. Como eu poderia não me despedir? Quantas vezes eu for embora, vou me despedir. Seria falta de educação fazer diferente. Mas tenho em mim que esse é a ultima.
Por tantas vezes estive certa de que nunca teria um fim definitivo, que era impossível ir embora. Não digo que estava errada; impossível saber. Mas agora me parece um pensamento exagerado. Acho que era mais vontade do que um fato. Eu queria ter você sempre. Queria que algo na minha vida fosse pra sempre. Depois de tantos anos, eu ainda creio em eternidade. Quanta inocência, não?
Passei a me convencer de que não, que não existe pra sempre e que, sim, as coisas acabaram. Que a gente acabou. Que não tem mais nada pra viver. Não tem praia, não tem carnaval, não tem casa vazia ou olhares tentadores. Não tem mais nada.
Seria lindo se o mundo fosse diferente, não é? Se nós conseguíssemos nos suportar, se conseguíssemos passar por cima de nossas diferenças e temperamentos para estarmos juntos. Uma pena conto de fadas não existirem. O nosso seria lindamente desastroso. Seria quase um desastre.
Um desastre. E você nem entende as piadas que eu faço pra mim mesma sobre nós dois. Você nem sabe tantas das coisas que giram pela minha mente. Nesse momento, você também não entende minha necessidade de ir embora. Aliás, você nunca me entende. Mas foi assim mesmo que o encanto surgiu. E foi embora.
É, foi embora.
É, acabou. De novo.

So I won't let you close enough to hurt me ♪

quarta-feira, 18 de maio de 2011

Cartas para Jerry


Por que ‘tem que ser’? Por que simplesmente não é? Fico vagando nessas idéias do que seria destino, do que seria o certo, do quanto nossas escolhas repercutem em toda a nossa vida. E não entendo. Acho que, na verdade, eu fujo da realidade por que quero as coisas da forma como fantasio em minha mente adolescente. Por mais que eu não deixe demonstrar, vejo que, cada vez mais, eu sou uma garota fantasiando um amor platônico, um conto de fadas que nunca existiria. Um conto de fadas do século XXI, no qual o príncipe não anda de cavalo, mas faz o melhor sexo do mundo.
Bobeira, no fim das contas é pouco pra sonhar e muito pra exigir. Coisa demais pra fantasiar e quase nada pra realizar. Constantemente me canso de mim mesma, dos meus dramas, das minhas burradas. Aliás, eu to cansada de mim pra caralho, não me agüento mais. Aí, será que alguém ta afim de trocar de personalidade? Troco a minha por um ingresso do Rock in Rio. Contanto que não seja pro show da shakira, eu tenho mais valor que isso.
Os strokes gritam e fazem a maior bagunça, o engraçado é que eu me sinto em casa com tudo isso, é como se eles estivessem roubando meu lar. É como se eu tivesse me vendido pro ‘normal’. Imagine, eu, normal... Piada.
Não me imaginava aqui de novo, eu fantasio demais. Às vezes esqueço de viver, esqueço de seguir as coisas que digo. Esqueço o que faço, esqueço tudo. Fantasio demais.
Por que tem que ser? Odeio me sentir obrigada a fazer as coisas, odeio que as pessoas tenham vontades. Quero que todos me obedeçam, quero tudo do meu jeito. Quero um escravo.
Pelo menos um.

So I set fire to the rain ♪

terça-feira, 10 de maio de 2011

First


No olhar do outro lado havia uma malícia quase infantil. Era como se o sexo fosse um brinquedo pelo qual ansiava há muito tempo, e mesmo depois de brincar mil vezes, no fim ainda dizia “de novo, de novo”. Aquela infantilidade adulterada me encantou a ponto de me envolver na brincadeira de amar. Infelizmente, não nos demos conta de que a gangorra do amor exige muita habilidade pra se manter equilibrada. A maior parte do tempo, quando um está por cima, o outro está por baixo. Não era o tipo de brinquedo do qual você descia e queria de novo. O sexo é mais como um escorregador, você desce em uma total emoção que nunca parece suficiente. Você quer sempre repetir, quer sempre mais.
A infantilidade foi se esvaindo, a malícia nem tanto. Aquela criança que gostava tanto de brincar de adulto foi embora e jogou seus brinquedos fora. Agora ele gosta mais de jogos de estratégia. Saudade da infância...

Talkin' 'bout my girl, my Girl ♪

domingo, 8 de maio de 2011

Desapego


O que dizer sobre o ‘fuck it’? “Fuck it’ é o meu novo lema, é minha ideologia, é o que eu quero seguir. O que para muitos parece um ‘foda-se’, para mim, vai além. Não se trata só de tocar o foda-se, o ‘fuck it’ fala de desapego, de alegria, de parar de dar corda pra tristeza. Se aquele algo/alguém não te faz tão bem, não te alegra tanto... FUCK IT, esquece, desapega, deixa ser. Se você está na faculdade e não tem tanta certeza quanto ao curso que você está cursando... FUCK IT, se você não tem certeza, provavelmente não é, e corra atrás do que você gosta independente de estabilidade financeira. Você adorou o cara, mas ele não te ligou no dia seguinte? FUCK IT, se ele não ligou, é por que não gostou tanto quanto você e PRONTO.
Começo a acreditar que o ‘fuck it’ se trata de descomplicar, de deixar de levar com tanta seriedade. Se trata de simplicidade, de calmaria. De levar a sério apenas o que realmente importa. Começo a achar que é exatamente o que eu estava precisando...

Live and let die ♪

sexta-feira, 29 de abril de 2011

É, acabou.


É claro que eu queria dizer tudo isso pra você, queria conseguir explicar todos os meus pontos de vista e queria que você estivesse disposto a ouvir. Mas é essa a questão, você não se importa. Tudo que você disse que era paranóia minha; tudo que eu achava que era loucura da minha cabeça, acabou por se concretizar. Mas não, a sensação de ‘eu estava certa’ não é tão boa quanto previ.
Logo após eu dizer que quero tudo, que quero muito; você me oferece metade. Não, eu não aceito migalhas. Parece que você não é tão bom em interpretação de texto.
Não é como se fosse o fim definitivo, afinal, uma vez você mesmo disse que o nosso encanto nunca acaba, é ‘amor de verão’. Se acaba ou não, eu não sei. Mas sei que não acabou, sei que ainda temos algumas voltas para dar. Isso não quer dizer que o atual ‘fim’ não doa. Isso não quer dizer que eu não me sinta frustrada por, após 1 mês de tanto tormento, acabar por morrer na praia. E fica um gostinho de amargo, sabe? Do tipo, ‘eu não queria que fosse assim’. E você até tenta escovar o dente, comer um doce. Mas não é assim que passa; o gosto não é tão superficial quanto parece.
Talvez eu esteja sendo uma tola mesmo, uma otária. Talvez você esteja cagando e já tenha até partido pra outra. ‘Talvez’, não, essa é a coisa mais provável a acontecer. E, ainda assim, eu fico esperando uma mensagem. Eu entro nas redes sociais e espero algo seu, mesmo que uma indireta. Eu espero algo que mude esse quadro, que me dê esperanças. Mas tudo que eu vejo são todas as minhas inseguranças e medos se concretizando. Eu não fui pra você tanto quanto você dizia.
Foi burrice da minha parte, aliás, acreditar que você dizia a verdade. Por que, cada vez que você dizia algo eu repetia na minha mente ‘é mentira, não seja tola’. Mas, você sabe, às vezes a mente nos diz coisas que entram por um ouvido e saem pelo outro. E a gente se deixa levar por uma carência boba, por sentimentos fúteis que querem tanto que aquilo seja verdade, que ignoram os sinais óbvios de mentira, ignoram a própria racionalidade.
Eu sabia o tempo todo, como isso iria terminar. E, ainda assim, insisti, lutei, dei minha cara a tapa. Talvez você continue me vendo como uma derrotada, como alguém que não luta por aquilo que quer. Mas eu lutei, lutei tanto pelo que eu queria que não me dei conta de que aquilo não me fazia bem. Agora eu não luto pelo que eu quero, luto pelo que me faz bem.
E, por mais que eu não queira, você continua visitando os meus sonhos. E eu acordo com uma vontade tão grande de ter você de volta que até esqueço que nunca tive você.

E quando eu falo que eu já nem quero, a frase fica pelo avesso, meio na contra mão ♪

quinta-feira, 28 de abril de 2011

Cartas para o Catete


E você olha pro teclado e se pergunta como juntas as letras, olha pra tela e se pergunta como encontrar palavras. Quer dizer, como descrever? Que vocabulário usar? De que forma dizer? Não tem como, as letras não são suficientes. Nem as línguas, nem a pontuação. É tudo muito vago, muito pouco; insuficiente, eu diria.
É essa a palavra: insuficiente. Não suporto o pouco, o menos, o quase alguma coisa. Não sei viver de migalhas. Quero muito, quero grande, quero tudo. Não tenho saco pra essa coisa de limite, de equilíbrio. Não tenho paciência pra esperar. Quero muito, quero tudo e quero agora! Se não for agora, também não será nunca. Não me arrasto em cordas que limitam meu caminhar. Não me prendo a nada que não me satisfaça por completo. Se não for com um, será com outro. E se ninguém souber me dar, eu terei de todos. Mas eu terei. Sem eu não fico.
Eu quero muito e eu quero agora. Não tenho saco pra esperar o tempo passar.
Fuck it.

Fica mais uma semana, nesse tempo a gente engana ♪

sábado, 16 de abril de 2011

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Mentira


A verdade é que você me desmotiva a falar a verdade, a ser sincera. Acho que você não quer que eu seja. Acho que, no fundo, você quer mesmo que eu finja que não ligo; que demonstre um desinteresse que nunca existiu.
Queria que fosse diferente, queria conseguir ser enganada pelas suas mentiras, queria não me preocupar com um sofrimento futuro. Mas, na verdade, eu já passei por isso tantas vezes que não acho que possa me dar ao luxo de cometer os mesmos erros. De que ia adiantar? Nem mesmo de aprendizado ia servir, essa lição eu já aprendi. E desejo, desejo passa... Desejo a gente mata com quem vale à pena.
A verdade é que eu me apaixonei por você no começo, bem no comecinho, me encantei com o seu jeito doce, com a forma como você agia comigo. Só depois de muito tempo eu percebi que você não fez pra me enganar, e muito menos por que você gostava de mim e depois esqueceu. Você fez por que achou que gostava, fez pelo calor do momento. O problema é você não pensar nas conseqüências dos seus atos. De alguma forma, eu continuo passando por cima das coisas por você, por querer estar com você. Continuo desejando um alguém que eu sei que não sabe me fazer feliz, e nem se importa em fazê-lo.
Talvez eu seja louca mesmo, talvez tenha perdido a noção de realidade, talvez não saiba mais o que é certo e errado. Mas o que me caracteriza assim não é o fato de não querer mais estar com você. Mas exatamente o fato de continuar querendo, depois de tudo.

“Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro.”

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Na gaveta


Ficaram as marcas no corpo. Ficaram as cartas escritas há lápis, os poemas feitos em papel higiênico. Ficaram as fotos mal batidas, os planos não feitos e os sonhos não realizados. Ficou uma vida interrompida. Nunca mais vamos sorrir ao lado um do outro, nunca mais vamos planejar nosso futuro, nossa casa, o nome de nossos filhos. Nunca mais vamos andar de mão dada, dividir um cigarro de madrugada ou transar escondidos. Nunca mais vou dizer que te amo olhando nos seus olhos, ou gritar que te odeio pelo telefone, nunca mais vou correr na chuva pra te encontrar, nunca mais vou marcar o horário certo que você passa em frente à escola pra estar parada lá. Nunca mais vou me entregar tanto a alguém, amar com tanta intensidade ou sofrer com tanta força.
Por muito tempo considerei isso irrelevante, até perceber que não vou viver isso com você, e nem com ninguém. Achei que seria capaz de reconstruir tamanho sentimento com outro alguém, mas eu sei que não é possível. Nem pra mim, e nem pra você. Não importa quantas passem pela sua vida, de alguma forma eu sei que você vai me procurar nelas. Assim como procuro você neles. Mas o que vivemos morreu com as pessoas que fomos.

A letra do seu nome ainda pulsa nas minhas veias. Pulsa mais forte quando eu vejo que nem o tempo conseguiu apagá-la. Ele apagou do meu coração, mas algo me diz que nunca vai apagar da minha pele. Nem das minhas lembranças...

No hope, no love, no glory.. No happy ending ♪

quinta-feira, 31 de março de 2011

O caminho certo


E por algum motivo a vida entregou a felicidade em minhas mãos... e tirou logo em seguida. Por alguma razão não explicável a distância gritou em meus ouvidos que era hora de ir, e eu fui. Sem ter muita certeza do que era certo, sem saber muito bem o valor real das coisas. Por momentos bobos eu dei valor ao fútil, prestei atenção no bonito e não no importante. De alguma forma eu fui errando e errando, até me acostumar aos caminhos tortos que eu desenhei. E ainda assim, ainda com todos os tropeços, arranhões e mágoas eu encontrei um ponto de apoio. Um ‘porto seguro’, encontrei algo pra recorrer, pra valorizar acima de tudo. Encontrei fé na vida, paz no coração. Não, paz não; paz eu só vou ter mesmo quando puder ter por perto a minha fonte da vida. No momento, acho que encontrei foi amor.
A lição é incerta, mas dá sinais de crescimento. Tudo por você, com você, graças a você. Não digo que meus caminhos tortos me levaram a você, na verdade, você chegou a mim pelo tropeço dos outros. É nessa hora que eu vejo que todo erro tem seu acerto. O acerto da vida foi me trazer você.


Just the way you are ♪

segunda-feira, 28 de março de 2011

Something like faith


Não dá pra crer que um dia as pessoas vão se dar conta dos seus erros, que vão pedir desculpa pelo sofrimento causado ou que vão se arrepender de suas atitudes. Não dá pra ter esperança de uma atenção a mais ao que o outro sente, não dá pra esperar o que não chega, o que não se conclui.
Fica difícil ter fé nas pessoas, quanto mais você deposita sua confiança mais você quebra a cara, mais você se decepciona. É mais fácil simplesmente não confiar, não crer, não levar a sério.
Se tá difícil confiar nas minhas próprias palavras, imagine a dos outros. Só queria que cada um estivesse por 1 minuto no meu corpo. Não sei se bastaria para entender, mas creio ser o suficiente pra aceitar. Não sei explicar como me sinto ou o porquê das minhas mágoas, mas queria ser mais nítida nos meus desagrados, queria que as pessoas vissem sem que eu precisasse dizer. Queria poder falar e ter a certeza de que tem alguém realmente ouvindo.

I need a doctor, call me a doctor ♪

sexta-feira, 25 de março de 2011

Better


Às vezes eu tento lembrar como é estar apaixonada, como é amar e ser amada, como é dizer ‘eu te amo’. Esqueci, apaguei, me ausentei dessas lembranças. Tenho medo de sentir de novo, nem sei dizer se ainda sou capaz. Acho que não consigo, acho que vou travar no momento que me ver apaixonada por alguém de novo. Não sei dizer, sempre me pareceu natural, as paixões vinham e iam, quando me dava conta, já tinham acontecido. Hoje, no primeiro sinal de carinho a mais, fico tensa, tenho medo; volto aos jogos, às fugas, às incertezas.
Não sei dizer se já fui mesmo capaz de amar, se realmente me entreguei ou se criei na minha mente uma idéia de entrega, não consigo me lembrar de como era. Não consigo conceber a idéia de um novo começo sem pensar em um novo fim, sem lembrar de tudo o mais.
Não sei dizer se estou de fato danificada ou se é algo de que devo me alegrar, não sei se vai ser melhor pra mim, permanecer distante desses sentimentos que nos deixam tão vulneráveis e a mercê de outro. Não consigo voltar a me entregar, é uma idéia devastadora.
Tenho, cada vez mais, a certeza de que o medo vai falar mais alto que os outros sentimentos quando eles chegarem. Se é bom ou ruim, não sei dizer. Mas sei que me assusta. Tenho medo do medo.

If I were you I'd manage to
Avoid the invitation
Of promised love that can't keep up
With your adoration ♪

terça-feira, 22 de março de 2011

All about you


Não creio que seja simples de entender, portanto não se sinta envergonhado ou acanhado ao se dar conta de que você nunca será um cara bom. Não digo perfeito, você não é nem se quer bom. Digo na vida, na cama você ótimo, mas é só mais um. Na vida, você nunca vai ser só mais um, vai ser aquele que deixa lembranças desagradáveis, que nos desperta sentimentos indesejáveis; você é aquele grosseiro, que não sabe elogiar sem destruir o momento, que não sabe fazer carinho sem machucar. Você é o tipo de cara que já teve várias mulheres e ainda assim não sabe como elas funcionam, passou por vários relacionamentos e ainda não conhece as regras básicas de um. É aquele tipo de cara que não sabe conduzir as coisas, não sabe mudar uma situação pra melhor. Faz tempestades no copo d’água por coisas pequenas e nunca leva a sério as coisas relevantes. Você é aquele cara indesejável, que acorda a mulher no meio da noite com uma ligação de bêbado tarado justamente no dia que vocês brigaram. Intransigente, egoísta e machista. Não sabe passar a segurança que toda mulher precisa pra se sentir bem. Você é daqueles que faz uma mulher se odiar por décadas. E te odiar mais ainda.
Mas não se sinta mal, não digo isso por que quero fazer você se sentir mal, apesar de me sentir bem quando você se sente mal. O motivo deste depoimento é pra você ver que, apesar do lixo de homem que você é, apesar de eu poder passar a vida dizendo o quanto odeio você, apesar de tudo... Quando eu olho nos seus olhos a única coisa que eu me lembro é o quanto eu quero te beijar e te odiar bem de perto.

So Id do it all over again ♪

segunda-feira, 21 de março de 2011

sexta-feira, 11 de março de 2011

Só então compreendi o que eram “olhos de ressaca”. Ao encarar seu olhar ainda sonolento sobre o meu, naquela manhã, me senti consumido, devorado, dominado, fora de controle. E, pela primeira vez, esqueci o mundo a minha volta. Esqueci as horas, o clima, as pessoas. Só existia o seu olhar, depois seu sorriso e só depois, por incrível que pareça, seu corpo. Já era tarde, não se pode voltar atrás depois de se sentir dessa forma, não se pode fugir.

Long Distance


No abraço ficou o vazio. Ficou a ausência dos pequenos braços em volta do pescoço, do pequeno sorriso e do pequeno rosto. É como se fosse uma miniatura de amor que corre para todos os lados, deixando um pouco de sua graça aonde vai. Mas, por ser miniatura, não se trata de um amor pequeno. É, na verdade, uma personificação pequena de um amor gigante. É a solidificação do que não se toca. Só consigo representar desta forma. É a solidificação do próprio amor.

E apesar de não considerar possível encontrar tanto amor em qualquer outro ser humano, sinto que voltei mais frágil, mais aberta a um sentimento que foi banido da minha vida há algum tempo. Não tenho dúvidas que alguém com tão pouco tempo de vida possa me ensinar mais coisas do que idosos bem vividos. Não tenho dúvidas de que eu esteja aprendendo uma das lições mais difíceis que precisei aprender. A amar por completo.

Mas a questão maior é o tempo. O tempo perdido. A distância não seria nada se o tempo permanecesse no mesmo lugar. O pior é saber o quanto perdi e o quanto vou perder, é saber que, após conhecer tanta felicidade, preciso manter-me longe dela. Saber que nunca vou esquecer o seu rosto, mas em poucos dias, esquecerá que passei...


Não sei se o mundo é bom, mas ele está melhor desde que você chegou ♪

quinta-feira, 10 de fevereiro de 2011

Samba a dois


O casamento é uma das convenções sociais mais antigas do mundo. E, ainda assim, não conseguimos entendê-lo. Qual é o limite do casamento? Até onde é necessário que uma pessoa ature a infelicidade em nome desta união? Vemos vidas desmoronarem após o fim do matrimonio, vidas que, às vezes, nem se quer eram as envolvidas, nem se quer escolheram estar ali. A fórmula do casamento pacífico se chama indiferença. É só quando você deixa de se importar, abre mão de seus desejos e passa a ignorar os fatores exteriores que o casamento passa a funcionar. E que fique claro, eu disse o casamento pacífico, não feliz. O casamento feliz é inalcançável, em algum momento alguém faz um merda e BUM, acabou-se a felicidade. O casamento dura tempo demais pra ser feliz.
A maior parte dos sacrifícios feitos pelo casamento não são feitos por amor, são feitos por egoísmo. Sim, egoísmo. Egoísmo por que você não quer manter a pessoa por que a ama, mas por que tem medo de falhar. Medo de falhar diante da sociedade, diante de si, diante da união divina. Depois de 20 anos de casado a probabilidade de ainda existir amor na união é muito baixa. O que existe ainda é medo, medo da vida nova que pode existir, uma vida com a qual você não está adaptado. Medo da solidão, medo de sair da sua zona de conforto.
O casamento duradouro se mantém, na maior parte do tempo, por comodismo. Por que é mais cômodo aceitar um relacionamento falido, mas ao qual você se habituou do que ir à luta para encontrar a felicidade em um algo mais, em outro alguém.
Eu me pergunto quanta humilhação algumas pessoas são capazes de aturar para manter um casamento. Até onde isso é amor, até onde é medo, até onde é doença... Me pergunto por que a sociedade insiste em nos impor deveres que não nos cabem, que não nos satisfazem, que nos degredem e nos machuca tanto.
O casamento é a imagem concreta de que a vida na terra é uma vida de sofrimento, de aceitar o que é preciso. É uma vida de penúrias.
O pior no fim de tudo não é o fim, não é a saudade. É o fato de você ter quer desistir dos seus sonhos, desistir de tudo o que sonhou com aquela pessoa, da morte lado a lado, das viagens, dos futuros filhos... O pior do casamento é que as pessoas continuam acreditando nele, continuam sonhando com ele e continuam se deixando sofrer por ele.

Não, eu não sambo mais em vão ♪

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Montanha Russa


O mais engraçado é que por mais que eu odeie seus defeitos, suas brincadeiras e seus conceitos errôneos. Por mais que eu odeie a forma como você demonstra suas insatisfações, por mais que eu odeie tudo o que você gosta e você odeie tudo o que eu gosto. Por mais que, nem por um segundo, nós tenhamos absolutamente nada em comum, não conseguimos sair da vida um do outro. Não conseguimos deixar de gostar, deixar de querer estar junto, mesmo que às vezes a vontade mais forte seja a de matar um ao outro, quase sempre o que nos conduz é um desejo e uma química insuportáveis, uma história sem pé nem cabeça.
Eu sei que nunca daríamos certo na proximidade, que a coisa só anda devido a essa distância que nos matem seguros e longe de um homicídio passional. Mas essa relação que mais parece uma montanha russa me faz rir de nós dois, me faz pensar que Deus não nos mantém juntos por tanto tempo a toa, me faz pensar que temos muito o que aprender, crescer e evoluir um com o outro. Claro, essas são palavras que nem entram no seu vocabulário, você às vezes parece não conhecê-las. Mas tudo bem, eu sei que, com muito esforço e vontade, boto na sua cabeça um pouco do que preciso.
E, sabe, por mais que sejamos opostos, eu sei que você se parece muito comigo, nos meus piores defeitos. Esse seu gênio insuportável, sua teimosia, seu orgulho bobo, esse seu egoísmo, sua mania de achar que tudo tem que ser do seu jeito... Quando penso em você por esse lado até acho que estou falando de mim.
É insuportável ser tão parecida e tão diferente de você, é um saco saber que, por mais que seja passageiro, nunca vai passar. Por que, a gente vai crescer, mudar, casar e ter filhos. Mas eu tenho certeza que não vamos esquecer, isso se ainda não estivermos brigando, batendo pé um com o outro. Isso se você não virar do nada e dizer “estou com saudade, vou aí amanhã”
Pra falar a verdade, mesmo quando eu to brigada com você, eu adoro ouvir isso. Adoro seu jeito irritante, machista e marrento. Adoro e odeio tanto você, que essa relação só daria certo estando perto e longe, como sempre estivemos.

Te ver e não te querer, é improvável é impossível ♪

terça-feira, 25 de janeiro de 2011

A verdade


O que eu queria mesmo era poder ao menos dizer pra mim mesma que as coisas podem voltar a ser como antes. Que, com um pouco de esforço, esse gelo derretia e no fundo estaria a nossa amizade de sempre. Que, na verdade, o “pra sempre” existe, sim. Mas ele deu umas férias e logo ele volta pra juntar a gente de novo, pra me fazer quebrar a cara e me mostrar que eu sofro demais por antecipação.
A verdade é que o que eu quero não vai acontece. A verdade é que passou tempo demais pra qualquer um dizer que eu estou me antecipando. Ou que ainda é possível ser o mesmo.
A verdade é que meu coração parece subir e entalar na garganta cada vez que vejo você com seus outros amigos, cada vez que eu vejo que não me incluo mais, que não faço parte. A verdade é que eu me sinto pior ainda quando vejo que isso é só da minha parte, que você não sente a mesma falta, a mesma angústia, a mesma raiva do destino e de dós duas.
O que eu queria era saber que, dizendo essas coisas, tudo mudaria. Você voltaria a me amar como amou antes e poderíamos recomeçar, mesmo que não do mesmo jeito. A verdade é que eu não sei se tenho coragem de começar de outro jeito, não sei nem mesmo como seria possível, parece impossível sermos nós duas e, ainda assim, não sermos. Parece impossível estar ao seu lado sem estar. Te amar sem ser o mesmo amor.

Pra ser mais sincera ainda, eu odeio tudo isso. Odeio a pessoa que você se tornou e o fato dessa pessoa nem ao menos se dar ao trabalho de me odiar. Odeio a tranqüilidade com que você age, como se a vida continuasse maravilhosa sem que eu esteja nela. Odeio seus amigos, suas brincadeiras, suas piadas, sua imaturidade. Odeio seu futuro sem mim.

Eu abri seu Orkut pra escrever tudo isso por depoimento, por que eu sou covarde demais pra dizer na sua cara. E então me dei conta que sou mais covarde ainda ao não conseguir se que direcionar isso a você, seja como for.

Se põe na água quente vira uma canja ♪