
Eu fico observando as pessoas a minha volta, vivendo suas vidas e parece que sou apenas um telespectador, como se eu não tivesse minha própria vida, como se não estivesse vivendo. É como um pássaro dentro de sua gaiola, que fica observando todos os outros irem para onde querem, fazendo o que querem. O pássaro da gaiola voa o quanto pode, dentro de seus limites. Limite esse que é curto demais. Eu quero voar além dos limites, não quero viver minha vida como eu posso, quero vive-la como eu quero.
Eu vejo os efeitos do meu cansaço e do meu estresse se expressando no meu próprio corpo, até mesmo meu olhar é diferente. Não é que EU não agüente mais, é o meu próprio corpo que não suporta mais tudo o que precisa suportar. Minha mente está saturada, também já não sou capaz de raciocinar direito, minha fala agora é lenta e eu esqueço o que estava dizendo enquanto digo. O pássaro está enfiando sua cabeça contra a grade da gaiola, numa tentativa de fazer mais do que se pode. Logo a cabeça dele vai explodir e o pássaro vira só uma metáfora na minha história.
Eu digo o tempo inteiro que todo esforço vale a pena, que tudo isso terá recompensa. E se não tiver? E se não valer a pena, afinal? Procuro o tempo inteiro passar segurança, tanto aos outros como a mim mesma. O que eu não sou capaz de assumir para o mundo é o quanto sou insegura e quanto medo eu tenho de viver, quanto medo eu tenho do futuro. É contraditório até, o fato de eu não conseguir me estabilizar na segurança de uma situação, me sinto angustiada. Parece que procuro por algo que me faça mal, por algo que deixe minha cabeça martelando. O ser humano é tão imperfeito e estúpido que sabe apenas se dar por feliz diante de obstáculos, ele só é feliz quando tem algo do que reclamar. A imperfeição procura o imperfeito.
É como aquela história de as pessoas só darem valor a algo quando perdem. Isso me lembra uma história que ouvi esses dias. Ela disse o seguinte: “Por muito tempo eu fui um brinquedo na sua mão, você brincava comigo e quando enjoava deixava de lado. Depois de algum tempo você sentia minha falta e repetia o ato, brincava e jogava fora. Esse ciclo se repetiu muitas vezes. Até que uma vez você me jogou para o lado e outro me encontrou, pegou do chão e levou para casa. Agora eu pertenço a um alguém que me trata bem, que me guarda com carinho. É tarde demais para me procurar, você perdeu.”
Clichê, definitivamente. Mas essa história só é clichê por que se repetiu inúmeras vezes, com inúmeras pessoas. Por que o homem não consegue se dar por satisfeito com o que possui, ele sempre quer algo diferente. E é só quando perde que vê o quanto aquilo lhe fazia feliz. Doce imperfeição. É quase bonito, se não fosse odioso.
O fato é que o mundo dá voltas e é apenas isso que me deixa feliz no momento, o fato de saber que se hoje ta ruim, amanhã vai melhorar. Ou não.
I wanna be sedated ♪