“fill all my holes”
De todas as frases marcantes do filme “Ninfomaníaca” essa é,
de longe, a que mais me marcou e atingiu.
Uma pessoa que sempre sentiu que uma parte de si faltava
tende a achar que em outros vai encontrar sua parte perdida. Busca de diversas
formas encontrar e preencher seu vazio no outro.
As pessoas possuem em si essências e personalidades diversas
que vão acabar por preencher nessa pessoa vazio os buracos. Por algum tempo.
Mas nunca, nunca por inteiro essa pessoa se sentirá preenchida.
Obvio está que o vazio sentido e o preenchimento pra ele
encontram-se na pessoa em si, mas não fica claro, em momento nenhum do filme –
ou da vida - que esse é um vazio constantemente encontrado nas mulheres.
É dito com frequência que somos exigentes demais, que
esperamos demais, que desejamos algo que pessoa nenhuma pode dar. A verdade é
que nunca nos foi dado o que temos por direito reivindicar.
Nosso direito de
nos sentir completas.
Mulheres passaram toda sua vida, desde sua infância remota,
ouvindo que devem encontrar um outro que as dê sentido na vida. Que um homem
dará a nós um motivo pra viver, que um homem nos dará um filho, que é esse o
motivo de uma mulher viver. As pessoas esquecem que somos, sim, completas por
nós mesmas. Dessa forma, perdemos nossa essência, nossa noção de que podemos
ser completas sozinhas, de que somos uma maré de ondas tantas que se auto
preenchem, satisfazem.
A vida nos ensina que nunca seremos autossuficientes e
acreditamos nisso, buscamos fisicamente preencher esses buracos, muitas vezes
em relações sexuais vazias que nos satisfazem fisicamente e nos esclarecem o
vazio interno que vivemos. Muitas vezes com a ideia de um amor que nunca nos
será inteiro. Por que não somos inteiras. Nunca seremos.
Homens esperam de nós que sejamos completas e os amemos por
inteiro, quando a sociedade não nos permite o amor próprio, quando o mundo nos
mina a autoestima.
Se não posso me amar, não posso amar você. Se não posso amar
nenhum nos dois, não posso me sentir completa.
Nunca serei completa. Nunca me amarei por inteiro.
Continuarei a preencher meus buracos físicos com relações
vazias em busca de uma plenitude que nunca obiterei.