quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

Olhando pra dentro


Esse ano eu não quis fazer retrospectivas nem promessas pro próximo ano. Acho tudo isso meio clichê e desnecessário, a gente promete coisas no dia 31 que descumpre no dia 1° e eu não quero me dar ao trabalho de sentir peso na consciência. Mas às 3 da manhã de uma noite cheia de vazio o U2 chegou aos meus ouvidos e eu senti que seria um pecado eu ir dormir enquanto aproveitava com rara satisfação esse momento de solidão. Então me entreguei às palavras, sem saber ao certo aonde me levariam, simplesmente me joguei nessa tal esperança de fim de ano pra pensar que o que eu quero mesmo pro próximo ano é mais maturidade, evolução espiritual, intelectual e, principalmente, moral. Quero parar de tropeçar tanto nos meus defeitos e medos, nas minhas angustias vazias e fúteis, nos meus valores maus formados. Eu quero crescer como ser humano e como espírito. Não quero parar de fumar, não quero entrar na academia, não quero beber menos ou me dedicar mais aos estudos. Se for pra esperar algo, pra prometer, que seja algo grande, algo forte, algo realmente importante. Eu não quero mais valorizar o pequeno.
E, é claro, provavelmente em dezembro de 2011 eu estarei sonhando as mesmas coisas, triste por saber que cometi os mesmos erros, que cresci pouco, que podia ter sido melhor. Sempre pode. Mas eu vou prometer, por que, afinal, eu sou um clichê de mim mesma.

I'm just trying to find a decent melody
A song that I can sing in my own company ♪

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Adeus você


O cheiro da chuva e das árvores chegou às minhas narinas e imediatamente me lembrei de um momento parecido há muito tempo atrás. As circunstâncias eram totalmente opostas, mas, ao olhar para a janela e lembrar tudo aquilo, senti meu coração se encher de angustia e um algo que eu chamei de conformismo. Um conformismo gerado por uma aceitação quase imposta por mim mesma. Só mesmo uma aceitação poderia amenizar a angustia que fazia meu estômago se revirar. Angustia diante das coisas que eu não posso entender, angustia diante daquelas que eu entendo e não consigo mudar, diante das que eu consigo mudar mas não quero. Tudo parece-me fora do alcance e sei que fui eu que pus meus desejos em um patamar tão alto. Não posso dizer que é por ambição de querer um algo melhor, mas por um sentimento autodestrutivo que toma conta das minhas decisões e escolhas, que me faz optar pelo que causa dor.
Sinto que devo deixar essas pequenezas pra trás, as decepções, as mágoas. Não quero mais me prender aos erros de uma alma tão errônea e pouco evoluída. Quero ficar longe das besteiras da vida terrena. Às vezes penso que vim antes do tempo, que ainda não estava pronta para o que me esperava e me afobei. Assim como permaneço afobada aqui também. Quero abraçar o mundo com as pernas, quero tudo, faço tudo rápido, corro contra o vento. Ás vezes penso que isso se dá por que, no fundo, eu sei que não tenho tanto tempo para aproveitar tudo que tenha pra aproveitar. Penso que não tenho tempo para todos os ensinamentos que preciso ter. Tenho muito pouco tempo, pouquíssimo tempo. E tenho medo demais...
Cheguei em casa com aquele cheiro ainda em minha mente, e com uma inspiração quase sufocante que tomou conta de mim. Procurei imediatamente por papel e caneta. Dei-me conta de que não mais procuro o lápis e borracha. Percebi que as palavras são como a vida, a gente erra com elas tanto quanto com a vida, mas, às vezes, o menor dos erros é o que muda tudo para um algo melhor, é aquele que nos deixa mais atenta para que não voltemos à cometê-los. Os erros não devem ser apagados, devem ser compreendidos, superados e aceitos. Os erros nos levam à algum lugar, e, pode se dizer, que para um lugar bem melhor.


Se quer saber... Deixa estar ♪

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Tornado


Tudo foi um erro. Sim, como você, também me sinto arrependida. Já sabíamos que seria assim, talvez você tenha demorado, mas sei que agora você vê as coisas como eu, por um ângulo diferente. Escrevi sobre um momento parecido há meses atrás, não era uma previsão, era o que tinha que acontecer. Por que nós somos assim, é inevitável. Mas eu não quero mais isso, eu quero o mais simples, eu quero o pouco que sobrou.
Não quero dar as costas pra isso e sei que não conseguiríamos também. Cedo ou tarde, a gente volta ao nosso padrão. Por que é assim que é. E, pra quem anda tentando fugir há muito tempo, eu desisti rápido demais. Ainda acredito que, aos poucos, saberemos transformar esse transtorno em um piada na mesa do bar, em uma risada entre amigos que souberam passar por cima de tudo. De tudo.

Now I know we said things
Did things
That we didn't mean
And we fall back
Into the same patterns
Same routine
But your temper's just as bad
As mine is
You're the same as me
But when it comes to love
You're just as blinded
(…)
Maybe our relationship
Isn't as crazy as it seems
Maybe that's what happens
When a tornado meets a volcano

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Pequeno príncipe


"E foi então que apareceu a raposa:
- Bom dia, disse a raposa.
- Bom dia, respondeu polidamente o principezinho que se voltou mas não viu nada.
- Eu estou aqui, disse a voz, debaixo da macieira...
- Quem és tu? perguntou o principezinho.
Tu és bem bonita.
- Sou uma raposa, disse a raposa.
- Vem brincar comigo, propôs o princípe, estou tão triste...
- Eu não posso brincar contigo, disse a raposa.
Não me cativaram ainda.
- Ah! Desculpa, disse o principezinho.
Após uma reflexão, acrescentou:
- O que quer dizer cativar ?
- Tu não és daqui, disse a raposa. Que procuras?
- Procuro amigos, disse. Que quer dizer cativar?
- É uma coisa muito esquecida, disse a raposa.
Significa criar laços...
- Criar laços?
- Exatamente, disse a raposa. Tu não és para mim senão um garoto inteiramente igual a cem mil outros garotos.

E eu não tenho necessidade de ti.
E tu não tens necessidade de mim.

Mas, se tu me cativas, nós teremos necessidade um do outro. Serás pra mim o único no mundo. E eu serei para ti a única no mundo... Mas a raposa voltou a sua idéia:
- Minha vida é monótona. E por isso eu me aborreço um pouco. Mas se tu me cativas, minha vida será como que cheia de sol. Conhecerei o barulho de passos que será diferente dos outros. Os outros me fazem entrar debaixo da terra. O teu me chamará para fora como música.

E depois, olha! Vês, lá longe, o campo de trigo? Eu não como pão. O trigo para mim é inútil. Os campos de trigo não me lembram coisa alguma. E isso é triste! Mas tu tens cabelo cor de ouro. E então serás maravilhoso quando me tiverdes cativado. O trigo que é dourado fará lembrar-me de ti. E eu amarei o barulho do vento do trigo...
A raposa então calou-se e considerou muito tempo o príncipe:
- Por favor, cativa-me! disse ela.
- Bem quisera, disse o principe, mas eu não tenho tempo. Tenho amigos a descobrir e mundos a conhecer.
- A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não tem tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se tu queres uma amiga, cativa-me!
Os homens esqueceram a verdade, disse a raposa.
Mas tu não a deves esquecer.
Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas"

segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Protetor solar


Ele cheirava a protetor solar. Me lembrava um dia de verão. No entanto, seu gosto não era salgado como o mar, mas doce como uma água de coco gelada em um dia de calor. Sua risada me lembrava às férias, a não preocupação. Suas histórias me lembravam um filme de comédia, daqueles que faz você se sentir melhor. Nunca mais o vi. E penso que foi melhor assim. A perfeição daquele momento só poderia ser preservada diante da nossa ignorância. Não nos conhecendo, poderíamos ser quem quiséssemos; até nós mesmos. Quanto melhor nos conhecêssemos, mais consciência teríamos um do outro, dos nossos defeitos, e nada mais seria perfeito. A felicidade se conserva no superficial. Em um dia de praia, em um desconhecido. Em um fim de tarde sozinho no topo da montanha. Nos momentos que só acontecem uma vez.

E agora eu vejo, aquele beijo era mesmo o fim ♪

domingo, 5 de dezembro de 2010

E eu, que pensei ser capaz de amar apenas você, me dei conta de que não tenho capacidade para amar.

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Fire


A verdade é que, involuntariamente, eu continuo me prendendo ao meu passado. É como se, dessa forma, eu continuasse ligada à minha essência. Mas meu passado deixou de ser atrativo ou emocionante. Não faz mais sentido permanecer presa a vocês.

Não me sinto capaz de prender-me a nada, quero ir embora, cortar os laços. Ao mesmo tempo, quero ficar, criar raízes, nunca mudar. A verdade é que eu procuro mesmo por uma evolução, não uma mudança. Apesar de que, as evoluções iniciam-se com mutações. Seria mais fácil se eu realmente soubesse o que eu quero.

Eu tinha uma idéia de que você era eterno, que a imagem que idealizei sobre você era única, que eu nunca conseguiria me livrar. Mas o fato é que você voltou; você mudou e destruiu a imagem de um homem perfeito que eu criei para você. Agora eu te olho e sinto como se estivesse vazia, você não faz mais sentido para mim. E o mundo dá voltas, não é mesmo? Quem diria que, um dia, seria você a inventar desculpas pra puxar assunto comigo. Quanta ironia.
Eu podia ter evitado tudo isso, eu podia nunca ter voltado a te procurar e preservado uma perfeição que existia apenas na minha imaginação, que foi gerada quando eu corrompi as verdades da nossa história. Apaguei tudo o que havia de ruim e me convenci de que a verdade era aquela. Agora eu sinto como se fosse preciso encontrar um novo eu pra mim, um novo rosto para o lugar em que, um dia, esteve o seu.
Eu sei que ainda vou retirar e repor muitas vezes o que eu digo. Por que, você sabe, eu nunca mudo. Por isso, vivo mudando.

But you know I’m a liar ♪

domingo, 28 de novembro de 2010

Não, eu não sambo mais em vão


De repente a vida dá uma reviravolta e nada mais faz sentido. Talvez sejam hormônios, quem sabe dizer? Emocional, espiritual, psicológico... Seja lá de onde surgiu o problema, ficou claro que ele não tem ligação com a realidade ou com a razão. Não posso dizer que tenho um motivo concreto para me sentir como me sinto. Sem razão alguma eu sinto uma vontade incontrolável de chorar, fugir, gritar... Tudo o que eu consigo pensar é “por quê?” Por que diabos isso volta a acontecer como um algo comum, com o qual eu preciso conviver? Por que me sinto incapaz de escapar dessa emboscada na qual eu mesma me pus? Eu podia ter ligado para outra pessoa, pensado naquela pra quem eu liguei, chorado por aquela que merecia. Eu podia ter dado mais uma chance, por que não?
Não dá pra saber, afinal, qual decisão é a melhor, não dá pra saber se eu vou me arrepender no futuro, se eu vou sofrer mais escolhendo o caminho que estou seguindo. Não dá pra saber até onde eu posso controlar meus sentimentos, mas que fique claro que aperfeiçoei tal prática e ela se encontra mais afiada que nunca! De qualquer forma, não sei dizer se é eficaz o suficiente.

Maldito fim que insiste em voltar, ressurgir, reiniciar minha vida numa outra direção que eu não quero seguir. Quando me acostumo, enfim, ele volta e muda tudo de novo. É um complexo de mutações do qual não consigo fugir. Minha vida não pode ficar estática, ela precisa mudar. Seja pra pior ou pra melhor.
Não sei dizer se eu comando as coisas ou as coisas me comandam. Só sei que algo que foge do meu controle leva meu corpo para algum lugar que minha mente sabe que não deve ir.
Os olhos e sorrisos não são tão honestos se você parar pra prestar atenção. Ninguém é.


Ele não sabe ser melhor, viu? ♪

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Banalizando a vida

O Rio está em guerra. Era de se esperar ou não? Não sei dizer. Só sei que, se chegou onde chegou, é por que foi permitido. Alguém sabia a proporção que isso estava tomando e deixou que tomasse. Por que? Acho que sou ignorante demais pra compreender determinadas coisas.
E a banalização da vida? A frase que mais li nos últimos dias foi “bandido bom é bandido morto”. WTF? Como assim? Parece que a solução para todos os problemas é matar, simplesmente saiam matando por que essas pessoas não têm alma, não tem coração, não merecem viver. Quem somos nós pra julgar a importância de uma vida? Por que agora todos pensam que podem decidir quem vive e quem morre? Mais uma vez isso me faz temer o futuro do país. É uma banalização da própria violência, a violência pela qual julgam todos esses bandidos por cometer é agora incentivada por aqueles que se sentem vítimas de violência. Isso me lembra a Revolução Indiana. Gandhi criou um protesto não-violento, pacífico. Sim, muitos morreram, muitos sofreram. Mas nos mostrou que pode-se conseguir o que deseja sem que use a força bruta, sem que se use de armas. Claro, no caso do Rio isso seria impossível. Mas por que não tomar como exemplo e tentar se esforçar por paz? Como desejar a paz se deseja-se a morte brutal e violenta de outro ser humano? Outro ser assim como todos os outros. Não importa o que este escolheu para sua vida, ele ainda é um ser. Considero inadmissível essa afirmação de que a violência é o caminho e só assim chegaremos aonde queremos. Não é assim que eu quero construir o mundo do futuro, não quero um retrocesso ideológico. Quero que os princípios das pessoas sejam a preservação da vida humana acima de tudo, o progresso pessoal. Não custa sonhar, não é?

Fora de mim

De repente o passado deixa de fazer sentido, é como se nunca tivesse acontecido ou que fosse com outra pessoa; não é como se eu realmente tivesse vivido e sentido aquelas coisas, amado aquelas pessoas. Tudo mudou. Eles, eu, o mundo. Aquelas músicas não machucam como machucavam, aquelas palavras não fazem mais tanto sentido ou mexem tanto como mexiam... É, agora eu sou de fato outra pessoa.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

No canto



Às vezes chega uma hora que não dá mais pra tentar agradar todo mundo, não dá mais pra fazer a coisa certa. Nessas horas eu entendo você, sua vontade de fugir dos seus compromissos, de não enfrentar os seus medos e as conseqüências dos seus erros. Você procura uma forma de não se machucar mais, é mais fácil viver caindo pelos cantos nas mãos de um desconhecido do que chorando nas mãos de um amor. Eu quase admiro você nessas horas. Afinal, somos diferentes. Eu escolhi me envolver com as minhas escolhas e não deixá-las de lado por uma opção mais fácil. Não é fácil enfrentar nenhuma das nossas escolhas. Sofremos da mesma forma. Cada um do seu jeito.
Levar a vida como se não fosse nada sério e deixando que os outros tomem suas decisões é tão fácil que é tentador não sucumbir a isso. Você encontrou pessoas pra partilharem destas bobeiras com você, as pressões da vida ficam mais suportáveis e eu confesso que invejo e até sinto ciúme destes, estão tão perto de você. Às vezes você parece intocável, inalcançável. Em pensar que estive tão perto disso, de vocês. O que me distanciou, afinal? Como foi que me tornei um ser tão oposto e distante do seu mundo? Acho que me perdi no nosso caminho, nunca fomos parecidas e talvez você fosse apenas um momento na minha vida, uma ilusão que eu precisava viver. Eu precisava conhecer um algo além da dor. E posso dizer que você fez um trabalho e tanto, o tempo ao seu lado foi mágico. Me lembre de, algum dia, te agradecer por isso, ok?
Espero que, algum dia, eu esteja caída pelos cantos e você seja o desconhecido que vai me ceder os ombros. Como tantas outras vezes você o foi. Parabéns pelo seu futuro, pelo rumo da sua vida, por ser tão encantadora. Te amei de uma forma insuportável

Cause we are best friends, right? ♪

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Love the way you lie



- Your world would be easier if I didn't come back
- That's true. But it wouldn't be my world without you in it


Ele me olhava com um olhar assustado, quase atordoado eu diria. Os minutos que precederam àquele foram realmente desconcertantes. Bocas, mãos, unhas, dentes e membros se perdiam em meio à tanto suor e excitação. Era um momento único, impossível de se repetir. De repente, seu olhar mudou e abriu-se um sorriso em seu rosto. Eu diria um sorriso de satisfação, mas não era só isso. Era um sorriso de promessa, de alguém que espera um futuro. Quem se sentiu atordoada e assustada fui eu. Imediatamente jorraram de sua boca palavra que eu não queria ouvir, palavras de amor, promessas de um futuro, esperança em uma eternidade da qual eu não acreditava. Depois de tudo que vivemos, não consegui acreditar que ele realmente acreditava nas coisas que dizia. Eu sorri, não podia acabar com ele e com aquele momento com a frieza das minhas palavras. O mundo deixou de existir em meio à nossa loucura. Percebi que ele esqueceu não só do mundo presente, mas do passado. Ele se esquecera dos gritos, das lágrimas, da raiva, da dor. Ele queria crer que eu também esqueceria. Isso não era possível, eu poderia perdoar, mas seria impossível esquecer. Aos poucos a felicidade de seu olhar se transformou em outra coisa. As palavras foram ficando mais lentas e ele parou de falar antes de terminar a frase. Creio que o êxtase se retirou e deu lugar a uma realidade que não queríamos encarar: a nossa. Eu também errara, e sei que ele também não seria capaz de esquecer. Éramos um erro, juntos seríamos sempre um desastre e essa era a única eternidade na qual eu consegui crer. Nossa história nunca passaria de momentos excitantes em que conseguíamos esquecer nosso passado, mas após o gozo voltaríamos a ser os mesmos. Nos vestiríamos e passaríamos meses sem nos falar, até que nos encontraríamos e o ciclo retornaria. De qualquer forma, seria impossível não voltarmos a ser um do outro, mesmo que por uma noite. Impossível.

Apodreceu o nosso fruto proibido ♪


PS: Não tente entender

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Paz - eu quero paz



Não posso negar que o futuro do Brasil me preocupa. O futuro do mundo. O ser humano torna-se cada vez mais ambicioso, egoísta e inconseqüente. Tudo se trata do aqui e do agora, o amanhã a gente vê aonde dá. Afinal, eu não estarei aqui daqui a 100 anos, certo?
E os outros? Não digo nossos filhos ou netos. Mas os outros seres humanos, aqueles que não têm condição de se deixar levar pela vida, aqueles que precisam pensar no dia de amanhã. Esses que sofram, oras. Ninguém mandou nascer pobre.
E a desculpa do carma? “Ele tem que passar por isso, ele tem que sofrer” Ah vá, e você pode vir a sofrer numa próxima por não ajudar à esse agora. Pobre mundo capitalista, pobre sistema injusto e mal formado, pobres seres defeituosos e infelizes, que amam mais seus cães do que seus iguais.
Também tem aquela história de os seres humanos não serem merecedores de crédito. Quanto mais conheço o homem mais amo meu cachorro. Não desmerecendo o cão, mas teu semelhante sofre mais que ele, ao seu lado existe um ser pensante que precisa de você. Independente de ser merecedor ou não de sua ajuda, faça sua parte.

Entendo a dificuldade em lidar com as decepções, sendo eu mesma feita delas. Às vezes parece que me quebrei por dentro, às vezes parece que nasci quebrada. Mas por que guardar dentro de mim tanta angustia e mágoa se, no fim, tudo vai ficar bem? Guardar rancor no meu coração fará mal unicamente a mim mesma. Contratarei um técnico em breve.

E não me venha com esses assuntos de quem não sabe o que quer. Você sabe o que quer, só não quer assumir as conseqüências, só não quer se machucar mais. Ei, levanta essa cabeça que tem gente esperando por ti!

E se, no fim, houvesse ocorrido o indesejável? Como seria tê-lo comigo agora? Como seria sussurrar pra não te acordar e te acalmar quando você chorar? Espero algum dia poder tê-lo comigo como sempre desejei, espero que seja todo meu, inteiramente dependente de mim. Espero, principalmente, poder fazer tão bem à você quanto a simples idéia de sua existência faz à mim. Sua pele, seu cheiro, até mesmo seu nariz me vem em mente e me pergunto quando poderei tê-lo comigo. Quase quero passar o tempo rápido. Ao mesmo tempo, não posso me adiantar. Eu não poderia atropelar os planos de uma vida inteira. Como pode um sonho se tornar um pesadelo quando realizado na hora errada?

I don't wanna lose your love tonight ♪

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Falta menos do que faltava antes




Reta final. Coração disparado. Muito medo de não alcançar meu objetivo.
Esse foi um ano de muito preparo e treinamento, chegou agora a hora da batalha e meu coração está aos pulos. Estarei realmente preparada? Conseguirei conquistar o que desejo? E se não conseguir?
Tantas dúvidas, medos, questionamentos, anseios... Não tenho palavras pra descrever. Todo o cansaço, esforço, estudo... Não parece suficiente agora, penso o tempo inteiro que eu podia ter feito mais, que eu devia ter me dedicado mais, dormido menos, saído menos e me focado mais. Será que eu sou capaz? Quantas incertezas...
O pior é saber que em nada elas me ajudam, que o melhor para mim era estar confiante, estar certa de que essa batalha já está ganha. Mas não tem como, o medo do fracasso grita quando o otimismo sussurra no meu ouvido.
O fato é que só eu sei o quanto foi difícil entrar nessa batalha, encarar essa luta de frente. Claro, quantas pessoas não estão se sentindo como eu no momento? Mas eu sei que, para cada um, vai ser diferente. Preciso de mais fé, mais esperança, mais paz no meu coração que se inquieta cada vez que penso em quanto tempo falta.
Lágrimas de desespero e medo brotam nos meus olhos, tamanha a insegurança que tenho dentro de mim, nada consegue me acalmar. Talvez alguns remédios e distrações momentâneas me tirem deste doloroso foco por algumas horas, mas ao chegar em casa eu vou lembrar que devia ter feito mais.
Enfim, não adianta se martirizar agora, basta apenas lutar, estudar, me preparar mais nesta reta final e contar com o que eu consegui até agora. E, principalmente, ter fé em mim mesma.


Se o que eu sou é também o que eu escolhi ser, aceito a condição ♪

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Empatia


Ao escutar sua voz sinto-me como a mesma de tanto tempo. Soa em meus ouvidos seus gritos de desespero e raiva e sinto-me, enfim, compreendida, expressada, de alguma forma, que não em palavras que nunca descreveriam a realidade que um grito ou um som descrevem. Atitudes gritantes de extrema angustia ou simples diversão, há quanto tempo havia perdido o interesse ou compreensão sobre isso. É como se tudo voltasse a fazer sentido e eu fosse anestesiada por uma droga que há muito não fazia sentido.
Ao mesmo tempo, em contra partida, lembro do tanto que sofria, que me martirizava e vejo que a angustia nasceu comigo, o medo e a, digamos assim, tristeza são meus companheiros de estrada há um bom tempo, desde sempre. De alguma forma eu me acostumei a isso, não dói como doía. É simplesmente um algo ao qual me adaptei e faz parte de mim, faz de mim quem eu sou. Não tão interessante ou qualquer outra coisa admirável, mas é quem eu sou, não é?
Quem sabe... O que mais eu posso fazer? Depois de tanto que me adiantei na caminhada, a estrada me parece certa agora e tudo contribuiu pro meu atual amadurecimento, pra minha conscientização diante de tudo.
E afinal, devo tanto isso à você, trouxe a mim o meu pior, sem melhor, mas trouxe meu conhecimento, minha maturidade, minha ousadia e extremidade. Aprendi a me expressar. O que seria de mim sem minhas expressões, sem minhas palavras? Seria um alguém sem passado, futuro... Minha vida sem minhas formas de expressão seriam um grande vazio, um desperdício de carne.
Me acompanha desde que me perdi e foi quando te perdi que vi que a estrada tem menos sentido quando ninguém te compreende, quando você sente que está sozinho e considera-se quase um louco quando pensa que é o único a se sentir dessa forma. O que é melhor, viver em completo vazio ou cheio de sofrimento? Um fardo carregar tal escolha. As palavras vão saindo sem sentido e eu não sinto-me como louca, dentro de mim eu consigo uni-las perfeitamente. Pra quem mais precisa de sentido?
Nofuckingbody

I think I’m dumb, maybe I’m just happy ♪

terça-feira, 28 de setembro de 2010

Passageiro



Estou envelhecendo, afinal. Lembranças, momentos, pessoas, tudo parece como um borrão agora. Tudo é inconstante, efêmero. Por tanto tempo tentei impor a mim mesma uma forma de ser, uma forma de pensar. No fim das contas, não sou nada do que pensei ser, nada do que concordo, nada do que desejo. Esse é mais o fim de um ciclo, de uma fase. A verdade é que é apenas uma data, não tem verdadeiro significado senão um simbolismo dos mais clichês e falsos. Não posso dizer que gosto de fazer parte disso, não gosto. E no fim, acabo fazendo parte de tudo com o que não concordo.
Não somos quem desejamos ser, não podemos mudar as coisas que nos fizeram quem somos hoje. Gostaria de poder me apaixonar por acaso, mesmo que sofresse no final, mas eu queria ao menos ter a chance de não me sentir como um robô, como uma pedra de gelo. Cada vez mais meus sentimentos são controláveis e é mais fácil não sofrer. A diferença é que o sofrimento me faz sentir viva, me mostra que ainda sinto alguma coisa além de remorso, de mágoa. SOFRER, chorar, gritar e arrancar a pele de tanta dor. Passei tanto tempo tentando fugir disso que agora quase sinto falta. A gente só sofre pelo que um dia nos fez feliz. Preciso disso pra saber que, em algum momento, eu fui feliz.
Sinto que sou uma eterna contradição. Eu queria saber como eu seria se minha vida não tivesse dado tamanha reviravolta. Será que eu ainda seria feliz? Será que seria mais madura? Menos “calejada”? Estou quebrada por dentro, preciso de conserto, preciso que alguém conecte meus fios de forma correta. Caso contrário, não sirvo para nada, sou apenas uma boneca ocupando espaço no canto da sala, fazendo uma criança chorar por não conseguir fazer a boneca funcionar como deve.
A vida está no inicio ainda e eu sei que muitas pedras vão vir e derrubar meu castelo novamente. Eu só espero que eu sinta mais, que eu viva mais, que eu não destrua as minhas maiores felicidades. Nem meus maiores amores.

Vida louca vida, vida breve, já que eu não posso te levar quero que você me leve ♪

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Back to black


“Do you know what hurts most about a broken heart? Not being able to remember how you felt before.”

Socos, textos, terapia... Alternativas criadas para enfrentar o problema. Só agora ficou claro que são apenas outras formas de tentar fugir. Uma fuga eterna de um algo que não tem como enfrentar, não tem como mudar, é uma situação constante, imutável. Inevitável. Quantas vezes voltei à mesma fase? Quantas vezes me deparei com as mesmas lágrimas, mesmos questionamentos e mesmos medos. A verdade é que essa é a parte de mim que menos gosto, aquela da qual, não importa o que eu faça, eu não consigo me livrar. Tento constantemente seguir em frente, mudar tudo, mudar a mim, minha vida, meu estado natural, mas nada parece suficiente. Não adianta mudar por fora pra tentar tirar o que esta dentro. Não adianta fazer nada, tem coisas que são assim. Inquestionáveis. Me resta apenas aceitar, socas, escrever, pagar um desconhecido para fingir que se importa com a minha vida. Nada trás de volta o que eu joguei fora.
Afinal, qual o sentido de comemorar mais um ano de vida? É mais um ano em que suas dores e remorsos se acumulam; mais um ano em que você não fez tudo o que queria e não foi feliz como lhe desejaram; mais um ano de perdas, arrependimentos e mágoas. As pessoas lhe desejam constantemente felicidades por que sabem que a felicidade é um estado momentâneo, sua constância é inalcançável na vida terrena e eu me enjôo cada vez que penso o quão errônea e egoísta eu sou. Sempre tão fútil e vazia. Existem coisas tão grandes além da vida e tudo o que consigo pensar é no meu próprio umbigo, nas minhas próprias infelicidades. A verdade é que não me adéquo a lugar algum, pareço não me acomodar bem ao molde que Deus me deu. Há tanto tempo que me sinto assim que às vezes me parece impossível encontrar pessoas que não são assim, admirável, sem dúvida, mas tão improvável... Chega a me parecer mentira.
Minhas perdas se acumulam cada vez mais, não posso agradecer por mais um dia ou mais um ano, mas sim por um a menos. Posso agradecer pelo aprendizado e pelo caminho que estou traçando a um rumo melhor, posso pedir para me encontrar no caminho e me adequar a mim mesma. Posso agradecer pelo bem que proporcionei a uns e pedir desculpas pelo mal que causei a outros. Mas me sinto incapaz de agradecer pela felicidade, pela minha vida, pois eu não me sinto nem um pouco bem.

Parece não achar um lugar no corpo em que Deus lhe encarnou ♪

sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Passos pela rua



Eu fico observando as pessoas a minha volta, vivendo suas vidas e parece que sou apenas um telespectador, como se eu não tivesse minha própria vida, como se não estivesse vivendo. É como um pássaro dentro de sua gaiola, que fica observando todos os outros irem para onde querem, fazendo o que querem. O pássaro da gaiola voa o quanto pode, dentro de seus limites. Limite esse que é curto demais. Eu quero voar além dos limites, não quero viver minha vida como eu posso, quero vive-la como eu quero.
Eu vejo os efeitos do meu cansaço e do meu estresse se expressando no meu próprio corpo, até mesmo meu olhar é diferente. Não é que EU não agüente mais, é o meu próprio corpo que não suporta mais tudo o que precisa suportar. Minha mente está saturada, também já não sou capaz de raciocinar direito, minha fala agora é lenta e eu esqueço o que estava dizendo enquanto digo. O pássaro está enfiando sua cabeça contra a grade da gaiola, numa tentativa de fazer mais do que se pode. Logo a cabeça dele vai explodir e o pássaro vira só uma metáfora na minha história.
Eu digo o tempo inteiro que todo esforço vale a pena, que tudo isso terá recompensa. E se não tiver? E se não valer a pena, afinal? Procuro o tempo inteiro passar segurança, tanto aos outros como a mim mesma. O que eu não sou capaz de assumir para o mundo é o quanto sou insegura e quanto medo eu tenho de viver, quanto medo eu tenho do futuro. É contraditório até, o fato de eu não conseguir me estabilizar na segurança de uma situação, me sinto angustiada. Parece que procuro por algo que me faça mal, por algo que deixe minha cabeça martelando. O ser humano é tão imperfeito e estúpido que sabe apenas se dar por feliz diante de obstáculos, ele só é feliz quando tem algo do que reclamar. A imperfeição procura o imperfeito.
É como aquela história de as pessoas só darem valor a algo quando perdem. Isso me lembra uma história que ouvi esses dias. Ela disse o seguinte: “Por muito tempo eu fui um brinquedo na sua mão, você brincava comigo e quando enjoava deixava de lado. Depois de algum tempo você sentia minha falta e repetia o ato, brincava e jogava fora. Esse ciclo se repetiu muitas vezes. Até que uma vez você me jogou para o lado e outro me encontrou, pegou do chão e levou para casa. Agora eu pertenço a um alguém que me trata bem, que me guarda com carinho. É tarde demais para me procurar, você perdeu.”
Clichê, definitivamente. Mas essa história só é clichê por que se repetiu inúmeras vezes, com inúmeras pessoas. Por que o homem não consegue se dar por satisfeito com o que possui, ele sempre quer algo diferente. E é só quando perde que vê o quanto aquilo lhe fazia feliz. Doce imperfeição. É quase bonito, se não fosse odioso.
O fato é que o mundo dá voltas e é apenas isso que me deixa feliz no momento, o fato de saber que se hoje ta ruim, amanhã vai melhorar. Ou não.


I wanna be sedated ♪

sábado, 24 de julho de 2010

Forever Young


Sabe o que eu queria hoje? Reunir os amigos em volta de uma mesa cheia de cervejas, cigarro na mão, risadas na boca e conversa. Só isso, só queria companhia, fazer merda, queria ficar bêbada e rir. Por que eu não nasci pra esse momento. Eu não nasci pra ser santa, eu nasci pra brincar com a vida, eu sei que isso é de mim. Não veio da minha criação, não é uma fase, não é um momento. É meu estado natural. Eu sou errônea, eu vou contra os conceitos de boa conduta que a sociedade implantou, eu vou contra o certo. Por que eu sou errada.
Dentro dos meus passos errados eu traço o caminho certo e é assim que eu quero que seja. Não quero responsabilidades, não quero compromissos, eu quero ser eternamente jovem. Não uma criança. A infância tem uma completa inocência que não existe em mim. Eu quero ser jovem, por que na juventude existe uma maldade tão inocente, que é quase infantil. Eu quero ser sempre jovem para estar sempre errada. Estar certa já não é mais um desejo, parece uma idéia tão passada e distante que já não consigo compreender. Eu quero ser errada. Por é assim que eu sou. E é assim que vou ser feliz. Aceite.


Eu me ofereço inteiro e você se satisfaz com metade ♪

sexta-feira, 16 de julho de 2010

Exceção




Uma análise geral do todo é o que eu sempre faço por aqui. E é o que eu vim fazer hoje. Prolixo começar assim, mas foi o que surgiu na mente. Foda-se. Hoje eu to muito “foda-se” eu quero que tudo se foda por que eu cansei de me esforçar pra ser o qeu eu não sou, eu cansei de criar uma imagem a qual eu não me adéquo, eu cansei que querer agradar a sociedade e as pessoas que me cercam. Já passou do tempo de eu me aceitar como sou, de ver que só vou ser feliz quando começar a respeitar isso. Eu queria ser diferente? Queria. Eu queria ser inocente, queria ser ingênua, queria ter mais autocontrole. Mas eu não sou eu não posso mudar isso criando uma imagem que condiz com o meu desejo, isso faria de mim uma mentira e eu ODEIO mentiras. Então eu simplesmente não vou mais me submeter a fazer isso comigo. Perdi a conta de quantas vezes repeti isso na minha vida, espero não repetir mais. Quero me amar e me aceitar como sou e se alguém for me amar, terá que ser pelo que sou também. Não sou uma aberração, não sou um alien, eu sou diferente e sei disso, mas quem não é? Afinal, o que é o tal do normal? Essa porra não existe! É tudo uma coisa que o maldito sistema implantou para que os idiotas bitolados tentassem se adequar e fizessem o que o sistema dizia para eles fazerem. No fim das contas, as pessoas se tornam reprimidas e entram em depressão por não saberem quem são; por não conseguirem aceitar esse fato. As pessoas se escondem o tempo todo por medo da opinião alheia, por medo do julgamento. E o pior é saber que elas são SIM julgadas. Todo mundo julga, todo mundo aponta o dedo o tempo intero pro outro e enfatiza defeitos que são apenas características que fazem daquela pessoa um ser único! Eu julgo, eu aponto o dedo! Eu não gosto de ser julgadas, mas cansei de ter medo, ta na hora de dar a cara à tapa. Se eu julgo, tenho que aprender a aceitar ser julgada. É assim que funciona e quanto mais você se volta contra o sistema mais você fica a beira da sociedade. Então, adéqüe-se ao sistema, mas não seja escravo dele. Eu cansei de ser.


Who do you think you are? ♪

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Deitada no divã



- Dra, eu acho que tenho um problema.
- Fale-me sobre isso.
- Às vezes eu acho que minha vida é uma mentira. Que eu fui vivendo e me deixando levar pelo que havia a minha volta. Às vezes eu acho que sou só um reflexo do que o mundo fez de mim. Às vezes eu acho que não tenho personalidade.
- Todo mundo tem personalidade, mesmo que falsa.
- Eu sei, mas é que eu tenho dificuldade pra entender os conceitos de certo e errado, o porquê de algumas coisas. Por exemplo, quando eu quero muito uma coisa, todas as regras de como agir, de orgulho e amor-próprio vão para o inferno e eu simplesmente faço. Às vezes eu acho que sou mais animal do que humana, não sei dizer ‘não’ aos meus instintos. Mas depois de satisfeita com a realização de meu desejo, fico pensando se fiz certo. Quer dizer, eu sei que todo mundo tem impulsos, somos animais. Mas desde sempre eu não sei dizer não aos meus desejos, eles simplesmente me movem. Muitas vezes eu me sinto um tanto quanto envergonhada de assumir o que fiz por ter me arrependido depois, então eu nego ou diminuo o que aquilo foi pra mim. Eu sei que todo mundo tem máscaras, todo mundo mente, ninguém é aberto ao mundo o tempo todo. Mas eu me sinto mal, não gosto de mostrar ao mundo quem eu realmente sou, principalmente quando eu não sei quem sou, mas também não gosto de mostrar que eu sei que não sou. E eu sei que meto marra de machona, mas tenho medo de dar a cara a tapa, confesso que tenho medo das críticas, tenho medo de perder as pessoas por elas não concordarem com quem eu sou. E então eu penso: como eu posso formar laços verdadeiros quando a pessoa não me conhece por inteiro? Eu acho que meu maior medo é ficar sozinha, ser rejeitada. Claro, ninguém quer ser. Mas eu tenho medo de algum dia olhar pra trás e chorar por tudo que eu perdi no meio do caminho. Eu sei que vou perder muito, mas eu não sei se tenho mais medo de perder os outros ou perder a mim mesma.
- Fale mais sobre isso, você está indo bem.
- Dra, eu às vezes eu acho que já me perdi no meio da estrada. Eu voltei pra procurar e achei muitos parecidos, mas nunca mais achei igual. Acho que de alguma forma, a estrada mudou, agora tem mais buracos, mais quebra-molas e muita fiscalização, não posso mais simplesmente fazer o que eu quero. Se eu fizer, sou condenada e vou presa, ou ao menos tenho que pagar fiança. Sabe, eu só queria que a vida e a sociedade fossem diferentes, queria que as pessoas não julgassem tanto, não se limitassem tanto, queria que fosse normal expor o que deseja e lutar livremente por isso. Eu não gosto de jogos, mas eu jogo, eu não gosto de criar imagens, mas eu crio. Eu faço tudo o que eu condeno e não gosto por uma simples questão de regra social, e pra que? Pra no fim do dia não me encontrar sozinha. Mas sabe como eu vou me encontrar? Vazia.


Um dia me disseram que os ventos às vezes erram a direção ♪

quinta-feira, 1 de julho de 2010

Cansei de saudade




Por quanto tempo eu esperei até me dar conta de que a sua partida tinha sido em direção a uma estrada sem volta? Quanto tempo eu demorei pra perceber que você foi embora com as próprias pernas? Quantas vezes eu me culpei e chorei por ter perdido você? Até notar que você foi embora por que quis. Cometi erros pelos quais nunca vou me perdoar, derramo lagrimas incertas até hoje, meu coração ainda se aperta quando escuto aquela musica. O mundo não faz tanto sentido quando você não está aqui. 3 anos é muito tempo? 3 anos passa rápido quando a gente vê do fim da estrada. Mas só eu sei o quanto me arrastei nesses 3 anos com o pensamento em você, minha vida nunca mais foi a mesma. Não sei dizer se preferia nunca ter te conhecido. Talvez eu sofreria menos, talvez o amor significasse apenas uma palavra no vocabulário de gente troxa, talvez eu me sentisse vazia por não conhecer o sentido verdadeiro de ser um idiota. Quantas vezes eu vou repetir para mim mesma que você foi único, que nada se compara, que eu nunca vou amar ninguém como amei você? É tanto tempo, faz tanto tempo que não vejo seu rosto, que não olho nos seus olhos.. Que não sinto o seu cheiro e seu abraço. Eu não queria perder nem um pedaço de você, nenhum momento com você; perdi você inteiro pra sempre.
Como dói a aceitação. Como eu demorei pra aceitar. Tentei me iludir com outras pessoas, novos amores. E acredite, eu amei muito. Mas ninguém vai ser como você. Outra vez você. Sinto-me simplesmente cansada de te amar, entediada do meu sentimento, saturada de minhas lamúrias.
Você vai ser sempre único. Vai sempre fazer as borboletas do meu estomago se mexerem. Só queria fazer isso em você também..


I know someday you'll have a beautiful life,
I know you'll be a star,
In somebody else's sky,
But why, why, why
Can't it be, oh can't it be mine?

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Fim da linha



Por que insistir em algo que nem se quer deseja? Comodismo não faz parte de mim. Talvez seja desejo reprimido, amor mal acabado, vontade de fazer dar certo. Obviamente essa não é a hora nem o momento. Você não está pronto ainda pra fazer diferente, você não está pronto pra se arriscar. Tem todas as cartas na mão, não joga por que não quer. Sabe exatamente o que fazer, mas não faz. Eu sei que não tenho o direito de impor que seja alguém que não é, que aja de forma que não condiz com seu pensamento. Mas tampouco posso me submeter a aceitar para mim o que não concordo. Quero para mim o melhor, nada menos que isso. Você tem o melhor em si, mas não usa. Talvez por isso eu insista tanto, por que eu sei que você pode. Mas você não quer. Quem sou eu, então, para querer fazer diferente a essa altura do campeonato? Estamos aos 45 do 2° tempo com 1 minuto de acréscimo. O resultado? 0x0. Ninguém ganha, ninguém perde. O jogo acabou.
Não luto por nada que não valha à pena, aprendi a me entregar apenas àquilo que vai me sustentar. Game over.

It’s so easy, so fucking easy ♪

sexta-feira, 4 de junho de 2010

Closer



Dan: Todo mundo quer ser feliz.
Larry: Os depressivos não. Eles querem ser infelizes para confirmar que estão deprimidos. Se eles fossem felizes não poderiam estar mais deprimidos. Eles teriam que sair pro mundo e viver. O que pode ser deprimente.


Não existe sentimento pior que a culpa, saber que seu sofrimento foi causado por si próprio, saber que cavou sua própria cova com as mãos. Por que diabos, então, cometemos o erro? Não sabia que era errado? Não tava ali na sua cara? POR QUE DIABOS FAZER ISSO? Parece coisa de gente que gosta de sofrer. Parece coisa de gente BURRA. Talvez seja.
Há anos eu arrasto a culpa como uma companhia, há anos ela é o sentimento mais comum em meu peito. Acontece que essa era a culpa pelos erros involuntários, pelos erros que eu não pude controlar, pelos erros inconscientes. A culpa que agora sinto é aquela que eu sabia, era sobre aquilo do que eu tinha consciência. Pra que, então? Pra detonar com tudo que eu tinha de melhor? Pra acabar com a minha maior preciosidade? Parece vontade de sofrer, parece gosto pela dor. É o tipo de coisa de Anna faria. É o gosto por relações que doem.
Não, eu não sou assim. Há anos eu não sou assim, eu nunca fui assim. Quem eu sou? Mais um em um milhão? Quem sou eu, afinal, para julgar? I’m nobody.
Just nobody.

Cansei de ser eu mesma, cansei dessa parte.


Esse seu lado de tristeza alimenta a minha dor ♪

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Distante



Não vou ser hipócrita e dizer que sou feliz por ter casa, comida, dinheiro suficiente pra viver e um corpo em perfeitas condições de saúde. Não, eu não sou feliz, eu não estou feliz, minha vida não esta feliz e cada dia passa eu sinto mais que tem algo errado, que tem algo faltando. Parece que deram um tiro de bazuca na minha vida e ficou um rombo irreparável. Às vezes eu me sinto tão fora de foco que já não sei dizer o que é certo ou errado, aonde ir e como agir. Tudo se perde nessa mente.
Me sinto tão vazia e irritada, talvez seja TPM; espero. Me disseram que sorrir e rir não é a mesma coisa. Soa tão obvio, não? Mas a gente só percebe essas coisas depois que nos contam. Sinto falta do meu pai, dos amigos antigos, de um alguém que sempre esteve aqui. Alguns erros são irreparáveis, as conseqüências ficam para sempre.
Eu sei, já falei disso essa semana. Mas é que tudo tem se misturado dentro de mim, não sei o que pensar, como agir, o que fazer. Estou mais perdida que peixe de aquário no oceano. A vida deu uma freada brusca e eu fui de cara ao vidro, quem manda andar sem cinto? Quanto maior a emoção, maior pode ser a ferida.
Figurado ou não, sentido é o que minha vida e minhas palavras deixaram de fazer. Melhor fingir que é só uma fase e logo passa. Cansei desse ciclo extremamente vicioso.

I want your drama The touch of your hand ♪

terça-feira, 18 de maio de 2010

Chá da Alice


Gostaria de enfatizar bem o fato de que há muito tempo eu não ficava tão estranha, me sentindo um peixe fora da água, uma intrusa em meu corpo e minha vida. As pessoas que outra hora foram tudo, agora são apenas lembranças, parece que todos que eu mais amava foram embora e eu fico me perguntando o tempo inteiro o que eu fiz. Será que eu fiz algo errado? Será que todo mundo se cansou de mim? Será que eu me perdi no meio do caminho? Acho que tomei o chá da Alice e estou viajando dentro da minha mente, não consigo entender como as coisas tomaram tal rumo. Há dias pensando na mesma coisa, martelando na mesma história e não consigo concluir nada. É o pior vestibular de todos; o tipo de prova que não dá pra se sair bem. Zerei.
Parece que cada um está indo para o seu lado e eu to parada me perguntando pra onde eu vou, o que eu faço. Eu sei que não posso apagar o que foi feito, mas queria ao menos esclarecer, consertar de alguma forma. Parece que algumas amizades são feitas de porcelana, impossíveis de se reconstruir. Talvez eu esteja exagerando, afinal, quem nunca teve uma fase ruim? O fato é que essa parece estar se prolongando bastante, me sinto muito sozinha nesse momento. Parece que as pessoas simplesmente me apagaram de sua história e pronto. É como se eu nunca tivesse existido.
Não sei dizer o que se passa em suas cabeças, cada um vê as coisas de um jeito. Tudo que posso dizer é que as lagrimas sentem vontade de sair e meu coração parece querer se enfiar dentro do estômago cada vez que lembro quanta preciosidade eu perdi. Um milhão de diamantes não comprariam isso. Acho que me perdi junto. Talvez eu me sinta tão estranha dentro de mim mesma por que eu era aquela pessoa por que essas outras me completavam, agora que elas foram embora ficou apenas um vazio dentro de mim. Sou apenas uma pagina em branco sem vocês.


"No final, não nos lembraremos das palavras dos nossos inimigos, mas do silêncio dos nossos amigos"
Martin Luther King

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Pouco pra viver

Hoje eu tive vontade de gritar, gritar pro mundo tudo que eu quero e me jogar no vento, ser levada pela vida. Deu vontade de mostrar pras pessoas que imagem é coisa de quem tem olhos e não enxerga, que tem coisas mais bonitas pra se ver do que corpo. Tem uma coisa chamada ansiedade que bate no meu peito e eu nem sei por que, ela fica sacudindo tudo por dentro, meu corpo sacode todo junto, por que eu não sou controlável nem racional. Da próxima vez eu pego o ônibus e sigo meu rumo, nunca gostei de controle, nunca gostei de regras e cansei de seguir o que dizem ser correto. Me deixa viver, me deixa em paz. Só isso que eu quero. Cansei de drama adolescente e gente que não se contenta com o que tem, se deixe ser feliz. Cansei de reclamar da própria vida de barriga cheia, é tudo bom demais pra deixar de lado a felicidade e dar trela pra tristeza. Não quero mais ver nada disso, se deixem sorrir. Só isso que eu digo.

We've got each other and that's a lot ♪

segunda-feira, 3 de maio de 2010

Psicologia reversa

Existem pessoas que não pensam com a cabeça. Existem mentes que funcionam involuntariamente. Armam, manipulam, traem e nem mesmo notam. Se parar pra pensar; quantas pessoas assim devem existir no mundo? Muitas, sem duvida. Aquela pessoa que parece a mais pura, a melhor intencionada, pode ser aquela que vai fazer mais mal. Não que deseje isso, não que tenha planejado. Mas faz, e não adianta dizer que não queria; as coisas por fim se encaixam da forma desejada. Não digo que a pessoa sinta-se bem com isso, talvez seja a pior das coisas para ela. Mas será que o que vale é a intenção? Será que a pessoa sabe mesmo o que está fazendo? Como diria Hamlet “existem mais coisas entre o céu e a Terra do que explica nossa vã filosofia” E incluo aí o fato de existirem mais coisas dentro da mente humana que nunca poderemos imaginar. Existem outros mundos, outras vidas e outros seres. Tudo pode ser modificado, até mesmo a realidade.
Psicologia admirável essa, a de ver as coisas mais inimagináveis. Só uma psicóloga com muito futuro pela frente e muita confiança seria capaz de me fazer pensar assim. Não quero aceitar o fato de desconfiar das pessoas que mais amo, não queria ter tão pouca confiança na humanidade, mas me sinto tão mais segura e realista sabendo que o mundo tem coisas que nunca iríamos imaginar. Tudo se espera de todos, não se pode confiar em nada. A realidade é flexível demais para ser única, é uma matéria humana demais para ser exata.
Me dói fundo no peito ver o sofrimento a minha volta, no peito dos que amo. Minhas mãos estão atadas, mas não vou fechar os olhos. Tão pouco posso virar as costas para meu próprio futuro em nome disso. Queria ser mais fria nessas horas. É difícil, mas sei que dei meu melhor diante de tudo isso, os erros não foram intencionais e nem mesmo conscientes. Não havia como prever, nesse jogo existe mais de um ou dois jogadores, e por isso está sempre mudando e surpreendendo. Não se pode esperar, apenas aceite. Está na hora de aceitar.

And right now, the sun is trying to kill the moon ♪

domingo, 2 de maio de 2010

Tudo ao mesmo tempo. Tanta coisa. Por que eu continuo sentindo como se tudo tivesse explodido por minha culpa? Por que eu sinto como se as coisas tivessem fugido do controle a ponto de eu não poder me mexer. Com toda a ansiedade que estou sentindo agora, deixar o tempo curar as coisas parece tão difícil. E o meu coração que está tão apertado? O que eu faço com ele? E essa vontade de chorar que eu sinto? como eu faço com tudo o que acontece aqui dentro?
Só queria entender, só queria ter respostas. Queria ter a chance de pedir desculpa pelos meus erros, me explicar. Só quero ter voz, voltar no tempo e mudar tudo. Só isso.

Eu to na lanterna dos afogados ♪

Forma errada

Às vezes eu tenho a sensação de que faço todos a minha volta sofrer, e quando paro pra lembrar todas as merdas que já fiz, devo que afirmar que isso é um fato. São poucas as pessoas próximas de mim as quais eu não causei dor. Uma vez me disseram que eu não faço tudo errado, eu faço tudo de forma errada. Na época eu não entendi; agora eu vejo com mais clareza o que essa pessoa quis dizer. Tenho dificuldade em lidar com determinadas situações, e não é que seja errado o que eu fiz, eu só devia ter feito o mesmo de outra forma. Será que tem alguém entendendo? rs
Só queria que as coisas voltassem a ser como antes, parece que tudo mudou em muito pouco tempo e me vem um medo... Medo de perder tudo que eu conquistei. Hoje eu queria desabafar, abrir o coração pro nada, não quero direcionar minha palavra a ninguém, quero jogá-las ao vento e deixar que o tempo melhore tudo, por que ele tem esse poder.
Só espero que agora eu saiba o que fazer e faça direito. Tanta coisa, muita coisa, um mundo de coisas...

Levanta, sacode a poeira, da a volta por cima ♪

segunda-feira, 26 de abril de 2010

Beleza insana

Hoje me deu uma saudade daqui, de escrever, de outros momentos da minha vida. Saudade de um tempo que não volta, de pessoas que não voltam, saudade até de uma personalidade maníaco depressiva que não volta. Senti falta de um abraço quente, um sorriso que brilha; uma mão que move tudo. Bateu saudade de dizer ‘eu te amo’ e achar que é pra sempre, saudade de rir sem vontade de parar, de não ligar pra imagem e tocar o foda-se pra opinião alheia. Queria me sentir infantil de novo, mimada, egoísta, mandona e não me dar conta disso. Quero voltar ao tempo em que eu não me auto-analisava, que não tinha medo de ser quem eu era, de sentir o que eu sentia. Tempo em que eu não mandava em mim mesma, tudo era instinto, tudo era animal, era tudo puro, cru, intenso e tão, mas tão bonito que quase doía.
Admiro imensamente a pessoa que eu soube me tornar, aprendi a assumir meus erros, consertá-los. Aprendi a ver que certas coisas não se faz, por mais que o desejo grite; que tem coisas que magoam. Admiro a evolução que ocorreu aqui dentro, mesmo que não seja nítida aos outros. Sinto uma felicidade enorme quando vejo que encontrei a resposta pra quase todas as minhas perguntas, encontrei um sentido na vida e no mundo.
No entanto, isso não quer dizer que não sinta falta da felicidade infantil que eu sentia com as coisas mais bobas, com as babaquices de uma pré-adolescência ignorante e sem noção. Foi bom, foi tudo MUITO bom. Foi tudo lindo, não tenho palavras pra descrever a falta que sinto de tal beleza. Sei que minha vida agora também possui uma beleza imponderável e mágica. Mas sei também que só vou tomar consciência dela depois que tiver passado. É assim, é assim a vida do humano frágil e imperfeito. Mas ainda assim, amo tão dolorosamente tal vida, que quase sufoco.

Mas é exatamente quando a gente ta cansado.. o coração distrai e então a sorte vem ♪

sábado, 9 de janeiro de 2010

Babel

Achei o texto que fala de Babel, era um texto sobre o twitter mas o que importa é a parte do babel rs.

Há uma instalação do Cildo Meireles, “Babel”, que é uma torre formada por cinco metros de rádios empilhados dentro de uma sala escura. Quando entramos na sala, só podemos ouvir o som indistinto de todas as transmissões misturadas. É um monolito sonoro. A medida que caminhamos, podemos separar os sons e ouvir as vozes ou músicas de cada um dos rádios, conforme aproximamos os ouvidos de um ou outro alto-falante.

Jamais teremos tempo de ouvir tudo. “Babel” é puro desespero. A metáfora visual e sonora do Cildo ajuda a entender nosso tempo, onde a comunicação ilimitada leva à incomunicabilidade total. E onde o crescimento da oferta de informação é inversamente proporcional a nossa capacidade de processá-la – e a sua utilidade, como querem alguns.


João Paulo Cuenca

Poluição mental

Eu pensei e pensei, e pensei e repensei... continuo pensando. Sabe Deus aonde posso chegar com minha inconstância e prazer pela dor. Queria ir embora de novo, pra um lugar novo e diferente, eu sei que senti falta de casa, mas foi simplesmente perfeito estar longe de tudo, longe do meu mundo. Voltar não foi fácil, parece que 2010 começou cheio de provas para mim, e não falo da UFRJ. Queria ter sido mais cuidadosa para com o sentimento dos outros, e com os meus também. Se piso tanto em meu próprio coração, como posso fazer pra valorizar o coração dos que amo? Será que me amo menos que aos outros? Será que toda aquela idéia de “eu quero ser feliz” era só uma idéia e não um fato? Fico louca com essas minhas pirações, essas minhas vontades incontroláveis e repentinas, NÃO SEI O QUE FAZER COMIGO! Tanto tempo sem escrever e tanta coisa pra botar pra fora, parece que engasguei de tanto que engoli. Queria saber ao menos de fato o que se passa na minha cabeça, porque tem tantos pensamentos e sentimentos que eu não consigo dizer aonde quero chegar, o que quero fazer. Não consigo chegar a um ponto. Toda essa historia de tratamento pra organizar pensamentos, acho que eu devia fazer em tempo integral. É incrível como é difícil saber simplesmente o que eu quero. O que eu devo, ou se quer o que eu estou pensando. Tem tantas coisas na minha mente ao mesmo tempo que eu fico congelada, são milhões de vozes gritando ao mesmo tempo e eu não consigo escutar senão palavras alheias de cada uma. É como Babel (explico se encontrar o texto). Enfim, giro, giro e giro mais um pouco e não chego a ponto nenhum. A vontade é abrir um zíper na minha pele e sair de dentro de mim, queria ser outro ser, que não fosse humano. Um macaco, um cachorro. Vida breve e simples, se contentam com pouco, não sentem dores, não traem o próximo e nenhuma dor é suficiente para que acabem com sua própria vida. Cansei desses pesadelos que me visitam as noites e dizem que fugir do passado é impossível, que não dá pra apagar essa historia que escrevi. Odeio não saber lidar com isso, comigo mesma. Preciso de tanto pra crescer e evoluir, que me sinto uma criança ainda. Queria apenas parar de pensar tanto, queria abrir um buraco em minha mente e deixar tudo vazio. Um buraco enorme na camada de ozônio da minha mente poluída.

Pra que você possa entender o que eu também não entendo ♪