sexta-feira, 8 de maio de 2009

Sistema animal

Se trata de crescer, de ter que tirar forças seja de onde for pra agüentar tudo o que a vida joga nas suas costas. Porque você tem que ser forte, tem que agüentar, tem que ser maduro e encarar como um adulto. Eu não sou adulta, não quero ser, quero ser só uma criança, que viaja pelo espaço e descobre o quão grandioso é ser pequeno! Se trata de uma escolha que não pode ser feita, pois existe o maldito sistema, a maldita sociedade a qual você deve se enquadrar, caso contrario não encontrará um lugar pra ti no mundo. O que faz uma pessoa sem lugar no mundo? Fica a beira dele, alheio a tudo? Será mesmo que estar incluído faz parte de um processo de desenvolvimento? Ou não deveria ser encarado como um processo de robotização, no qual temos de ser o que nos dizem que temos que ser. Não é o que desejamos, é o que nos disseram que devemos desejar. Somos ditos como humanos, agimos como robôs, mas nossos sentimentos são tão ferozmente reprimidos que por dentro somos apenas animais, somos como os animais que nós mesmos prendemos em gaiolas, que torturamos até matar, que comemos que maltratamos por simples prazer. Digo ‘nós’ porque me incluo nessa sociedade cruel que nos faz tão bandidos como aqueles ditos que prendemos e excluímos como se não tivessem o direto de viver com “pessoas de bem”. Pessoas essas que se consideram tão boas a ponto de não poder conviver com seu próximo, com seu igual. Incluo-me em todos eles, sou o bandido excluído, sou o civil preconceituoso, sou ser humano. Somos iguais, somos cruéis, somos insanos. E maquiamos tudo isso como uma grande peça de teatro, que se transforma, por fim, em circo de horrores.

I never lost control ♪

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