
O mais engraçado é que por mais que eu odeie seus defeitos, suas brincadeiras e seus conceitos errôneos. Por mais que eu odeie a forma como você demonstra suas insatisfações, por mais que eu odeie tudo o que você gosta e você odeie tudo o que eu gosto. Por mais que, nem por um segundo, nós tenhamos absolutamente nada em comum, não conseguimos sair da vida um do outro. Não conseguimos deixar de gostar, deixar de querer estar junto, mesmo que às vezes a vontade mais forte seja a de matar um ao outro, quase sempre o que nos conduz é um desejo e uma química insuportáveis, uma história sem pé nem cabeça.
Eu sei que nunca daríamos certo na proximidade, que a coisa só anda devido a essa distância que nos matem seguros e longe de um homicídio passional. Mas essa relação que mais parece uma montanha russa me faz rir de nós dois, me faz pensar que Deus não nos mantém juntos por tanto tempo a toa, me faz pensar que temos muito o que aprender, crescer e evoluir um com o outro. Claro, essas são palavras que nem entram no seu vocabulário, você às vezes parece não conhecê-las. Mas tudo bem, eu sei que, com muito esforço e vontade, boto na sua cabeça um pouco do que preciso.
E, sabe, por mais que sejamos opostos, eu sei que você se parece muito comigo, nos meus piores defeitos. Esse seu gênio insuportável, sua teimosia, seu orgulho bobo, esse seu egoísmo, sua mania de achar que tudo tem que ser do seu jeito... Quando penso em você por esse lado até acho que estou falando de mim.
É insuportável ser tão parecida e tão diferente de você, é um saco saber que, por mais que seja passageiro, nunca vai passar. Por que, a gente vai crescer, mudar, casar e ter filhos. Mas eu tenho certeza que não vamos esquecer, isso se ainda não estivermos brigando, batendo pé um com o outro. Isso se você não virar do nada e dizer “estou com saudade, vou aí amanhã”
Pra falar a verdade, mesmo quando eu to brigada com você, eu adoro ouvir isso. Adoro seu jeito irritante, machista e marrento. Adoro e odeio tanto você, que essa relação só daria certo estando perto e longe, como sempre estivemos.
Te ver e não te querer, é improvável é impossível ♪
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