E de repente tudo ficou distante. O mundo, eu, você.
Por que, meu Deus, de tudo que foi, tinha que ir a única coisa que possuía de bom nesse mundo. A única qualidade verdadeiramente genuína que me destes? Eu gostava de me ver às voltas com teclados e lágrimas, cheia de emoção e inspiração. Oh Céus, logo isso...
Houve por um tempo uma sensação de liberdade dentro das prisões desgradeadas da vida, mas a idade é uma prisão que lhe permite luxos tão loucos quanto a juventude, e muito menos divertidos. Oh, Senhor, por quanto tempo me vi correndo pro lápis e palavras, e foi estuda-las que abandoei-as. Tamanha ingratidão essa minha, virar as costas pro meu melhor amigo. Mas já não seria esse um costume antigo? Oh, old habits die hard. So fucking hard.
Que a vida não foi sorridente nos ultimos tempos, não foi, fui uma menina feliz quando estava triste, e agora sou mulher chorosa as voltas com a felicidade. O quão complexamente simples a vida poderia ter se tornado...
Havia sorrisos e olhares, todos esses clichês dos quais falei por tanto tempo. Nossa, essa juventude é pura chuva e lástima. Que a vida foi boa, ah, ela foi, abandonei os clichês o tornei-me um vazio tão redundante quanto poderia ser essa vida vaga e distante da realidade que vivi e sonhei algum dia.
Pequenos passos, então, se aproximam. Por que tanta reclamação, tanta mágoa? Eu sinto falta da inocência que nos trás a ignorância das palavras. Ah, palavras, minhas verdadeiras escravistas, escravocratas, senhoras de meu engenho pequenino. Por que não fui embora enquanto era tempo? Por que sucumbi aos prazeres do tão velho amor, amigo de tempos, de que serve seus males? Nasci de cabeça pra baixo, do avesso. Por quê?
Tentei mudar, tentei ser melhor. Por que? Por quem? Por mim, por você? É difícil assumir certas coisas pra nós mesmos. Existe uma vontade tão grande de ser diferente, de ser como essas pessoas que sabem manter amizades, relacionamentos e sabem viver no mundo da comunicação e interação, quando pra mim é tão difícil dizer "oi" a um estranho. Mais difícil ainda é dizer "oi" a um antigo conhecido... Maldito orgulho já pisoteado por tanto, de que vale tanta palavra pra dizer a mesma coisa? Você só da voltas e voltas. Vamos pôr na lista de desejos: morrer e nascer de novo. Quando, Senhor, poderei nessa vida ser correta? Me tornei um vazio, um barco furado em contínua queda mar adentro. O titanic chegou ao fundo do mar em cerca de 10 minutos.
Eu tenho um medo do caralho de ficar sozinha. A solidão foi minha companheira por tanto tempo. Eu queria ser dessas pessoas que consegue ter amigos de infância, mas eu vou embora com tanta facilidade que penso não me importar, mas eu me importo. Uma pena sempre me dar conta tarde demais. Devem os relacionamentos doentios acabarem? Seria essa a única solução? Seria crescer parar de escrever? Ou parar de falar sobre o maldito do amor?
Amor, amor, amour... Me soa banalizado, me soa insensível e egoísta. Acho que é assim o amor dos tempos de hoje. Ele é frio e sempre voltado pra si mesmo, e maior amor dos nossos tempos é o amor-próprio, que até serve de bastante coisa, mas as vezes não serve mesmo de nada. Tudo continua uma bagunça filha da puta, eu nunca sei de nada mesmo. Eu preciso ir embora....
Meu coração continua dolorido, pisoteado, magoado. Não sei qual antidepressivo se aplica melhor aos problemas da vida moderna. Deveria ter um dispositivo na nossa cabeça que nos permitisse explodir, simplesmente. Sempre que a vida se tornasse uma bosta, a gente apertava e simplesmente is embora, morria, virava poeira. Eu encarei por tempo demais. Agora tudo que eu quero é fugir. E quem disse que você tem direito de querer alguma coisa? Você tem apenas o direito de permanecer calada.
But it's so hard loving you...
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