Eu sinto uma necessidade grande de falar, mas ao mesmo tempo
sinto que digo sempre as mesmas coisas, que estou constantemente em círculos.
To numa fase em que eu mesma to cansada de mim, cansada das minhas reclamações
e da minha infelicidade. Notei que a maior parte das pessoas da minha idade se
sente da mesma forma e que, não, eu não tenho absolutamente nada de especial.
Todo mundo parece não saber o que fazer com as suas vidas e param de achar
graça nas coisas que antes eram divertidas. Acho que a pior coisa é: e agora, o
que é divertido? Continuamos fazendo as mesmas coisas que antes, mas acho que
muito mais por que não sabemos o que realmente queremos do que por gostar de
fazer. Já tem muito tempo que não faço nada por estar realmente empolgada pra
fazer. Sinto que faço as coisas muito mais pra me distrair do que por realmente
querer. Tem muito tempo que não me sinto realmente feliz.
Eu costumo botar a culpa nas coisas que perdi, na mudança
que minha vida sofreu. Mas acho que o problema sou eu mesma, a falta de vontade
que eu tenho de viver. Tudo que eu faço - absolutamente tudo - parece estar
errado. A questão é que fico muito tempo reclamando dessas coisas e tempo
nenhum tentando mudar. Não sei dizer se o problema é que não sei o que fazer,
ou se meu medo me trava. Acho que nessa idade todo mundo fica com medo de virar
gente grande, de tomar as grandes decisões que a sociedade exige que você tome.
E a gente acaba ficando em casa, se arrastando em tudo.
Eu sei que minha vida precisa de uma mudança drástica. Que
eu preciso sair da minha zona de conforto e reclamação e realmente fazer alguma
coisa. Mas fazer o que? Como? E se der errado? Acho que não to cansada da vida
ou das pessoas, to cansada de mim. To cansada do meu apego ao passado, do meu
saudosismo interminável que não me tira do lugar.
A nossa geração tem uma coisa de fazer com que todos se
sintam especiais. Eu sempre acho que vou viver um sonho encantado, uma vida
perfeita. A realidade frustra, castra e te prende.
Eu achava que meu problema eram os outros, mas meu problema
sou eu mesma. E não de uma forma especial, eu só sou o mesmo problema que todos
os outros da minha idade.
E não, o inferno não são os outros. O inferno somos nós
mesmos.
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