sexta-feira, 8 de abril de 2011

Na gaveta


Ficaram as marcas no corpo. Ficaram as cartas escritas há lápis, os poemas feitos em papel higiênico. Ficaram as fotos mal batidas, os planos não feitos e os sonhos não realizados. Ficou uma vida interrompida. Nunca mais vamos sorrir ao lado um do outro, nunca mais vamos planejar nosso futuro, nossa casa, o nome de nossos filhos. Nunca mais vamos andar de mão dada, dividir um cigarro de madrugada ou transar escondidos. Nunca mais vou dizer que te amo olhando nos seus olhos, ou gritar que te odeio pelo telefone, nunca mais vou correr na chuva pra te encontrar, nunca mais vou marcar o horário certo que você passa em frente à escola pra estar parada lá. Nunca mais vou me entregar tanto a alguém, amar com tanta intensidade ou sofrer com tanta força.
Por muito tempo considerei isso irrelevante, até perceber que não vou viver isso com você, e nem com ninguém. Achei que seria capaz de reconstruir tamanho sentimento com outro alguém, mas eu sei que não é possível. Nem pra mim, e nem pra você. Não importa quantas passem pela sua vida, de alguma forma eu sei que você vai me procurar nelas. Assim como procuro você neles. Mas o que vivemos morreu com as pessoas que fomos.

A letra do seu nome ainda pulsa nas minhas veias. Pulsa mais forte quando eu vejo que nem o tempo conseguiu apagá-la. Ele apagou do meu coração, mas algo me diz que nunca vai apagar da minha pele. Nem das minhas lembranças...

No hope, no love, no glory.. No happy ending ♪

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