domingo, 3 de novembro de 2013

Clichês da literatura caseira

Eu queria pelo menos conseguir chorar. Ao mesmo tempo que já não sinto aquela tristeza profunda, aquele desespero, ainda sinto um vazio e uma melancolia difíceis de entender. Mesmo que a maior parte do tempo eu me obrigue a sorrir, brincar e não pensar, de forma nenhuma, em você, tem dias que fica difícil, tem dias que a saudade bate realmente forte. Eu queria poder encarar minha tristeza, aceitá-la e curtir a fossa, como se deve. Mas meu medo de fraquejar é tão grande, tenho pavor da ideia de me tornar aquela pessoa fraca novamente, de ceder a urgências que não posso me dar ao luxo de ter. Gostaria de poder simplesmente arrancar tudo isso de mim, mas as vezes o tédio bate, os outros caras deixam de ser interessantes, e não tem nenhum amigo legal pra me fazer rir. Só tem eu, meus pensamentos e meus sentimentos. O trio mais pavoroso do século. Três coisas que não deveriam nunca se unir em solidão.
É mesmo como dizem: a ignorância é uma benção. Quando paro pra pensar e lembro de tudo, vejo com clareza tudo, me sinto envergonhada e ao mesmo tempo deprimida. Amar sozinha é triste. Principalmente alguém que já amou de volta um dia. É triste e meu estômago dá uma embrulhada sempre que eu penso no assunto. Lembro dos meus incontáveis erros, da minha cegueira. Aí eu penso em outros países, outras pessoas, outros homens. Me distraio com o leque de opções que o mundo me oferece. E mesmo que, no fundo, eu as vezes pense que já não te quero mais, eu queria que você fosse uma opção. Não da forma que um dia foi. Mas queria.
Queria ver a mim mesma com os olhos do mundo, sinto que sou mais bonita e interessante aos olhos dos outros. No fim das contas, sou só mais um grande clichê, uma versão empobrecida de mim mesma. Uma lástima, um buraco. Continuo sorrindo.


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