Eu fico vendo como meus pais formaram suas próprias famílias. Famílias além de mim, além do que foi a nossa. Como eles são felizes com seus novos parceiros e “filhos”. Até um papagaio tomou meu lugar. Eles ficam na sala vendo TV e admirando aquele animal como dois pais admiram seu primeiro filho. O retrato da família perfeita. Sei que não me incluo nessas famílias novas. Mas não há nada que eu possa fazer diante disso e cansei de me lamuriar pelo que a vida fez comigo, não procurei nada disso, tampouco posso reverter minha situação. Cansei de reclamar da forma como fui criada, do lugar onde nasci. Não posso mudar nada do que passou. Não vou dizer que não fique triste com a minha condição de solidão incontestável, com o fato de não ter uma família. Isso me magoa o tempo inteiro. Mas tudo o que posso fazer é esperar que chegue o momento em que formarei minha própria família, em que serei o centro de uma comunhão de pessoas que se amam e querem estar juntas. Eu não sou o tipo de pessoa que os outros vêem como mãe, eu não me imagino negando absolutamente nada à um filho meu. Mas sabe, eu consigo me ver bem nesse lugar, no lugar de uma mãe. Claro que são só fantasias, mas eu desejo isso cada vez mais. Desejo poder cuidar de alguém, amar alguém, ter uma rotina de estresse e carinho. Quem diria, Thaís Pol falando que gostaria de uma família, é quase assustador. Mas já não estou mais na posição de revolta diante da vida, agora eu sei que tudo o que posso fazer é aceitar minha condições e lutar pelo que eu desejo dentro de meus limites. Se eu não posso voar, não pularei do prédio. Não posso mais esperar por um milagre, Deus sabe o que faz.
Um dia eu sei que vou ser capaz de conquistar as coisas que desejo, sei que vou ser capaz de montar uma família e, por ter vivido como vivi, eu sei que vou fazer diferente. Não importa o quão diferente ou alternativa seja minha vida, eu só quero ser feliz e fazer as pessoas que me amam felizes. Não quero machucar ninguém, não quero NUNCA ser o retrato da solidão de alguém. Quero ser capaz de perdoar, forte e corajosa para isso. Quero muitas coisas, quero consegui-las também. E eu vou.
Em controvérsia com tudo o que disse acima eu quero viver na podridão do rock ‘n roll mais hard e bizarro. Quero ser como Kurt Cobain, quero revolucionar o mundo. Quero viver a vida com o que possua no momento, foda-se tudo. É incrível que existam duas pessoas tão diferentes dentro de um corpo tão pequeno e frágil. Não se iludam, existe muito mais de duas aqui. Mas sei que no fim, tudo o que eu vou ser é Thaís. Seja lá quem ela for.
Why would you say sorry? ♪
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