sexta-feira, 6 de novembro de 2009

Solidão que nada

Tenho andando meio assim, feito um fantasma. Eu vago pela casa como uma assombração e às vezes me pergunto se morri e não notei. Não converso com as pessoas, não como, não faço muito mais do que dormir e sentar a bunda nessa cadeira de computador. Eu estou literalmente esperando a felicidade chegar. É sempre assim, a gente sabe que esses momentos de depressão existem, eu cansei de lutar contra minhas lágrimas, minhas vontades e meus instintos. Eu posso não saber o que quero de verdade, mas sei que não quero me reprimir. Cansei de ver um mundo de imagens e peças de teatro, de mentira e enganação. A vida toda é uma grande encenação e somos grandes atores chatos que não se cansam de ser personagens, não querem nunca crescer e por isso se escondem atrás de papéis de pais, trabalhadores, filhos e adolescentes. Cada um cria pra si uma imagem, mas todos sabem que não somos nada do que dizemos. Cansei de ser igual a todos, e cada vez que sou diferente sei que é mais um personagem sendo criado. A vida é esse ciclo de lamúrias, felicidades e lamúrias de novo. Sempre tem algo pra dizer, reclamar, contestar ou se vangloriar. Não importa mais, eu vou me encontrar.
Talvez eu me encontre numa viagem pelo mundo, talvez eu me encontre em uma carreira, talvez eu me encontre andando por um lugar bonito ou talvez eu me encontre depois de atravessar uma rua. Talvez eu não me encontre nunca, mas eu sempre vou achar que encontrei. Então me arrisco a viver esse momento como o mais feliz de minha vida. Falta entrega e eu cansei de me proteger, de ser protegida. Eu cansei de fugir das dores do mundo, eu vou viver o que for necessário, o que eu tiver vontade. Espero conseguir algum dia pôr em pratica tudo que escrevo aqui. Talvez eu morra amanhã, talvez eu morra daqui a 70 anos, mas eu quero sentir que não deixei a vida passar.


It amazes me, the will of instinct ♪

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