Sinto falta do companheirismo, da amizade, de ter sempre pra quem ligar quando preciso ou quando tenho saudade, sinto falta de ter com quem contar. É estranho por tanto tempo ficar com alguém, ser companheira o tempo inteiro, ajudar no que for preciso, saber os horários e os gostos de uma pessoa... E de repente não saber mais nada de sua vida, do que quer fazer, o que pensa, como se sente, o que acontece.
Término de relacionamentos é sempre complicado. Não saber como agir quando determinada pessoa está por perto, o que dizer; o que fazer; se pode conversar ou não. O tempo inteiro a pessoa espera do outro o primeiro passo, que nunca é dado. E fica aquele clima desagradável, as pessoas começam a se evitar, deixam de ir a lugares por que a outra vai estar e limitam sua vida muito mais do que limitavam antes. E aquele velho silencio desesperador, aquele silencio do qual Marta Medeiros sabe falar como ninguém. O silencio da desistência, do cansaço, do fim. Aquele silencio do qual não se pode saber o que tem por trás, um silencio que grita mais que berros de criança e cantores de rock ‘n roll. É desesperador. É deprimente. É vazio e triste.
Todo mundo passa por isso um dia, é claro. Não existe nada mais comum. Mas algumas pessoas levam isso tão a caralho que eu me pergunto como pode ter existido amor um dia, como alguém pode se recuperar tão bem e tão rápido de uma perda tão grande. Não se perde só a pessoa, se perde a parte de você que havia nascido com essa pessoa, se perde a historia que teve com essa pessoa, se perde uma época de sua vida e nada disso parece ter mais volta. Fico pensando o quão frio pode ser um coração para que não se abale com essas coisas. Eu simplesmente não sei viver assim. Mesmo que não houvesse mais amor, mesmo que estivesse possuída com um ódio descomunal não consigo deixar de pensar o quanto foi uma perda grande, o quanto eu ficarei vazia agora.
Já passei por isso antes, por isso sei que não vou morrer e o mundo não vai acabar, mas agora sei que não importa quantas vezes eu me apaixone e quantas vezes eu perca uma paixão, eu nunca serei capaz de não sofrer por isso.
Se é pra jogar Não vou mais fingir ♪
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